Em Pernambuco, aliados de Lula apostam em reduzir abstenção para buscar virada
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco colocaram a redução da abstenção entre as prioridades para buscar uma virada contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. Em plenária realizada na sexta-feira (9), no Recife, lideranças defenderam a mobilização de eleitores que não votaram na primeira etapa, destacaram investimentos federais e intensificaram as críticas ao adversário. As informações são do Diario de Pernambuco.
O encontro “Bora de Virada, Pernambuco com Lula” ocorreu no bairro de Santo Amaro e reuniu os senadores Humberto Costa e Teresa Leitão, ambos do PT, além do prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), e outras lideranças. Segundo o jornal, os participantes discutiram estratégias para reverter a vantagem de Flávio na disputa presidencial.
Reeleito no domingo (4), Humberto Costa afirmou que levar às urnas quem não compareceu ao primeiro turno pode ampliar a votação de Lula, sobretudo nos estados em que o presidente tem uma base eleitoral expressiva.
“O que nós estamos trabalhando agora é no sentido de reduzir a abstenção, porque, com a redução da abstenção, com certeza, o número de votos a favor de Lula deve crescer”.
O senador também defendeu que a campanha evidencie as diferenças entre as trajetórias dos dois candidatos. Na avaliação dele, os debates podem influenciar eleitores nas semanas que antecedem a votação.
“Lula irá participar de todos os debates que vierem a acontecer, com certeza. E eu acho que Lula tem tudo para ter um grande desempenho e isso interferir no resultado e no pensamento das pessoas durante essa eleição”, declarou.
Victor Marques apresentou os investimentos da União no Recife como argumento em favor da reeleição. De acordo com o prefeito, 94% dos repasses federais à capital por meio de novos convênios, considerando os últimos oito anos, ocorreram durante as gestões de Lula.
“O retrato desses oito anos: 94% do repasse do governo federal em novos convênios foi com o presidente Lula. Então, como é que eu não posso defender isso com muita garra e com cabeça erguida?”.
O prefeito afirmou que parte importante das ações financiadas com esses recursos alcançou as periferias do Recife. Ao tratar dos desafios da campanha, defendeu que os resultados da relação entre o governo federal e os municípios sejam apresentados aos eleitores ainda não convencidos sobre o voto no segundo turno.
“O desafio será gigante, mas a vitória vai ser muito bonita”, afirmou.
Teresa Leitão concentrou suas críticas na família Bolsonaro e associou a candidatura de Flávio à atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. A senadora defendeu que esse histórico seja retomado pela campanha.
Ela também avaliou que a composição política do Congresso imporá dificuldades aos parlamentares aliados de Lula na próxima legislatura. Ao mencionar Humberto Costa, Marília Arraes e outros nomes eleitos para o Legislativo, ressaltou a importância de manter a articulação administrativa entre União, estados e municípios.
“A vida no Parlamento não vai ser fácil. Lá é uma trincheira e nós vamos dar conta de todos eles, mas a gente precisa de um governo que dê continuidade ao que Victor aqui falou, de uma relação administrativa coerente, de uma coordenação que dê valor aos estados e aos municípios”, declarou.
Na sequência, Teresa afirmou que uma eventual gestão de Flávio reproduziria posições do pai.
“Se um filho for presidente e tiver uma pandemia, vai ser a mesma coisa, porque o DNA é o mesmo. É o DNA do golpe, é o DNA do fascismo, é o DNA do entreguismo, é o DNA do desrespeito”.
A mobilização terá continuidade no domingo (11), com a “Caminhada pela Democracia”. A concentração está marcada para as 14h no Parque 13 de Maio, também em Santo Amaro, na área central do Recife.
Com o lema “Juntos contra o bolsonarismo”, o ato deve reunir estudantes, movimentos sociais, coletivos populares e trabalhadores da cultura. Segundo os organizadores, a caminhada não terá vinculação partidária formal, embora esteja inserida nas mobilizações de apoio a Lula e de oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Brasil 247