ADUENF indica voto em Lula: defender a universidade pública exige uma escolha
Por Marcos Pędłowski — Blog do Pedlowski
Decisão aprovada em assembleia parte da defesa dos direitos sociais, da educação pública e da soberania nacional — compromissos que, neste segundo turno, levam ao voto em Lula
A assembleia docente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (ADUENF), realizada em 8 de outubro, aprovou, por maioria, o posicionamento público da entidade em apoio a Lula no segundo turno das eleições presidenciais. Conforme o informe divulgado pela associação, a decisão está vinculada à defesa da educação pública, à oposição às privatizações e aos cortes orçamentários, ao enfrentamento da extrema direita e à proteção dos direitos sociais dos trabalhadores. Também integra esse posicionamento a defesa das reservas de terras raras e da soberania nacional. Trata-se, portanto, de uma escolha alicerçada em compromissos programáticos que dizem respeito às condições de existência da universidade pública e ao projeto de sociedade que se pretende defender.
Esse ponto é central porque uma entidade sindical não pode tratar a disputa presidencial como se as alternativas fossem indiferentes aos interesses da categoria e da classe trabalhadora. Quem assume a defesa da educação pública, do financiamento das universidades, dos serviços públicos e dos direitos sociais precisa extrair desses compromissos suas consequências políticas. Dentro desse conjunto de critérios e diante das alternativas colocadas neste segundo turno, a única indicação de voto coerente seria em Lula. Uma posição de neutralidade deixaria sem consequência eleitoral justamente os princípios que orientam a atuação da entidade, como se fosse possível defender a universidade e ignorar as ameaças políticas à sua manutenção.
Isso não significa conceder um cheque em branco a Lula, muito menos suspender as críticas às políticas de seu governo. Apoiar sua candidatura a partir de uma perspectiva programática implica preservar a autonomia sindical e continuar cobrando financiamento adequado para a educação, valorização dos servidores, proteção dos direitos trabalhistas e medidas efetivas em defesa da soberania nacional. O voto não encerra essas disputas, nem substitui a mobilização. Ao contrário, precisa estar associado à disposição de enfrentar qualquer governo quando suas decisões contrariem os interesses dos trabalhadores. A coerência está em combinar a escolha eleitoral com a independência necessária para cobrar o cumprimento dos compromissos que a justificam.
No caso da UENF, essa compreensão ganha uma dimensão concreta. O informe da assembleia registra preocupação com ameaças ao financiamento das universidades, possíveis cortes orçamentários e falta de diálogo com o Governo do Estado, além da necessidade de intensificar a mobilização pela aprovação do PCV. Estas são questões que demonstram como as escolhas políticas chegam ao cotidiano da universidade, às condições de trabalho e à capacidade de atender à sociedade. A decisão da ADUENF reconhece essa ligação e assume uma responsabilidade que não pode ser terceirizada: se o programa defendido é o da educação pública, dos direitos sociais e da soberania nacional, o voto precisa acompanhar essa defesa. Neste segundo turno, isso significa indicar o voto em Lula e manter a organização da categoria para as lutas que continuarão depois das urnas.
Nascido em Monte Alegre do Tibagi, atualmente parte do município de Telêmaco Borba (PR), Marcos Pędłowski é Bacharel e Mestre em Geografia pela UFRJ e PhD em “Environmental Design and Planning” pela Virginia Tech. Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes, RJ., com atuação no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da UENF. Pesquisador Colaborador Externo do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais da Universidade de Lisboa. Membro da Comissão de Ambiente da Associação Brasileira de Geografia Física e da Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental. Pesquisador principal do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Transferência de Materiais Continente-Oceano, Fase III (2008-2028).
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Fonte: Blog do Pedlowski
