Lula deixa pauta dos aplicativos morrer; Flávio dá partida na moto
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TRABALHO POR APLICATIVO
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14/10/2026 | Atualizado às 8:18
O governo Lula tinha nas mãos uma oportunidade magnífica de modernizar as relações de trabalho no Brasil.
Com efeito, a regulamentação dos aplicativos poderia conciliar a liberdade de motoristas e entregadores com garantias previdenciárias, remuneração digna e proteção social.
Era uma pauta com potencial para aproximar, enfim, o governo de milhões de trabalhadores. Mas a proposta encontrou resistências inexplicáveis, esbarrou em interesses retrógrados e, com o empurrão final do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ficou estacionada na garagem.
De fato, em abril, diante das divergências em torno do projeto que tramitava na Câmara, o Planalto preferiu tirar o pé do acelerador. A votação foi retirada de pauta, e o governo passou a considerar deixar a discussão para as calendas. Houve medidas pontuais, mas o marco regulatório ficou pelo caminho.
Agora, em plena campanha presidencial, Lula assiste a Flávio Bolsonaro desfilar de moto pelas ruas paulistas, repetindo uma das marcas políticas do pai. E ontem, 13 de outubro, o candidato foi além: visitou o Espaço Motoboy, ponto de apoio mantido pela Prefeitura de São Paulo na região da avenida Paulista.
Reuniu-se com representantes da categoria, conversou com entregadores e até distribuiu pizzas. Enquanto o governo não conseguiu entregar a regulamentação, Flávio apareceu entregando pizza.
A ironia é que o governo passou anos discutindo como melhorar as condições de trabalho de quem vive sobre duas rodas. A oposição, sem precisar resolver a questão, encontrou nessas mesmas rodas um instrumento de mobilização eleitoral.
Lula afogou a regulamentação dos aplicativos. Flávio tratou de desengasgar a moto. Um ficou no debate; o outro surgiu no retrovisor.
Na política, como no trânsito, perder o momento da arrancada pode custar caro.
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Fonte: Congresso em Foco