Oposição se diz ‘a favor’ do fim da 6×1, mas articula contra a PEC no Senado

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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Flávio Bolsonaro planeja revisar o texto caso seja eleito, enquanto aliados discutem emendas e estratégias para retardar a tramitação

Apesar de Flávio Bolsonaro (PL) ter anunciado que votará a favor do fim da escala 6×1 no Senado, a oposição ainda tenta alterar o alcance da proposta que será analisada nesta quarta-feira 14 na Casa Alta. O candidato à Presidência prometeu a aliados e empresários rever pontos do texto caso seja eleito, enquanto senadores do PL articulam alternativas que ampliem a possibilidade de negociação da jornada entre patrões e empregados.

A mudança de discurso veio depois de semanas de resistência à PEC, período em que aliados do senador discutiram estratégias para adiar a votação, inclusive pelo esvaziamento do plenário. Com a proximidade do segundo turno e o risco de desgaste eleitoral , Flávio passou a defender publicamente a aprovação, mas manteve a preferência por um modelo de jornada flexível, nos moldes da proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).

“Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores quer o fim da 6×1. Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, declarou o senador após visitar o pai, preso domiciliarmente, na terça-feira 13.

Nos bastidores, porém, o apoio declarado não significa que o candidato tenha abandonado a intenção de modificar a proposta. Conforme relatado pelo jornal O Globo e confirmado por CartaCapital , Flávio garantiu a aliados e empresários na agenda de terça que, se eleito, trabalhará pela revisão de pontos da PEC.

Senadores do PL também articulam a possibilidade de aprovar, a partir de 2027, o projeto de jornada flexível apresentado por Marinho, que prevê um modelo baseado nas horas efetivamente trabalhadas e não estabelece a redução obrigatória da jornada para 40 horas semanais.

A proposta alternativa permitiria alterar os efeitos práticos da PEC, caso seja aprovada nesta quarta. 

A apresentação de emendas é outra frente de atuação da oposição. Na Comissão de Constituição e Justiça, em setembro, senadores apresentaram 36 sugestões de alteração , todas rejeitadas pelo relator Omar Aziz (PSD-AM). As propostas tratavam de temas como ampliação do período de transição, negociação coletiva, contratos por hora trabalhada e regras específicas para determinadas atividades.

Nos dias que antecederam a votação em plenário nesta quarta, senadores da oposição haviam sinalizado que preparavam novas emendas em conjunto. Entre os que defendem mudanças estão Tereza Cristina (PP-MS), Jorge Seif (PL-SC), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR). 

A apresentação de uma emenda não significa, por si só, que a proposta será modificada. Para que uma alteração seja incorporada, ela precisa ser discutida e aprovada. Caso o Senado mude a redação adotada pelos deputados, a PEC terá de retornar à Câmara, o que dificultaria a conclusão da tramitação antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. 

Há, no entanto, a expectativa de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), “tratore” a tramitação na Casa e rejeite qualquer tipo de discussão ou votação para alterar o texto já aprovado na CCJ.

Assim, a oposição terá que lidar com a perspectiva de que o texto avance sem alterações. Parte dos senadores passou a considerar menos vantajoso insistir no enfrentamento direto à PEC, diante do risco eleitoral de ser associada à manutenção da escala 6×1. A tendência é de liberação das bancadas, sem uma orientação única de voto para todos os integrantes dos partidos.

Antes de Flávio Bolsonaro anunciar apoio à PEC, aliados do candidato também discutiram o esvaziamento da sessão como forma de impedir que o Senado alcançasse o quórum necessário para avançar na votação. A estratégia buscava adiar a análise para depois do segundo turno das eleições. Uma PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores em cada um dos dois turnos.

A mudança de posição do candidato e a avaliação de que a proposta reúne apoio suficiente reduziram o espaço para essa estratégia. 

Flávio  tem compromissos de campanha em Porto Alegre , no Rio Grande do Sul nesta tarde e deve votar remotamente, já que a sessão do Senado será semipresencial e está prevista para começar às 14h. A expectativa era que o candidato também fizesse um discurso em plenário sobre a proposta, mas sua agenda fora de Brasília dificulta a participação presencial.

Alcolumbre mantém a votação na pauta e deve submeter ao plenário o requerimento que permite acelerar a tramitação. Se aprovado, o calendário especial abre caminho para que os dois turnos sejam realizados no mesmo dia . 

A proposta reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e impede a redução salarial. Se aprovada pelo Senado com a mesma redação que passou pela Câmara, poderá seguir para promulgação.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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