Guilherme Mello desmonta promessa de Flávio Bolsonaro: “Corte de R$ 200 bi destruirá programas sociais e aposentadorias”
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O economista e atual secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello, desmontou a retórica da oposição bolsonarista em análise veiculada em suas redes sociais. Ao mirar as recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que prometeu um corte drástico de R$ 200 bilhões no Orçamento da União sob a justificativa de que não atingiria direitos sociais —, Mello exibiu os dados fiscais reais para provar que a conta é uma farsa deliberada.
Para o secretário do Planejamento, o artifício retórico usado pela extrema-direita repete padrões conhecidos de discursos evasivos e promessas descumpridas da família Bolsonaro: “Ele tá fazendo a mesma coisa agora ao falar que vai cortar R$ 200 bilhões do orçamento sem cortar nenhum direito social. Isso é mentira”, afirmou Mello.
A conta que não fecha: simulação dos programas discricionários
Para evidenciar a inviabilidade da proposta sem atingir os setores mais vulneráveis, Guilherme Mello partiu de um cenário hipotético: supor que o corte começasse exatamente pelas políticas públicas cuja suspensão não depende de emendas à Constituição.
Ao listar as principais bandeiras sociais e de investimento do governo federal, o economista expôs o impacto devastador que a tesourada orçamentária provocaria:
- Pé-de-Meia: Custa R$ 10,5 bilhões ao ano e garante a permanência de mais de 4 milhões de estudantes no ensino médio;
- Farmácia Popular: Orçamento de R$ 8 bilhões anuais, responsável por levar medicamentos gratuitos ou subsidiados a 27 milhões de brasileiros;
- Gás do Povo: Consome R$ 7,6 bilhões por ano para assegurar o botijão de gás a 15 milhões de famílias vulneráveis;
- Minha Casa, Minha Vida: Custa R$ 5,5 bilhões ao ano no orçamento direto da União;
- Mais Médicos: Demanda R$ 4,7 bilhões anuais e garante atendimento em saúde para cerca de 67 milhões de famílias em áreas periféricas e no interior;
- PAC (Programa de Aceleração do Crescimento): Com R$ 56 bilhões anuais, mobiliza obras de infraestrutura, saneamento, logística e energia por todo o território nacional;
- Bolsas CAPES e CNPq: Orçamento de R$ 4,1 bilhões por ano, essencial para a manutenção de 300 mil pesquisadores e o fomento à ciência brasileira.
Mesmo com a extinção completa de todos esses investimentos cruciais, o montante total subtraído alcançaria R$ 96,4 bilhões — valor que não atinge sequer metade da cifra alardeada por Flávio Bolsonaro.
O alvo real: Previdência, salário mínimo e BPC
Com um rombo remanescente de mais de R$ 103 bilhões para cumprir a meta do projeto neoliberal, Mello alertou que o corte restante recairá inevitavelmente sobre os pilares constitucionais de proteção social do país.
“Todo o resto, os outros mais de R$ 100 bilhões que ele terá que cortar, certamente será em cima de redução real do salário mínimo, corte da aposentadoria, redução do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e outros benefícios sociais que afetam diretamente o cotidiano da população trabalhadora.”
O secretário-executivo do Planejamento enfatizou que a omissão dessas consequências na fala do senador não é descuido, mas estratégia: a tentativa de maquiar a demolição do arcabouço de seguridade social construído pela Constituição de 1988.
Destruição do Estado para favorecer os mais ricos
Ao concluir a análise, Guilherme Mello enquadrou o plano anunciado pela oposição como a reedição do modelo ultra-liberal que asfixiou os serviços públicos durante o governo Jair Bolsonaro.
Segundo Mello, o enxugamento orçamentário não visa a eficiência administrativa, mas serve para abrir folga fiscal voltada à concessão de privilégios e renúncias tributárias para os estratos de maior renda:
“O projeto que ele está anunciando sem coragem de dizer os reais impactos é um projeto de absoluta destruição do Estado brasileiro e de todas as políticas públicas que atendem os mais pobres. E para quê? Para poder cortar imposto dos mais ricos, que é o que ele sempre defendeu. É fundamental esclarecer a sociedade para mostrar as consequências reais de uma proposta como essa.”
Fonte: Brasil 247