Empreendedorismo por necessidade cai 11 pontos percentuais entre MEIs no Brasil
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O percentual de microempreendedores individuais (MEIs) que abriram seus negócios por necessidade caiu de 56%, em 2024, para 45%, em 2026, uma redução de 11 pontos percentuais em dois anos. O resultado indica uma mudança no perfil do empreendedorismo brasileiro, com maior participação de pessoas que decidem investir em uma atividade própria por identificar oportunidades de mercado, e não apenas pela necessidade imediata de obter renda.
Os números fazem parte da pesquisa Perfil do MEI e da MPE, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com mais de 14 mil entrevistados em todas as regiões do país. Segundo levantamento divulgado pela Agência Sebrae de Notícias, a diminuição do empreendedorismo por necessidade também foi registrada entre microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), embora em proporções inferiores às observadas entre os MEIs.
Entre as microempresas, a parcela de empreendedores que iniciaram suas atividades por necessidade passou de 26% para 24% no período analisado. Nas empresas de pequeno porte, o índice recuou de 26% para 23%. Os resultados mostram que a mudança ocorre nas três categorias de pequenos negócios pesquisadas, mas é particularmente expressiva entre os microempreendedores individuais.
Sebrae destaca mudança no perfil dos empreendedores
O presidente do Sebrae, Décio Lima, avalia que a redução da abertura de empresas motivada pela falta de alternativas de renda representa um sinal positivo para a economia brasileira. Na avaliação dele, o crescimento relativo do empreendedorismo por oportunidade está associado à busca por realização profissional, autonomia e melhores condições de vida.
“É um indicativo econômico muito importante quando há redução do empreendedorismo por necessidade. Isso significa que mais pessoas estão abrindo uma empresa não pela dificuldade em gerar renda, mas para transformar talentos em negócio, realizar sonhos e melhorar a qualidade de vida. Isso comprova o espírito empreendedor brasileiro e mostra o quanto é importante que sejam criadas políticas públicas que incentivem o empreendedorismo”, afirma Décio Lima.
A diferença entre os dois perfis está principalmente na motivação para iniciar uma atividade empresarial. Enquanto o empreendedorismo por necessidade está relacionado à busca de sustento diante da ausência de alternativas consideradas suficientes, o empreendedorismo por oportunidade envolve a decisão de explorar possibilidades comerciais, desenvolver produtos ou serviços e construir uma fonte de renda a partir de um projeto próprio.
A pesquisa aponta uma redução da participação dos empreendedores motivados pela necessidade, especialmente entre os MEIs. Isso não significa, entretanto, que a dependência financeira do próprio negócio tenha deixado de ser uma característica importante desse segmento.
Sete em cada dez MEIs dependem exclusivamente do próprio negócio
Apesar da mudança nas motivações para empreender, a atividade empresarial continua sendo a única fonte de renda para a maioria dos microempreendedores individuais brasileiros. Segundo o Sebrae, 71% dos MEIs entrevistados afirmaram não possuir outra fonte de recursos além daquela obtida com seus negócios.
O percentual representa uma redução de cinco pontos percentuais em relação a 2024, quando 76% dos microempreendedores individuais dependiam exclusivamente da renda gerada pela atividade empresarial. A mudança indica que uma parcela maior desses trabalhadores passou a contar com fontes complementares de recursos.
Nas demais categorias de pequenos negócios, a dependência da renda empresarial também é predominante. Entre os proprietários de microempresas, 68% afirmaram não possuir outra fonte de renda. Nas empresas de pequeno porte, essa proporção é de 67%.
Os dados revelam que, embora a abertura de negócios por oportunidade esteja ganhando espaço, a manutenção das empresas permanece diretamente relacionada ao sustento financeiro da maior parte dos empreendedores entrevistados.
Emprego formal ganha espaço como renda complementar
Outro resultado da pesquisa é o crescimento da participação do emprego com carteira assinada entre as fontes complementares de renda dos microempreendedores individuais.
De acordo com o levantamento, 12% dos MEIs citaram o emprego formal como uma fonte adicional de recursos, cinco pontos percentuais acima do índice registrado em 2024, quando essa proporção era de 7%.
O avanço mostra que parte dos microempreendedores individuais concilia a administração de um negócio próprio com uma ocupação formal. Essa combinação pode contribuir para diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência exclusiva dos rendimentos empresariais.
A evolução dos indicadores também evidencia diferenças entre a motivação para abrir uma empresa e a situação financeira de quem já atua no mercado. Mesmo com a diminuição do empreendedorismo por necessidade, a maioria dos pequenos empresários continua tendo na atividade empreendedora sua principal ou única fonte de sustento.
Para o Sebrae, os resultados reforçam a importância de políticas públicas voltadas ao incentivo à atividade empreendedora. O levantamento registra uma mudança relevante no perfil dos pequenos negócios brasileiros entre 2024 e 2026, marcada pela redução da abertura de empresas por necessidade e pelo aumento da presença de fontes complementares de renda, especialmente entre os MEIs.
Fonte: Brasil 247