TSE suspende decisão de Nunes Marques e libera canal “Exército do Lula” com mais de 3 milhões de seguidores
Por João Paulo Alexandre — Jornal Opção

O canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, foi autorizado a retomar suas atividades na tarde deste domingo, 11, após o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspender uma determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. A medida tem caráter provisório e ainda será submetida à análise do plenário da Corte.
A decisão anterior havia sido tomada na manhã do mesmo dia, após uma solicitação da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, Nunes Marques determinou a suspensão do canal, que reúne mais de 3 milhões de seguidores e é coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG).
O espaço digital é utilizado para distribuir vídeos, mensagens de áudio e orientações a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.
Ao justificar a suspensão, Nunes Marques apontou que a ferramenta estaria sendo utilizada para disseminar, de maneira organizada, informações que já haviam sido consideradas falsas pela Justiça Eleitoral.
Segundo o ministro, havia “utilização de estrutura de transmissão a milhões de pessoas, sob comando único, para replicar conteúdos que esta Corte já reconheceu como inverídicos”.
Com a nova determinação de Villas Bôas Cueva, o funcionamento do canal foi restabelecido, enquanto a controvérsia aguarda uma avaliação colegiada dos ministros do TSE.
Lula critica suspensão e questiona decisões do TSE
Antes da reversão da medida, o presidente Lula manifestou insatisfação com a suspensão do canal. Em conversa com jornalistas, momentos antes de participar de um evento com apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, o petista classificou a decisão como absurda e afirmou que sua equipe jurídica buscaria esclarecimentos.
“Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação do critério, porque já há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, declarou.
O presidente também defendeu a utilização do WhatsApp como instrumento de mobilização eleitoral e criticou outras determinações da Justiça Eleitoral envolvendo conteúdos de sua campanha.
“Estou desconfiado do comportamento da Corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa, e tem permitido que as ações dele continuem executando”, afirmou.
As declarações foram feitas em meio à disputa judicial envolvendo a divulgação de materiais políticos nas plataformas digitais durante o segundo turno presidencial.
Flávio Bolsonaro acusa campanha adversária de divulgar informações falsas
Do outro lado, Flávio Bolsonaro cobrou maior rapidez da Justiça Eleitoral na análise de conteúdos que considera enganosos e atribuiu à campanha de Lula a disseminação de informações falsas sobre sua candidatura.
“Espero que a Justiça Eleitoral seja mais ágil, porque os caras criaram até um canal de divulgação de mentiras em massa. É um absurdo”, afirmou o senador.
O candidato do PL também declarou que a circulação dessas mensagens prejudicaria o debate eleitoral e acusou o Partido dos Trabalhadores de utilizar informações falsas como estratégia de campanha.
“É uma coisa que causa uma revolta, a quantidade de mentiras que eles tão inventando, e é de propósito, é estratégia de campanha a mentira”, disse.
A suspensão da decisão de Nunes Marques não representa um julgamento definitivo sobre as acusações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. O caso ainda deverá ser examinado pelo plenário do TSE, responsável por definir os próximos encaminhamentos.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
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Fonte: Jornal Opção