A manifestação popular está carregada de processo pedagógico, diz Maria Eugenia Tita
Por Augusto Diniz — Carta Capital
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Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Dançarina e pesquisadora, ela ressalta a importância de explorar o potencial dos diferentes ritmos brasileiros
Nascida em berço cultural — filha do mestre Antonio Nóbrega e de Rosane Almeida —, Maria Eugenia Tita traz a arte popular impressa em sua trajetória desde a infância. “Desde pequena meus pais me arrastavam para esse universo. Então, frequentava ensaios de frevo, de caboclinho, de maracatu rural”, relatou a dançarina e pesquisadora, que subiu aos palcos pela primeira vez aos 9 anos.
“No meu trabalho de dança, carrego linguagens e referências”, afirmou, em entrevista a CartaCapital. Em suas oficinas de danças brasileiras no Instituto Brincante, fundado pelos pais em São Paulo há 34 anos, Tita vai muito além da mera reprodução de passos e ritmos. “Tentamos abranger todo o potencial dessas tradições — desde coisas mais diretas, como a coordenação, a saúde corporal e a aptidão mental, até fazer uma brincadeira.”
Para ela, essa imersão constitui um poderoso processo pedagógico: “É uma bandeira para olhar para o Brasil e para a nossa história, e para entender o quanto ainda temos a aprender”. A artista também destaca a urgência de valorizar as manifestações populares: “Elas têm muito para nos ensinar e para nos dar como referencial de como viver melhor”.
Em 2000, Tita deu vida ao personagem Cabeção, inspirado nos tradicionais bonecos gigantes de Olinda, que ela própria veste e interpreta nos palcos. “Em todo espetáculo que faço, eu o coloco. É a magia do boneco, essa coisa espontânea. É uma maneira de mostrar o que acontece nas manifestações populares, de as pessoas cantarem e dançarem juntas.”
Reconhecida por sua contribuição artística e acadêmica, Maria Eugenia Tita acumula prêmios de prestígio, incluindo o troféu de Melhor Pesquisa em Dança concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, a APCA.
Assista à entrevista de Maria Eugenia Tita a CartaCapital :
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Fonte: Carta Capital