Alerta na campanha levou Flávio Bolsonaro a recuar sobre fim da escala 6×1
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) passou a demonstrar preocupação com a possibilidade de uma virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. O sinal de alerta surgiu após grandes manifestações de apoiadores do petista em São Paulo e no Rio de Janeiro, que deram novo impulso à sua candidatura, enquanto o debate eleitoral passou a se concentrar em propostas consideradas favoráveis ao governo.
Segundo o jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, nesta terça-feira (13), a preocupação ajuda a explicar a mudança de posição de Flávio sobre o fim da escala 6×1 e ocorre em meio a decisões do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, contra um canal de mobilização de apoiadores de Lula no WhatsApp. O movimentos revelam que a campanha bolsonarista não considera a disputa resolvida e procura diminuir riscos de desgaste eleitoral.
O alerta contrasta com o clima de vitória antecipada que tomou conta de parte dos aliados de Flávio depois que o senador terminou o primeiro turno na liderança. Embora pesquisas internas do PL continuem indicando vantagem para o candidato, a capacidade de mobilização demonstrada pelos apoiadores de Lula e a possibilidade de o presidente conquistar eleitores indecisos passaram a pesar nas avaliações sobre a reta final da eleição.
Fim da escala 6×1 representa risco eleitoral para Flávio
Um dos principais motivos de preocupação na campanha bolsonarista é o potencial impacto da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está prevista para quarta-feira (14), no Senado, e é considerada pela campanha petista uma oportunidade de ampliar o apoio ao presidente.
A expectativa entre aliados de Lula é que a aprovação da medida permita ao candidato ultrapassar os limites de sua base eleitoral, conquistar indecisos e até atrair votos de eleitores que apoiaram Flávio no primeiro turno.
Nesse cenário, manter uma posição contrária à proposta poderia representar um desgaste para o senador. Na terça-feira, Flávio anunciou que votará favoravelmente à PEC, em uma mudança de postura interpretada pela coluna como uma tentativa de evitar prejuízos eleitorais.
O anúncio ocorreu durante entrevista à imprensa, após o candidato visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O encontro aconteceu depois de três meses em que Flávio esteve impedido de visitar o pai.
Manifestações mostram capacidade de reação de Lula
Outro fator que contribuiu para o alerta na campanha do PL foi a realização de grandes manifestações favoráveis a Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro, os dois maiores colégios eleitorais do Brasil.
Os atos demonstraram que o presidente mantém uma base mobilizada e capaz de organizar manifestações expressivas em momentos decisivos da disputa. Para a campanha petista, essa demonstração de força representa um impulso importante após o primeiro turno.
Apesar disso, dirigentes do próprio PT reconhecem reservadamente que as manifestações ainda não conseguiram atingir de maneira significativa eleitores fora do campo político já identificado com Lula.
A aposta do governo é combinar essa capacidade de mobilização com propostas de apelo popular, especialmente o fim da escala 6×1, para alcançar segmentos do eleitorado que ainda não decidiram o voto.
Pesquisas internas mostram disputa mais apertada para o PT
A diferença entre os levantamentos internos das duas campanhas também ajuda a explicar as expectativas em torno do segundo turno.
Aliados de Flávio afirmam que as pesquisas de acompanhamento diário, conhecidas como trackings, continuam apontando vantagem para o senador. Em alguns levantamentos, a distância em relação a Lula chegaria a oito pontos percentuais.
Os números acompanhados pela campanha petista, entretanto, indicam uma disputa mais equilibrada. Um dos levantamentos obtidos pelo Metrópoles mostra Flávio apenas dois pontos percentuais à frente do presidente, diferença que configuraria empate dentro da margem de erro.
Para aliados de Lula, esse resultado indica que uma virada eleitoral permanece possível, especialmente caso o presidente consiga ampliar seu apoio entre os indecisos.
A reportagem não apresenta os detalhes metodológicos dos levantamentos internos, o que limita a comparação entre os resultados.
Decisão de Nunes Marques também chama atenção
A decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que suspendeu novamente o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), também ascendeu o alerta na campanha do PL.
O ministro, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro, derrubou uma decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabelecendo a suspensão do canal.
A medida ocorreu no mesmo dia em que Flávio anunciou apoio à PEC do fim da escala 6×1. A coluna interpreta os episódios como sinais de uma disputa em que o campo bolsonarista busca reduzir riscos, sem apresentar evidências de coordenação entre a campanha e o magistrado.
Debate sobre propostas pode abrir caminho para virada
Além da mobilização nas ruas e da pauta trabalhista, aliados de Lula identificam uma mudança no ambiente político em relação ao primeiro turno.
Segundo ministros do governo, a etapa inicial da eleição foi dominada pela crise envolvendo o STF, enquanto o segundo turno tem apresentado maior espaço para o debate de propostas.
A avaliação é de que essa mudança pode favorecer Lula, especialmente diante da possibilidade de destacar medidas com impacto direto na vida dos trabalhadores.
Outro elemento considerado relevante é a maior liberdade do eleitor no segundo turno. Sem a necessidade de conciliar o voto presidencial com escolhas para outros cargos, parte do eleitorado pode reavaliar suas preferências a partir dos projetos apresentados pelos candidatos.
É a combinação desses fatores — mobilização de Lula nos maiores colégios eleitorais, possibilidade de ganhos eleitorais com o fim da escala 6×1, pesquisas internas petistas indicando uma disputa apertada e mudança no foco do debate — que sustenta o sinal de alerta descrito na campanha de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247