O que falha nos alertas, que já funcionaram, sobre as mentiras da extrema direita

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Por Moisés Mendes — Brasil 247

A esquerda sem dúvidas acredita que o povo, este ente coletivo cada vez mais desconfiado, arisco e conservador, sabe que está sendo enganado por Flávio Bolsonaro. Falta apenas transformar essa certeza em virada de voto. Parece fácil, mas por que não é?

Não é fácil porque antigas certezas e novas lacrações não bastam para orientar decisões políticas. Se fosse assim, a resposta à pergunta a seguir tornaria tudo muito claro para todos, na contramão do que acontece no Brasil hoje.

Esta é a pergunta que circula há dias por toda parte: quem Flávio Bolsonaro está enganando, o povo ou o mercado financeiro, ao prometer ao primeiro que não cortará gastos sociais e ao segundo que promoverá cortes de mais de R$ 200 bilhões?

Quem se preocupa com essa dúvida? O povo enfrenta esse engano como algo que de fato o inquieta? O povo poderia se informar com o mercado. E o mercado das fintechs da Faria Lima, que trabalha para o PCC, diria o seguinte: o que o pai dele fez ajuda a oferecer a resposta.

O pai de Flávio fez o que esse mercado queria, durante quatro anos e em meio a uma pandemia. Cortou gastos sociais e favoreceu o mercado e os ricos. Seu filho seria diferente? O filho negacionista, que lidera a sabotagem ao fim da escala 6×1 e que já fez reuniões com banqueiros para anunciar arrocho fiscal, esse filho pode ser outra coisa?

O filho é uma ameaça ao aumento real do salário mínimo, à correção das aposentadorias e à preservação de verbas da farmácia popular, do SUS, da educação, do Minha Casa Minha Vida, do Pé-de-Meia e do auxílio-gás.

O povo e a classe média remediada sabem o que os espera com um novo governo de extrema direita? Em outros anos, essa dúvida seria melhor enfrentada com alguma racionalidade, inclusive a econômica, e com a agregação de valores que dão sustentação a posturas ainda definidas como éticas e morais.

O povo talvez não queira se aprofundar nessa inquietação, mas o mercado, este sim, este não tem dúvidas. O povo que corre em direção a Flávio Bolsonaro prefere sustentar o autoengano da ‘mudança’, com a combinação de certo milagre disruptivo. Como aconteceu na Argentina afundada por Milei na quebradeira de empresas, no desemprego e na miséria.

O mercado se diverte com essa confusão: por que Flávio poderia, como sugere que pode, representar demandas e interesses da Faria Lima e dos pobres e da classe média baixa? Por causa do voto de revolta, como eles pregam? Porque, também dizem, Flávio representaria o novo. Mas em relação a quê? O brasileiro, numa simplificação, decidiu acionar o botão do salve-se quem puder?

E voltamos então à pergunta inicial: o que irá alterar o humor do eleitor, em favor de Lula, se nada mais abala o candidato da extrema direita, desde a divulgação de provas que ele mesmo produziu contra si das relações com Daniel Vorcaro e com mafiosos que agiam no INSS?

O que significa a informação, repetida até mesmo pela grande imprensa, de que ele mente para a maioria da população para manter o apoio do mercado financeiro e do empresariado? Nem vamos aprofundar outro dilema em torno dos ‘compromissos’ do bolsonarista com a democracia, as diferenças e as liberdades. 

Fiquemos com a verdade e a mentira em relação a questões concretas do interesse da maioria, considerando principalmente as ameaças às conquistas sociais. Nem vamos falar do aviso de que ele vai mexer na Constituição e destruir as universidades federais.

Se o povo não consegue orientar suas decisões a partir dos alertas de que Flávio Bolsonaro é um risco para o povo, o que mais poderia ser feito? Como transformar dúvidas, onde elas ainda existem, em certezas de que o filho ungido é uma ameaça?

Por que a conta que ele compartilhava no exterior com Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro das fraudes do INSS, é noticiada, bem escondidinha nos jornalões, quase como se fosse uma poupança que eles teriam no Banco do Brasil? Por que o fim da escala 6X1 não mobiliza quem nunca teve um domingo de descanso?

Por que chegamos ao ponto de produzir advertências inúteis de que é impossível que o sujeito defenda como prioritários, e sempre ao mesmo tempo, os interesses da Faria Lima, da Fiesp, dos garimpeiros e também dos moradores da Rocinha, no Rio, da Brasilândia, em São Paulo, e da Restinga, em Porto Alegre?

Fonte: Brasil 247

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