A nova geração entra em campo e pinta a Paulista de vermelho

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Por Florestan Fernandes Jr — Brasil 247

Neste domingo, São Paulo ganhou um mar. Um mar de gente que transbordou pela Avenida Paulista, de ponta a ponta, como se a cidade inteira tivesse decidido sair às ruas. Pelo menos três gerações se encontraram naquele imenso abraço coletivo. Foi emocionante ver lado a lado os jovens senhores que, há mais de quatro décadas, ajudaram a escrever a história da redemocratização do país e os jovens de todas as tribos, com seus sonhos, suas bandeiras e sua esperança. Mudaram os rostos, mudaram os tempos, mas permanece a mesma disposição de lutar por um Brasil livre e soberano. Naquele mar de gente, gerações diferentes se reconheceram e se uniram em torno de uma mesma causa: eleger Lula e defender a liberdade, a democracia e a soberania nacional.

Não se sabe ao certo quantas pessoas passaram pela Avenida Paulista. Entre os colegas jornalistas, as estimativas variaram de 300 mil a 400 mil pessoas. Houve até um site de esquerda que cravou um milhão. Mas o número pouco importa diante da dimensão política do ato. O que importa é que, desde o início do segundo turno, há sinais de que uma nova onda vermelha começou a tomar conta do país.

A reação da mídia corporativa foi reveladora. Mais uma vez, os grandes veículos de comunicação recorreram à velha fórmula: esconder o que não lhes interessa mostrar e minimizar o que não conseguem ignorar. As imagens de uma Paulista tomada por uma multidão, reunindo diferentes gerações em uma manifestação de enorme impacto político, foram relegadas a segundo plano ou simplesmente ignoradas por sites conservadores. Enquanto isso, as mesmas cenas se multiplicavam aos milhares nas redes sociais, onde a força da mobilização era impossível de esconder. A contradição escancarou o abismo entre o país real, que ocupava as ruas, e a realidade seletiva apresentada por parte da imprensa. Quando as imagens contrariam a narrativa editorial, o silêncio também vira notícia.
O grande ato na Paulista pode ser um divisor de águas desta eleição. De um lado, Flávio Bolsonaro, que parece confundir uma candidatura à Presidência com um cheque em branco para tomar posse antes da hora. Desfila de salto alto, anuncia ministros e distribui cargos como se o Palácio do Planalto fosse patrimônio da família Bolsonaro. A arrogância de quem se julga dono do poder antes mesmo de receber o voto dos brasileiros revela muito sobre o projeto que representa: a velha política do clã, a prepotência e o desprezo pela vontade popular. Do outro lado, Lula ocupa as redes sociais, mobiliza as ruas e alimenta o imaginário de milhões de brasileiros com a perspectiva de um país sem ódio, sem intolerância e sem rupturas democráticas.

A juventude que tomou a Paulista é um sinal de que os ventos podem estar mudando de direção. E, desta vez, as velas da liberdade parecem soprar para a esquerda.

Fonte: Brasil 247

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