Galpão logístico foi uma das primeiras trincas percebidas na estrutura da Apex

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Publicado em 10 de Outubro de 2026 às 03:00

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A Apex Partners, até a eclosão da crise, em 5 de agosto, era daqueles casos típicos de empresas de rápido crescimento e de boa visibilidade no mercado. Claro que havia problemas, como em todo lugar, mas nada, nem de muito longe, que se aproximasse do que a plataforma de investimentos, que já teve perto de 8 mil clientes e R$ 18 bilhões sob gestão, vive de agosto para cá. Há quase um mês o Judiciário analisa o pedido de recuperação judicial solicitado pela companhia, que tem um endividamento próximo de R$ 1 bilhão. “Foi tudo muito rápido. Caiu muito rápido”, explicou, sob sigilo, um importante sócio da Apex.

E onde surgiram as primeiras trincas na estrutura que parecia ser tão sólida e bem administrada? Ninguém, por ora, sabe onde exatamente a hecatombe começou, mas há fortes sinais. Um deles está no caso Apex Log, galpão logístico construído no bairro Pitanga, na Serra, com 36 mil m² de área bruta locável e que consumiu R$ 118 milhões. São mais de 70 investidores, que colocaram o dinheiro para tirar o negócio do papel, prejudicados. A Apex é o chamado sócio ostensivo, foi responsável pela captação dos recursos e pela gestão da operação. Em julho, o aluguel pago pelo espaço, que até o mês anterior parava direto no bolso dos investidores, foi para a conta do Banco Daycoval, instituição que havia feito um empréstimo para a Apex. Acionistas da própria Apex, alguns deles investidores do galpão, acharam a situação estranha e foram apurar.

Descobriram que o aluguel do galpão havia sido dado como garantia para um dos empréstimos  feitos junto ao Daycoval  (são R$ 57,3 milhões ao todo) . Apertaram um pouco mais e descobriram outras duas situações: o galpão, construído com dinheiro dos investidores, era a garantia de outros dois empréstimos: o primeiro feito junto ao próprio Daycoval e o segundo contratado junto ao Sicoob-ES. Nos dois casos, avalistas também garantem a operação. O ponto fundamental, que está sendo questionado na Justiça e que já foi analisado pelo Ministério Público Estadual, é que o Apex Log, que não foi construído com dinheiro da Apex Partners, mas de investidores, foi dado como garantia (duas vezes) de empréstimos feitos para a Apex. No terceiro, os aluguéis oriundos do galpão (quase R$ 1 milhão por mês) entraram na roda.

A situação do complexo logístico, ao lado de investimentos como a compra de ações da CVC, levaram à instalação de auditoria interna que desaguou na crise que estourou no começo de agosto. Trata-se de um dos problemas mais complexos enfrentados pelo comitê de crise instalado dentro da Apex. As conversas com os bancos e com os mais de 70 investidores, por tudo o que foi apresentado, não têm sido fáceis. Com o acionamento do Judiciário, a situação escalou um pouco mais.

A inclusão ou não de empresas constituídas com Sociedade em Conta de Participação (SCP), que são os investidores reunidos pela plataforma de investimentos, em uma recuperação judicial como a da Apex permeiam todo o debate. No caso específico do Apex Log, a questão piora por ele ter sido dado como garantia para empréstimos bancários. “O Ministério Público do Estado do Espírito Santo entende necessário que o Banco Daycoval S.A. se abstenha de excutir a garantia, de alienar e de transferir o imóvel até que a questão seja solucionada, por composição com a SPE, com as requerentes e com os demais investidores ou por decisão que defina a validade e o alcance da garantia. O que se entende como razoável é que o imóvel, fonte dessa renda, não seja retirado da SPE enquanto se discute a garantia que recai sobre ele. A validade da própria cessão, também questionada pelos investidores, será examinada com os instrumentos e o contraditório, exigindo-se desde logo a informação dos valores recebidos e de sua imputação ao saldo devedor”, pondera o promotor Bruno Araújo Guimarães, da 16ª Promotoria de Justiça Cível de Vitória, em manifestação feita no dia 3 de outubro.

Guimarães, diante da complexidade da situação, propõe que todos sentem à mesa. “Uma solução negociada é perfeitamente concebível e, provavelmente, mais vantajosa para todos. Pode envolver a assunção ou o refinanciamento da dívida do projeto pelos próprios participantes, a delimitação da garantia à dívida efetivamente vinculada ao empreendimento, a destinação ordenada dos aluguéis ou mesmo a venda organizada do imóvel por valor de mercado, com distribuição do resultado conforme os direitos apurados. Nenhuma dessas alternativas, porém, será possível se o galpão for levado a leilão antes que as partes se sentem à mesa”.

Quem acompanha de perto a situação tende a concordar com ele…

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Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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