“Samba não se cala”: sambistas, escolas e blocos ocupam a Lapa em ato por Lula

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

Sambistas, baterias de escolas de samba e blocos de carnaval ocuparam os Arcos da Lapa, no Centro do Rio, na tarde desta segunda-feira (12), em ato pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Batizada de “O samba não se cala, a luta é na rua”, a manifestação reuniu nomes como Mestre Ciça, Teresa Cristina e Neguinho da Beija-Flor, além de artistas, movimentos sociais e lideranças políticas.

Nosso carnavalesco Leandro Vieira discursando no ato dos sambistas em apoio ao Lula 💚👑 pic.twitter.com/pA5yKtdLZh

— Jurídico Imperatriz 👸🏿 (@juridicogresil) October 12, 2026

Entre um samba e outro, a multidão entoava palavras de ordem como “Puta que pariu, Bolsonaro é a vergonha do Brasil”. O ato teve muita música, performances de pernas de pau, roupas coloridas e brilho, num clima de festa que tomou a Lapa até o início da noite.

A convocação partiu de sambistas, representantes do carnaval de rua e movimentos ligados à cultura popular carioca que decidiram entrar na campanha de Lula no segundo turno. A concentração foi marcada para as 15h. Por volta das 16h, vários grupos já circulavam pela Lapa. Às 17h, a área sob os Arcos estava tomada.

ESCOLAS, BLOCOS E RODAS DE SAMBA

A programação juntou integrantes de escolas de samba, blocos de carnaval e rodas de samba tradicionais do Rio. As baterias da Mangueira, da União de Maricá e do Império Serrano tocaram nos Arcos. Os blocos Cordão do Boitatá, Simpatia é Quase Amor e Carmelitas também participaram da mobilização.

O carnavalesco Leandro Vieira foi o mestre de cerimônias e conduziu o ato no microfone. Além de Mestre Ciça, Teresa Cristina e Neguinho da Beija-Flor, o cantor Arlindinho esteve nos Arcos.

FÉ E LIBERDADE RELIGIOSA NO PALANQUE

Lideranças religiosas também discursaram. O pastor Henrique e um babalorixá fizeram falas em apoio a Lula e em defesa da liberdade religiosa.

Entre as lideranças políticas estiveram Marcelo Freixo, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) e o deputado federal Chico Alencar (PSOL).

Os organizadores definiram o encontro como uma manifestação em defesa da democracia, da liberdade de expressão e da participação popular nas eleições. A proposta foi usar a música e o carnaval como forma de atuação política na reta final da campanha.

ASSISTA AO EVENTO:

O intérprete Zé Paulo, da União de Maricá, defendeu o posicionamento dos sambistas diante do cenário político. “É importante a gente se posicionar. Sambista que ama o samba, ama a cultura, precisa entender algumas coisas”, afirmou. Ele também relacionou a tradição do samba às raízes africanas e à defesa dos direitos das populações mais vulneráveis.

O coreógrafo Patrick Carvalho ressaltou a importância dos projetos sociais na formação de artistas e na criação de oportunidades. Ao recordar o início de sua trajetória em um projeto social na comunidade do Cantagalo, destacou a necessidade de preservar os espaços que permitem o desenvolvimento da cultura e o surgimento de novos talentos.

Já Renato Esteves, carnavalesco do Império Serrano, enfatizou a dimensão educativa das escolas de samba. “As escolas de samba têm um papel importantíssimo, porque trazem a realidade dos fatos, contam as histórias como elas realmente aconteceram”, declarou, defendendo a capacidade das agremiações de conscientizar o público e estimular a reflexão sobre a realidade brasileira.

Wilsinho Alves, diretor de Carnaval do Salgueiro, também defendeu a união em torno das questões coletivas. “Eu tenho uma filha e ensino a ela que a gente tem que olhar para o coletivo, não somente para a gente”, afirmou, associando a mobilização à defesa dos direitos, das liberdades e das conquistas sociais.

A rainha de bateria do Império Serrano, Quitéria Chagas, por sua vez, ressaltou a necessidade de diálogo e participação política para além do período eleitoral. A artista incentivou os sambistas a conversarem com familiares e pessoas que pensam de maneira diferente, destacando que a defesa da democracia exige envolvimento contínuo da sociedade.

COPACABANA LOTOU HORAS ANTES

O ato da Lapa aconteceu poucas horas depois de milhares de apoiadores de Lula ocuparem a orla de Copacabana, na Zona Sul. A concentração começou por volta das 13h na altura do Posto 5, entre as ruas Barão de Ipanema e Xavier da Silveira. Meia hora depois, os manifestantes já tomavam cerca de sete quarteirões da Avenida Atlântica, e as estações de metrô Cantagalo, Siqueira Campos e Botafogo tinham grande movimento.

Copacabana Princesinha do Mar… pic.twitter.com/KZ5eykifJD

— ContiComigo (@ContiComigo10) October 12, 2026

ATOS PELO PAÍS

As manifestações desta segunda fazem parte de uma série de mobilizações iniciada após o primeiro turno, em 4 de outubro. Na quarta-feira (7), estudantes já tinham ocupado o Centro do Rio no ato “Juventude na Rua pela Democracia”, com concentração na Candelária e caminhada até a Cinelândia.

No estado, houve atividades em Niterói, organizadas por estudantes e movimentos sociais, em outras regiões da capital e em municípios da Baixada Fluminense. A agenda inclui caminhadas, eventos culturais, encontros em universidades e concentrações em espaços públicos. Fora do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Vitória, Recife e Campinas também registraram atos de apoiadores do presidente.

No domingo (11), Lula participou de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, com aliados e integrantes da campanha. No discurso, pediu que seus eleitores conversassem com quem não votou nele no primeiro turno.

O segundo turno será em 25 de outubro, daqui a menos de duas semanas. Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência.

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Fonte: Hora do Povo

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