Lula acusa Flávio Bolsonaro de planejar cortes no Bolsa Família e em outros programas sociais
Por João Paulo Alexandre — Jornal Opção

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado, 10, que o corte de gastos públicos defendido por Flávio Bolsonaro (PL) poderá atingir programas sociais como Bolsa Família, Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida. A declaração foi feita durante uma passeata no bairro do Alecrim, na Zona Leste de Natal, no Rio Grande do Norte.
A capital potiguar foi a primeira cidade fora do Distrito Federal visitada pelo petista durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais. No evento, Lula criticou a proposta de redução de despesas, chamada de “tesouraço” pelo adversário, e afirmou que os cortes também poderão atingir universidades e institutos federais.
“Ninguém que é contra o povo pobre, que quer fazer tesouraço para cortar dinheiro do Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida, do Farmácia Popular, dos institutos federais, do Pé-de-Meia, pode voltar a governar o país”, declarou.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, tem negado que pretenda reduzir os recursos destinados aos programas sociais. Segundo o candidato do PL, a proposta de corte de gastos está relacionada à realização de uma reforma administrativa, à redução da estrutura do governo e à diminuição do número de cargos comissionados.
A economia que essas medidas poderiam gerar, no entanto, é questionada por especialistas. Até o momento, as declarações apresentadas não demonstram que o candidato tenha anunciado cortes específicos nos programas citados por Lula.
Lula critica relação de Flávio Bolsonaro com os Estados Unidos
Durante a caminhada em Natal, Lula também fez críticas à relação política de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em determinado momento do evento, o petista pegou uma bandeira brasileira e a beijou. Em seguida, afirmou que, enquanto seus apoiadores valorizam o símbolo nacional, integrantes do grupo político adversário demonstram maior proximidade com os Estados Unidos.
Segundo Lula, o grupo de Flávio Bolsonaro “beija a bandeira dos Estados Unidos”.
O presidente também voltou a afirmar que uma eventual vitória do adversário poderia resultar em acordos que beneficiariam o governo norte-americano na exploração de recursos minerais brasileiros. A declaração faz parte das críticas que Lula tem direcionado à aproximação política entre Flávio e Trump.
O petista ainda acusou o governo dos Estados Unidos de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro. As afirmações foram feitas durante a campanha e representam a avaliação política do presidente.
Lula pede mobilização de eleitores para o segundo turno
Além das críticas ao adversário, Lula pediu que seus apoiadores incentivem a participação de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado no domingo, 4.
O presidente destacou a importância de ampliar a participação popular na votação marcada para 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para decidir a disputa presidencial.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentados na reportagem original, aproximadamente 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno. O número representa a maior abstenção registrada em uma eleição presidencial desde 1998.
A mobilização dos eleitores que não participaram da primeira votação passou a integrar os discursos de campanha nesta etapa da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
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Fonte: Jornal Opção