Capacho Flávio quer acabar com terras raras, e negocia com empresa trumpista Rockbridge e multinacionais
Por Redação — Esquerda Diário

Ao menos 18 empresas internacionais têm hoje processos minerários em andamento para pesquisar ou explorar terras raras no país.
Flávio Bolsonaro é um vendilhão do país de marca maior, e já ofereceu as terras raras brasileiras a Donald Trump inúmeras vezes. Meses atrás, defendeu que o Brasil é “a solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”, durante a CPAC (Conservative Political Action Conference) nos EUA. Em documento elaborado por André Marinho, filho do suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, há um planejamento concreto de concessão de terras raras junto a outros bens naturais comuns.
Empresas estrangeiras já se posicionam para aproveitar o botim. Neste governo de Frente Ampla, são pelo menos 18 empresas internacionais que têm hoje processos minerários em andamento para pesquisar ou explorar terras raras no país, segundo mostra reportagem da Folha. A Austrália concentra hoje pelo menos 11 dos 18 grupos mapeados. Canadá e Estados Unidos têm três cada.
Uma das operações bilionárias foi feita pela australiana Meteoric Resources, anunciada no fim de setembro, em um acordo de R$ 3,5 bilhões para explorar terras raras no sul de Minas Gerais. Esta foi anunciada menos de um mês após a estadunidense USA Rare Earth concluir a aquisição da mina Serra Verde, em Goiás, a primeira que explora terras raras no país. A US Rare Earths é uma empresa ligada ao governo estadunidense, e tem capital do próprio Departamento de Guerra. Já a Serra Verde é uma das maiores exploradoras de terras raras do mundo, única empresa em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Empresários ligados à empresa Rockbridge, vinculada a J.D. Vance e que está financiando grupos bolsonaristas, tem negócios no ramo das terras raras. Como mostra Paulo Motoryn, a Rockbridge já está investindo numa cadeia produtiva do setor que chega a ativos minerais no sul da Bahia.
Os empreendimentos estão em estágios diferentes, desde empresas que ainda coletam amostras e fazem sondagens para descobrir se os depósitos justificam uma mina, até outras que operam instalações de teste e que já produzem comercialmente.
A Rare Earths Americas, uma das empresas ianques com negócios em Poços de Caldas e Andradas (MG) e em Iguaí e Nova Canaã (Bahia), conta com Reta Jo Lewis na presidência do conselho e alinhou sua estratégia de mercado aos esforços dos EUA para contrapor o domínio da China em minerais críticos. Isso inclui desdobramentos após encontros articulados por Peter Navarro, assessor comercial de Trump, e por autoridades do Conselho de Segurança Nacional sobre mecanismos de suporte a preços para empreendimentos de terras raras domésticos e de aliados ocidentais.
No plano, os bolsonaristas prometem um “alinhamento ocidental claro”, leia-se entregar recursos estratégicos aos EUA e dificultar a entrega ao governo chinês. É declarado que o Brasil é a solução para a falta de minérios do dito ocidente, e que Flávio Bolsonaro seria responsável por abrir as portas do país para que o trumpismo possa instalar suas indústrias e levar embora os minerais críticos e terras raras.
Essa é mais uma demonstração do viralatismo do bolsonarismo, que mostrou novamente no último sete de setembro que está mais que disposto a hastear a bandeira estadunidense e bater continência. Buscam entregar o Brasil ao imperialismo de mão beijada e deixar o trabalhador brasileiro sangrando em escalas ainda piores do que a 6×1, com serviços públicos cada vez mais precarizados pelas medidas de austeridade para facilitar sua privatização a seus amigos.
É necessário combater a extrema direita e seu entreguismo capacho. É preciso derrubar o PL das terras raras, que beneficia os EUA, as grandes mineradoras e a destruição ambiental, com a imediata estatização da mineradora Serra Verde e de todo o setor estratégico das terras raras, sem indenização aos grandes grupos privados. Lula tem como política a comercialização com todos, EUA, China, etc. Nada disso pode melhorar a situação de submissão primário-exportadora do país, que favorece o bolsonarismo.
É preciso que os trabalhadores, em aliança com cientistas, povos indígenas, comunidades atingidas e ambientalistas, exerçam o controle sobre a exploração e o planejamento desses bens naturais comuns. É necessário revisar todos os acordos comerciais do país, para que os recursos nacionais deixem de favorecer as grandes potências e passem a beneficiar a população pobre e trabalhadora.
Fonte: Esquerda Diário