Douglas Ruas promete pacificar a Alerj e enfrentar déficit de R$ 14 bilhões no Rio
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), prometeu pacificar a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), manter o diálogo com parlamentares de diferentes partidos e enfrentar o desequilíbrio das contas públicas estaduais, que apresentam previsão de déficit de quase R$ 14 bilhões para 2027. Segundo informações do Agenda do Poder, Ruas voltou a presidir o plenário da Alerj nesta terça-feira (13), três dias após a confirmação de sua eleição pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Em seu pronunciamento, Ruas afirmou que pretende governar para toda a população fluminense, independentemente das escolhas feitas pelos eleitores no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
“Independente da opção que cada um fez nas urnas no dia 4 de outubro, eu recebi o voto de confiança de mais de 4 milhões de cidadãos, mas serei o governador dos mais de 16 milhões de cidadãos”, declarou.
Governador eleito promete diálogo com adversários
Ruas afirmou que deseja deixar como legado uma Assembleia pacificada, na qual as divergências políticas sejam discutidas sem ataques pessoais.
O governador eleito recordou as controvérsias que marcaram sua eleição para a presidência da Alerj, quando parte dos parlamentares questionou o processo e se recusou a participar da votação.
“Muitos deputados não participaram da eleição, muitos inclusive estavam na galeria e me chamaram de golpista naquela ocasião e nem por isso eu deixei de atender nenhum deles”, afirmou.
Segundo Ruas, mesmo os deputados que contestaram sua escolha tiveram seus mandatos respeitados e continuaram a apresentar projetos à apreciação da Casa.
“Todas as vezes que me procuraram foram recebidos, não foram perseguidos nos seus mandatos, seus projetos foram trazidos a pautas, seu mandato foi respeitado. Então, na qualidade de governador, farei da mesma maneira”, acrescentou.
O parlamentar defendeu que o debate político se concentre nas propostas e não em confrontos pessoais.
“Se eu puder deixar um legado na presidência da Assembleia, é de uma Assembleia pacificadora. Que as divergências se atenham às ideias e sem ataques entre um e o outro”, declarou.
Ruas afirma ter sofrido ataques durante campanha
O governador eleito também comentou a campanha eleitoral e afirmou ter sido alvo de ataques pessoais por parte de adversários.
Segundo ele, a Justiça Eleitoral precisou determinar a retirada de peças publicitárias que continham informações falsas a seu respeito.
“Na campanha política, a todo tempo eu fui atacado por dois adversários. Ataques baixos, em que a Justiça Eleitoral precisou intervir por mais de 20 vezes, em apenas 40 dias de propaganda eleitoral na TV, para retirar propagandas contendo mentiras ao meu respeito”, afirmou.
Ruas sustentou que optou por uma campanha propositiva, sem responder às críticas com ataques pessoais. As acusações e os números mencionados sobre decisões judiciais correspondem às declarações do próprio governador eleito.
Alerj deve votar projetos tributários na próxima semana
Entre as prioridades para os últimos meses do ano, Ruas anunciou que pretende levar ao plenário, já na próxima semana, projetos encaminhados pelo Executivo sobre o devedor contumaz e a transação tributária.
As propostas tratam, respectivamente, de medidas relacionadas ao descumprimento reiterado de obrigações tributárias e de mecanismos de negociação de débitos entre contribuintes e o Estado.
Segundo o presidente da Alerj, os textos estão sendo analisados após receberem emendas dos deputados.
“Óbvio que não dá para nós acatarmos todas as emendas. Nós estamos fazendo um esforço máximo para aprimorar aquela mensagem que chegou até essa Casa, sempre pensando naquilo que vai ser melhor para as finanças do Estado do Rio de Janeiro”, explicou.
Ruas também antecipou que a Assembleia terá uma agenda intensa de votações até dezembro.
Déficit de quase R$ 14 bilhões preocupa futuro governador
O principal desafio econômico apontado por Ruas é a situação fiscal do Rio de Janeiro.
A proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027, encaminhada pelo Executivo à Assembleia, apresenta previsão de déficit próximo de R$ 14 bilhões, o que exigirá uma revisão das estimativas de receitas e despesas.
“Nós temos um déficit já estimado de mais de 13 bilhões de reais e essa Casa tem que cumprir o seu papel de se debruçar e trabalhar”, afirmou.
Ruas anunciou que solicitará à Comissão de Orçamento uma análise detalhada da evolução das contas públicas estaduais nos últimos cinco anos.
“Vou pedir muito à Comissão do Orçamento que a gente possa olhar com muita precisão, buscar a memória dos últimos cinco anos, voltarmos ao último ano em que nós tivemos um orçamento equilibrado, quando as despesas cabiam dentro da receita”, declarou.
O governador eleito também defendeu que sejam consideradas as conclusões da Comissão Especial de Contenção de Gastos, com o objetivo de adequar o orçamento à capacidade financeira do Estado.
A discussão terá impacto direto sobre sua futura administração, uma vez que Ruas assumirá o Palácio Guanabara em janeiro, quando terá início a execução do orçamento de 2027.
Transição para o governo ocorrerá em janeiro
Ruas confirmou que permanecerá na presidência da Alerj até 5 de janeiro, quando deverá renunciar ao mandato parlamentar para assumir o governo do Rio de Janeiro.
“No dia 5 vou precisar renunciar o mandato que terminaria para assumir o cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro e vai caber aos senhores escolher uma nova presidência para conduzir o trabalho da Assembleia Legislativa”, afirmou.
A escolha de um novo presidente caberá aos deputados estaduais, que também terão a responsabilidade de concluir a análise das propostas tributárias e do orçamento do próximo ano.
Com a promessa de diálogo político e a perspectiva de um déficit bilionário, Ruas inicia a preparação de seu governo diante do desafio de conciliar as demandas da população fluminense com as restrições fiscais do Estado.
Fonte: Brasil 247