Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia

0

Por Seu Dinheiro — Seu Dinheiro

Fachada-do-Bradesco-BBDC4.-Foto-Divulgacao-1.jpg

A Bradseg quer aproveitar um mercado brasileiro ainda pouco protegido para ampliar seus negócios em seguros. Mas há uma linha que a holding do Bradesco não pretende cruzar nessa expansão: reduzir preços a ponto de comprometer a rentabilidade.

“Quando as taxas de juros estão mais elevadas, algumas seguradoras se permitem buscar mais o ganho financeiro sobre o float [recursos das reservas de seguros mantidos aplicados] do que o resultado operacional. Nós entendemos que isso, no médio e longo prazo, não é saudável”, afirmou o presidente da Bradseg, Ney Dias, em entrevista ao Broadcast, do Grupo Estado.

A cautela ajuda a explicar o desempenho modesto da divisão de automóveis Auto/RE, cujo faturamento somou R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre, alta de apenas 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. A carteira de automóveis da companhia movimenta entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano.

“Procuramos manter uma rentabilidade mínima para evitar uma carteira deficitária quando as taxas de juros caíssem”, disse Dias.

O executivo assumiu o comando da Bradseg em maio, após a separação dos negócios de saúde do Bradesco, reunidos na nova companhia aberta Bradsaúde (SAUD3).

Com a reestruturação, a holding passou a concentrar seguros de automóveis, vida e previdência, capitalização, entre outros segmentos. Neste primeiro ano de operação, a empresa ainda avalia a estrutura, a governança e as possíveis sinergias com a companhia de saúde.

Previdência e agronegócio no radar da Bradseg

Na previdência complementar, as mudanças na cobrança do IOF sobre aportes elevados em planos VGBL alteraram a dinâmica de captação.

Desde o início do ano, o imposto incide sobre contribuições que superam R$ 600 mil anuais. Para Dias, o movimento já era esperado e abre espaço para avançar em planos PGBL.

“Nós já vínhamos alertando que as pessoas não iam fazer aportes acima daquele limite anual de R$ 600 mil no VGBL. E é isso que está acontecendo”, afirmou.

No seguro rural, o desafio é outro. Os cortes na subvenção do governo à contratação de apólices reduziram a proteção no campo.

A parcela da área plantada segurada caiu de um pico de 14% em 2021 para cerca de 3% em 2025, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).

Ainda assim, a Bradseg vê espaço para crescer no segmento, especialmente após a aprovação do Marco Legal que torna obrigatórias as despesas públicas com subsídios.

A aposta não se limita à proteção das lavouras e dos equipamentos. A companhia também identifica desconhecimento sobre seguros de vida e previdência entre produtores rurais.

Para alcançar esse público — e ampliar a cobertura em outros segmentos —, a estratégia inclui expandir os canais de distribuição e aprofundar parcerias com bancos, cooperativas e varejistas.

Segundo o executivo, o modelo B2B2C (em que duas empresas colaboram para vender ao consumidor final) permite que a seguradora chegue aos clientes dessas empresas, aproveitando relações de consumo já estabelecidas.

“Existe um gap [lacuna] expressivo de cobertura de seguro no país e precisamos chegar ao consumidor onde ele está mais acostumado a lidar”, disse Dias.

*Com informações do Estadão Conteúdo.

The post Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia appeared first on Seu Dinheiro.

Fonte: Seu Dinheiro

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *