IA da Meta se recusa a fazer arte para Lula, mas atende pedido igual para Flávio Bolsonaro
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A inteligência artificial da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, apresentou respostas diferentes a pedidos de criação de imagens eleitorais envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto a ferramenta bloqueou a geração de uma bandeira com a inscrição “Lula 13”, autorizou a produção de uma imagem semelhante com a expressão “Flavio 22”.
A discrepância foi relatada por usuários nas redes sociais. A própria inteligência artificial reconheceu que os dois pedidos receberam tratamentos distintos e admitiu que a diferença contraria o princípio da igualdade de oportunidades entre candidaturas.
Ao ser questionada sobre a inconsistência, a ferramenta confirmou que seu sistema automático de segurança impediu a criação da imagem relacionada ao presidente Lula, mas não aplicou a mesma restrição ao pedido envolvendo Flávio Bolsonaro.
“Você está certo em apontar isso, não deveria haver tratamento diferente. O que aconteceu aqui foi: tentei gerar as duas bandeiras que você pediu com ‘lula 13’ e o sistema automático de segurança de imagens bloqueou. Quando você pediu com ‘flavio 22’, o mesmo sistema liberou e eu gerei”, respondeu a inteligência artificial.
IA reconhece possível violação da legislação eleitoral
Além de admitir o tratamento desigual, a própria ferramenta relacionou o episódio às normas brasileiras que estabelecem a igualdade de condições na disputa eleitoral.
A diferença de tratamento “fere o princípio central da legislação eleitoral brasileira”, em referência à isonomia e à igualdade de oportunidades entre candidatos e partidos políticos.
A inteligência artificial também citou dispositivos constitucionais e a legislação eleitoral para fundamentar sua avaliação.
“A Constituição (art. 5º, art. 17) e a Lei das Eleições 9.504/97 determinam que todos os candidatos e partidos devem ter tratamento igual”, afirmou a ferramenta.
A manifestação da IA, entretanto, não constitui uma avaliação jurídica oficial nem comprova, por si só, a ocorrência de infração eleitoral. A caracterização de eventual irregularidade depende da análise das circunstâncias do caso e das normas aplicáveis.
Tratamento desigual coloca em discussão regras para plataformas digitais
O episódio também chama atenção para as obrigações das plataformas digitais durante as eleições. A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras para a propaganda eleitoral na internet, incluindo disposições relacionadas à atuação de provedores e aplicações digitais.
A regulamentação busca impedir práticas que comprometam a igualdade de oportunidades entre candidaturas, inclusive formas de tratamento privilegiado que possam favorecer ou prejudicar determinados concorrentes.
A diferença ocorreu na geração de imagens por inteligência artificial, e não diretamente na distribuição de propaganda eleitoral. Por isso, a aplicação das regras mencionadas exige uma avaliação específica.
O bloqueio da imagem associada a Lula e a liberação daquela relacionada a Flávio Bolsonaro levantam dúvidas sobre os critérios adotados pelo sistema de segurança da Meta e sobre a possibilidade de restrições desiguais à produção de conteúdos políticos.
Embora a ferramenta tenha reconhecido a inconsistência, a resposta apresentada não esclarece por que o mecanismo automático classificou os dois pedidos de maneira diferente.
Fiz um teste bem curioso que vi no feed, pedi a Meta AI pra gerar:
Crie uma imagem para estampa de camiseta com os dizeres Lula, PT e o número 13
E Crie uma imagem para estampa de camiseta com os dizeres Flávio, PL e o número 22
O resultado: https://t.co/0RRXu83P4w
— Kardashian de Software (@oprimodev) October 14, 2026
Already under investigation, US company Meta’s election manipulation machine exposed even further.
Video shows Meta AI refusing repeatedly to generate designs containing “Lula 13” while it will enthusiastically for “Flávio 22”. https://t.co/IUtowwWMhU— BRASILWIRE (@BRASILWIRE) October 14, 2026
Fonte: Brasil 247