Formalização ajudou 75% dos MEIs a aumentar as vendas, aponta Sebrae
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A formalização como microempreendedor individual (MEI) contribuiu para o aumento das vendas de 75% dos empresários que aderiram a esse modelo de negócio no Brasil. O percentual é o mais elevado desde o início da série histórica do levantamento Perfil do MEI e da MPE, realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
De acordo com informações divulgadas pela Agência Sebrae de Notícias, a pesquisa ouviu 14 mil pequenos negócios em todo o território nacional e identificou uma evolução na percepção dos empreendedores sobre os benefícios da formalização. Em 2019, 71% dos entrevistados afirmavam ter ampliado as vendas depois de obter o registro. O índice caiu para 69% em 2022, subiu para 74% em 2024 e chegou aos atuais 75%.
Os resultados indicam que a obtenção do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) tem favorecido a atividade comercial dos pequenos empreendedores, principalmente pela possibilidade de emitir notas fiscais, negociar com outras empresas e acessar oportunidades de mercado que exigem regularização.
O Ceará apresentou o maior percentual de microempreendedores que associam a formalização ao crescimento das vendas, com 81%. Na sequência aparecem Mato Grosso e Piauí, ambos com 80%, e o Distrito Federal, com 79%.
Emissão de notas fiscais lidera motivos para formalização
Entre os fatores que levam trabalhadores autônomos a registrar seus negócios como MEI, a possibilidade de emitir notas fiscais aparece em primeiro lugar, mencionada por 32% dos entrevistados. O acesso aos benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ocupa a segunda posição, com 27%.
Outros 17% apontaram a necessidade de evitar problemas com a fiscalização como principal motivação para regularizar suas atividades econômicas.
O presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou que a formalização também permite ampliar as possibilidades de geração de renda, especialmente por meio do acesso a financiamentos, contratos empresariais e compras governamentais.
“Quem formaliza pode aumentar a sua renda em até 25%. A formalização permite acesso a crédito, participação em licitações e vendas para mais empresas, por exemplo. E não podemos esquecer das compras públicas em que há uma série de oportunidades”, afirmou Décio Lima.
A avaliação encontra respaldo em outro levantamento da instituição, denominado Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua, divulgado em agosto. Segundo esse estudo, o rendimento de empreendedores com CNPJ pode chegar a quase três vezes o registrado entre trabalhadores que exercem atividades econômicas na informalidade.
Aumento de renda também beneficia micro e pequenas empresas
Os efeitos positivos da regularização não se restringem aos microempreendedores individuais. Entre os proprietários de microempresas e empresas de pequeno porte (MPE), 75% afirmaram que a abertura formal do negócio contribuiu para elevar seus rendimentos.
Os maiores índices foram registrados no Amazonas e no Piauí, onde 82% dos empresários relataram crescimento de renda após a formalização. Mato Grosso do Sul aparece em seguida, com 81%.
Nesse segmento, a principal razão para abrir uma empresa foi o desejo de atuar formalmente, apontado por 29,5% dos entrevistados. A possibilidade de emitir notas fiscais motivou 14%, enquanto 11,7% citaram a intenção de se tornar donos do próprio negócio.
Os dados mostram que a regularização empresarial atende tanto a necessidades operacionais, como a emissão de documentos fiscais, quanto ao interesse dos trabalhadores em desenvolver atividades econômicas próprias.
Maioria dos MEIs não trocaria negócio por emprego formal
A pesquisa também investigou a trajetória profissional dos empreendedores e sua disposição para retornar ao mercado de trabalho como empregados.
Antes de se registrar como MEI, 57% dos entrevistados trabalhavam com carteira assinada. Outros 11% exerciam atividades empreendedoras informalmente, enquanto 9% eram empregados sem registro formal.
Apesar da experiência anterior no mercado de trabalho, mais de 68% dos microempreendedores individuais afirmaram que não encerrariam seus negócios para aceitar uma proposta de emprego na mesma área de atuação, mesmo que a remuneração oferecida fosse equivalente ao faturamento obtido como empreendedor.
A preferência por continuar à frente do próprio negócio é particularmente expressiva entre aqueles que decidiram empreender por identificar uma oportunidade de mercado. Nesse grupo, apenas 18% aceitariam voltar à condição de empregados.
A situação é diferente entre os trabalhadores que abriram empresas por necessidade. Nesse segmento, 43% admitiram que encerrariam suas atividades empresariais para retornar a um emprego com remuneração equivalente.
A diferença sugere que a motivação inicial para empreender influencia a disposição dos trabalhadores para permanecer no mercado como empresários.
Oito em cada dez empresários de MPE preferem manter seus negócios
Entre os proprietários de microempresas e empresas de pequeno porte, a preferência pela continuidade da atividade empresarial é ainda maior.
Segundo o Sebrae, 80% desses empresários não aceitariam fechar suas empresas para assumir um emprego com remuneração equivalente ao faturamento atual do negócio.
O levantamento também identificou que metade dos entrevistados desse segmento trabalhava com carteira assinada antes de abrir a empresa. Outros 10% atuavam como empreendedores informais e 9% eram registrados como microempreendedores individuais.
Os resultados evidenciam que a formalização está associada não apenas à percepção de crescimento das vendas e dos rendimentos, mas também à decisão de permanecer no empreendedorismo.
Embora os dados expressem a avaliação dos próprios entrevistados, e não uma medição direta do impacto financeiro da formalização, a pesquisa registra uma percepção majoritariamente positiva sobre os efeitos da regularização dos pequenos negócios no Brasil.
Fonte: Brasil 247