Brasil e Cuba celebram 40 anos da retomada das relações diplomáticas

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – A retomada das relações diplomáticas entre Brasil e Cuba, formalizada em junho de 1986, foi celebrada em um encontro que destacou a cooperação bilateral e a solidariedade brasileira diante do bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha. Segundo a agência Prensa Latina, a cerimônia ocorreu na residência do embaixador cubano, Victor Cairo, com a participação de autoridades, universitários, integrantes de organizações políticas, movimentos sociais de esquerda e representantes de entidades de apoio a Cuba.

Durante o evento, Cairo ressaltou que o restabelecimento dos vínculos oficiais resultou de uma articulação que envolveu diferentes setores da sociedade brasileira. Intelectuais, artistas, jornalistas, dirigentes políticos e sindicalistas contribuíram para a aproximação em um período marcado pela ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985.

Ao abordar os desafios atuais dessa relação, o embaixador criticou os efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos sobre Cuba. Também mencionou as dificuldades enfrentadas pelo país para obter recursos energéticos e alimentos.

Nesse contexto, Cairo elogiou as manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrárias às pressões financeiras sobre a ilha. Na avaliação do diplomata, a defesa de Cuba nos espaços internacionais está associada à proteção do direito internacional, dos princípios da Carta das Nações Unidas e da soberania dos povos.

A cooperação em saúde recebeu destaque no pronunciamento. O embaixador recordou a atuação dos profissionais cubanos no programa Mais Médicos e apontou a alfabetização, a segurança alimentar e a biotecnologia como outras áreas de intercâmbio entre os dois países.

Cairo também reconheceu o apoio de organizações sociais e cidadãos brasileiros que enviam medicamentos, sementes e alimentos à população cubana. Ele classificou o movimento de solidariedade com Cuba no Brasil como um dos mais fortes da região.

No campo cultural, o diplomata destacou a inauguração da Casa Brasil em Havana neste ano. O espaço foi concebido para promover encontros e intercâmbios entre jovens, artistas, criadores e intelectuais das duas nações, ampliando a dimensão cultural dos vínculos bilaterais.

Ao recuperar os antecedentes da normalização diplomática, Cairo citou o escritor e jornalista Fernando Morais, que visitou Cuba durante a ditadura brasileira e estabeleceu contatos de solidariedade com o país. Também mencionou o embaixador Carlos Amat como um dos primeiros representantes cubanos a trabalhar pela reaproximação.

Segundo o relato do diplomata, Cuba representou, na década de 1970, uma referência de resistência e emancipação para muitos jovens brasileiros perseguidos pelo regime militar. A aproximação também ocorreu por meio de intercâmbios ligados ao cinema e à televisão, de viagens de representantes políticos a Havana e de encontros com Fidel Castro, líder da Revolução Cubana.

Essas iniciativas contribuíram para a criação, em 1983, do primeiro grupo parlamentar de amizade com Cuba no Congresso brasileiro. As negociações posteriores ocorreram em diferentes capitais e culminaram no acordo de junho de 1986, que restabeleceu as relações diplomáticas.

A homenagem aos diplomatas e funcionários que trabalharam pela continuidade e pelo aprofundamento dos laços entre os dois países também integrou a celebração. Cairo recordou as visitas de Fidel Castro ao Brasil e destacou, entre as aspirações compartilhadas pelas duas nações, a justiça social, o combate à fome, a saúde como direito universal, a paz e o respeito à soberania.

Fonte: Brasil 247

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