PM de Sergipe é suspeito de atirar durante ato pró-Lula na UFS e acaba afastado
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Um policial militar da reserva é o principal suspeito de ter efetuado um disparo de arma de fogo que causou correria e pânico durante uma manifestação política a favor do presidente Lula (PT), realizada na entrada da Universidade Federal de Sergipe (UFS) na noite de quinta-feira (8), informa o G1. O caso foi confirmado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE).
O agente foi identificado como o sargento Manoel Messias dos Santos, da Polícia Militar de Sergipe. Após a ocorrência, o militar foi imediatamente afastado de suas funções e teve a arma de fogo recolhida pelas autoridades para ser submetida a perícia balística. O suspeito também passará por um exame residuográfico para constatação de vestígios de pólvora, enquanto a polícia busca imagens de câmeras de segurança do local para instruir as investigações.
Vídeos publicados em redes sociais registraram momentos de tensão entre os manifestantes, muitos dos quais vestiam roupas vermelhas e carregavam símbolos do PT e de apoio ao candidato do partido. As imagens mostram a multidão correndo assustada logo após o disparo. Testemunhas relataram que um homem parou um veículo em frente à universidade e atirou para o alto antes de deixar o local. Apesar do pânico causado pelo ataque, ninguém ficou ferido.
O ato público na porta da UFS havia sido convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFS) com o objetivo de discutir políticas públicas estudantis, o quadro político-eleitoral do País, a importância do voto da juventude e o fortalecimento da participação democrática no ambiente acadêmico.
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública de Sergipe assegurou que está atuando para garantir que todo o processo democrático, em especial neste período de segundo turno das eleições, transcorra de maneira pacífica, assegurando o direito de livre manifestação e a proteção de todos os cidadãos. Procurada pelo G1, a reitoria da Universidade Federal de Sergipe ainda não havia se manifestado sobre o ato de violência ocorrido em frente à instituição.
Repercussão política nacional
O disparo motivou forte reação de autoridades do governo federal nas redes sociais. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), classificou a ação como parte de um método recorrente de intimidação. “URGENTE! Bolsonarista armado dispara contra manifestação de Lula em Sergipe! Zambelli, Roberto Jefferson e agora o atirador de Sergipe… Esse é o Brasil dos Bolsonaristas”, escreveu o ministro.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, também se pronunciou categoricamente e alertou para a gravidade do cenário. “É preciso denunciar, com toda clareza, o que está acontecendo novamente. O Brasil já viveu esse roteiro — e conhece suas consequências. Trata-se de violência política: o mesmo ambiente de radicalização que contribuiu para a morte de pessoas inocentes em 2018 e 2022, alimentou o ‘bangue-bangue’ nas ruas e nas redes sociais e culminou na destruição das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 parece estar ganhando força outra vez”, afirmou o titular da AGU.
URGENTE! Bolsonarista armado dispara contra manifestação de Lula em Sergipe! Zambelli, Roberto Jeferson e agora o atirador de Sergipe… Esse é o Brasil dos Bolsonaro. https://t.co/Lmmpbba9zr
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) October 9, 2026
Fonte: Brasil 247