UNE mobiliza estudantes para conquistar votos para Lula e evitar repetição do “Ele Não”

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A União Nacional dos Estudantes (UNE) está organizando uma mobilização nacional para transformar manifestações de rua em votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, disputado contra Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia prevê a formação de brigadas estudantis, distribuição de materiais de campanha e conversas diretas com eleitores, especialmente aqueles que ainda não decidiram seu voto.

Segundo reportagem do jornalista Demétrio Vecchioli, publicada nesta sexta-feira (9) no Metrópoles, a UNE pretende evitar que os protestos organizados neste segundo turno tenham o mesmo resultado eleitoral do movimento “Ele Não”, realizado em 2018 contra Jair Bolsonaro. Naquele ano, centenas de milhares de manifestantes foram às ruas, mas a mobilização não impediu a vitória do então candidato do PSL.

A presidente da UNE, Bianca Borges, avalia que as manifestações de 2018 demonstraram a capacidade de mobilização dos setores contrários ao bolsonarismo, mas também evidenciaram os limites de uma estratégia concentrada em grandes atos públicos.

“O ‘Ele Não’ foi uma mobilização muito importante, colocou centenas de milhares de pessoas nas ruas e mostrou que havia uma resistência social enorme ao bolsonarismo. Mas o resultado de 2018 também nos deixou um aprendizado: uma grande manifestação, por si só, não necessariamente consegue atravessar as fronteiras de quem já está convencido”, afirmou Bianca.

Para a dirigente, a prioridade agora é alcançar eleitores que não participam das manifestações e ampliar o diálogo político para além dos grupos que já apoiam Lula.

“A principal lição de 2018, para nós, é que mobilizar os nossos é indispensável, mas não suficiente. Para virar uma eleição é preciso transformar mobilização em capacidade de convencer quem ainda não está conosco. Não basta demonstrar força nas ruas se essa mobilização não se transformar em capacidade de diálogo com quem pensa diferente, com quem está em dúvida ou com quem sequer se sente parte do debate político”, declarou.

Estudantes organizam panfletagem e ações para conquistar votos

Desde quarta-feira (7), estudantes universitários realizaram manifestações em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Recife. Os atos ocorreram enquanto as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro se reorganizavam para a disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Diferentemente da mobilização de 2018, a UNE pretende utilizar as manifestações como ponto de partida para atividades permanentes de campanha. A proposta é organizar estudantes para atuar em bairros, periferias, feiras e locais de grande circulação de trabalhadores.

“Por isso temos insistido tanto que as universidades precisam transbordar para as cidades. Os atos são fundamentais, inclusive para demonstrar força, produzir esperança e colocar gente em movimento, mas precisam estar conectados ao trabalho cotidiano de convencimento: organizar brigadas, entrar nos bairros e periferias, ir aos terminais, às feiras, aos espaços de circulação popular e conversar voto por voto”, explicou Bianca.

Uma das primeiras iniciativas ocorreu no Rio de Janeiro. Na quarta-feira, estudantes participaram de uma manifestação em apoio a Lula que seguiu até a Central do Brasil, importante terminal de transporte da capital fluminense.

No dia seguinte, alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) retornaram ao local para distribuir 10 mil panfletos a trabalhadores que utilizavam os trens para voltar para casa.

A iniciativa exemplifica a estratégia defendida pela UNE: aproveitar a mobilização gerada pelos atos para estabelecer contato direto com a população e buscar novos apoios à candidatura petista.

UNE lança “Tsunami da Esperança” para ampliar mobilização

A campanha estudantil recebeu o nome de “Tsunami da Esperança”, em referência às mobilizações organizadas pelo movimento estudantil contra o governo de Jair Bolsonaro.

Nesta sexta-feira (9), a UNE prevê colocar no ar uma plataforma digital para facilitar a participação de universitários nas atividades eleitorais. A página deverá direcionar os interessados a grupos de WhatsApp organizados por universidade.

Por meio desses grupos, os estudantes poderão participar das chamadas “brigadas de panfletagem” e das ações de “vira voto”, destinadas a convencer eleitores a apoiar Lula no segundo turno.

A entidade, que manteve uma posição de neutralidade no primeiro turno em razão da presença de diferentes correntes políticas de esquerda entre seus integrantes, passou a apoiar o presidente na disputa contra Flávio Bolsonaro.

A decisão ocorre em um cenário no qual o movimento estudantil busca ampliar sua participação na campanha eleitoral, depois de um primeiro turno marcado também pela mobilização de jovens em torno de candidaturas com forte presença nas redes sociais.

Presidente da UNE destaca participação histórica dos estudantes

Bianca Borges também relacionou a atual mobilização à trajetória da UNE em momentos decisivos da política brasileira. A dirigente citou a participação estudantil na resistência à ditadura militar, na campanha pelas Diretas Já, nas manifestações pelo impeachment de Fernando Collor e nos protestos em defesa da educação.

“Em vários momentos históricos a mobilização da UNE foi decisiva, sempre foi assim, desde o nascimento em um movimento para o Brasil entrar na guerra contra o nazifascismo. Depois luta contra a ditadura, pela Diretas, Fora Collor, Tsunami da Educação. Em todos esses momentos críticos para o país, os estudantes deram uma resposta a altura. Agora é o movimento estudantil dos novos tempos”, afirmou.

Para a presidente da entidade, o confronto eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro representa mais um desses momentos de mobilização política.

Com a organização das brigadas e a criação de grupos universitários, a UNE pretende manter os estudantes mobilizados até a votação de 25 de outubro. O objetivo é fazer com que a participação nas manifestações se traduza em ações de convencimento capazes de alcançar eleitores fora da base tradicional de apoio ao presidente Lula.

Fonte: Brasil 247

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