Incêndios no Amazonas levam governos federal e de SP a mobilizar força-tarefa
Por Emanuela Godoy — TVT News
O avanço dos incêndios florestais no Amazonas levou os governos federal e de São Paulo a ampliar as ações de combate ao fogo. O estado registrou 1.380 focos de incêndio entre 1º e 10 de outubro de 2026, alta de 271% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 372 registros. Leia em TVT News.
A resposta inclui o envio de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), a mobilização de brigadistas federais, o reconhecimento da situação de emergência em 36 municípios e o deslocamento de uma equipe paulista com 30 profissionais para apoiar as operações.
A crise também afeta a qualidade do ar. Em Manaus, a fumaça voltou a encobrir a capital amazonense pelo terceiro dia consecutivo no sábado (10).
Em um dos pontos de monitoramento, a concentração de partículas chegou a 209,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado como péssimo pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Governo federal envia aeronaves para combater o fogo
A força-tarefa federal prevê o envio de dois aviões KC-390 da FAB para reforçar as operações no Amazonas. As aeronaves tinham chegada a Manaus prevista para domingo (11), com início das atividades na segunda-feira (12). A mobilização também conta com quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros.
Segundo as informações divulgadas pelo governo federal, 290 brigadistas já atuam no estado. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, chegou ao Amazonas no sábado para acompanhar as medidas de enfrentamento aos incêndios.
“Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado”, afirmou o ministro.
No mesmo dia, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu, em caráter sumário, a situação de emergência decretada pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade, em 36 municípios. O reconhecimento é uma etapa necessária para viabilizar a liberação de recursos federais destinados ao enfrentamento da crise.
Desde 2024, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas por meio do projeto ProAmazon, voltado ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar para o combate aos incêndios florestais. Desse total, R$ 34,7 milhões já foram liberados, enquanto cerca de R$ 10 milhões permanecem disponíveis para utilização.
Os recursos são destinados à aquisição de viaturas, equipamentos de segurança e estruturação de bases operacionais. Nos últimos três anos, o Amazonas também recebeu R$ 372 milhões para ações de socorro, assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais após desastres.
São Paulo envia 30 profissionais ao Amazonas
O governo paulista mobilizou 25 bombeiros militares e cinco integrantes da Defesa Civil estadual para apoiar as equipes que atuam no combate aos incêndios. O embarque estava previsto para as 13h deste domingo (11), no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
A equipe levará drones, equipamentos especializados e 11 mil litros de retardante para auxiliar nas operações. O trabalho será realizado em conjunto com os profissionais locais, com foco no combate direto às chamas, na contenção da propagação do fogo e na proteção de áreas ameaçadas.
Segundo o Corpo de Bombeiros de São Paulo, a mobilização busca ampliar a capacidade de resposta diante do avanço das queimadas e reforçar a cooperação entre os estados.
A participação paulista integra o conjunto de medidas adotadas para enfrentar a situação no Amazonas, que demanda recursos humanos, equipamentos e apoio aéreo para atender às diferentes áreas atingidas.
Focos de incêndio aumentam 271% em outubro
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontam 1.380 focos de incêndio no Amazonas nos dez primeiros dias de outubro. No mesmo período de 2025, foram registrados 372 focos.
Do total contabilizado neste ano, 1.186 ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em áreas cuja situação fundiária não estava definida.
O levantamento também identificou 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Essas categorias indicam a localização dos registros e não devem ser somadas aos números referentes à situação fundiária, pois correspondem a classificações distintas.
O painel classificou ainda 174 focos como relacionados ao desmatamento. Para os demais registros, os dados consultados não apontavam uma causa identificada.
Fumaça compromete a qualidade do ar em Manaus
O avanço das queimadas tem consequências para além das áreas diretamente atingidas pelas chamas. Em Manaus, a fumaça voltou a cobrir a cidade pelo terceiro dia consecutivo no sábado (10), enquanto sensores registraram concentrações elevadas de partículas no ar.
Na manhã de sábado (10), o equipamento instalado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente, na Zona Centro-Sul da capital, marcou 209,1 µg/m³. No centro da cidade, o índice chegou a 164,1 µg/m³, enquanto o sensor do Morro da Liberdade registrou 157,2 µg/m³. Os três pontos apresentavam qualidade do ar classificada como péssima.
O índice de 209,1 µg/m³ supera em 736,4% o limite de 25 µg/m³ utilizado pelo Selva para classificar a qualidade do ar como boa.
O governador Roberto Cidade afirmou que a fumaça não tem origem apenas nos incêndios registrados dentro do Amazonas. Segundo ele, queimadas em outros estados também contribuem para o problema.
A declaração foi feita após uma reunião emergencial na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), com representantes dos governos federal e estadual. O encontro teve como objetivo coordenar as medidas de enfrentamento às queimadas e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.
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Fonte: TVT News