Quem é Navi Pillay, sul-africana que ganhou o Nobel da Paz 2026 e julgou genocídio em Ruanda
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Publicado em 09 de Outubro de 2026 às 07:35
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O Prêmio Nobel da Paz 2026 foi concedido a Navanethem “Navi” Pillay, jurista sul-africana de 85 anos, anunciou o Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10/10).
Pillay, ex-Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, foi reconhecida por seus “esforços para promover a paz e o direito internacional”, segundo o comitê responsável pelo prêmio.
“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”, afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes.
Natural de Durban, na África do Sul, Pillay foi presidente do tribunal internacional sobre o genocídio em Ruanda entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000.
Mais recentemente, ela fez parte da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021.
Quando o prêmio foi anunciado, Pillay ainda não havia sido informada pela conquista porque o comitê não conseguiu entrar em contato com ela, segundo Frydnes. “Se vir um número norueguês ligando, por favor atenda”, brincou o presidente do comitê.
Além de uma medalha de ouro, a vencedora também receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).
No início de sua carreira, Pillay foi a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal, na África do Sul, em 1967.
Filha de um motorista de ônibus de um bairro pobre de maioria indiana em Durban, ela cresceu e iniciou seu trabalho em direitos humanos durante o apartheid. Com o fim da segregação, se tornou a primeira mulher não branca a ser nomeada juíza da Suprema Corte da África do Sul.
Em seu anúncio, o presidente do do Comitê Norueguês do Nobel, Jørgen Watne Frydnes, enfatizou que existe “um fio condutor” que liga o trabalho inicial de Navi Pillay em defesa de Nelson Mandela e outros que se opuseram ao apartheid “ao seu trabalho como juíza em alguns dos principais casos jurídicos internacionais de nossa época”.
Após defender vários opositores do apartheid, Pillay foi eleita juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda pela Assembleia Geral da ONU, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano — em que, em apenas cem dias, cerca de 800 mil pessoas foram massacradas por extremistas étnicos hutus. Ela atuou na corte por oito anos, incluindo quatro anos como presidente.
Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. É a principal autoridade da ONU dedicada a acompanhar violações cometidas por governos no mundo inteiro.
Até recentemente, Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado.
Em setembro do ano passado, sob a sua liderança, a comissão publicou um relatório que concluiu que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, haviam incitado esses atos.
Israel classificou as acusações como escandalosas.
Durante o anúncio, Frydnes afirmou que Pillay trabalhou para responsabilizar os Estados e seus líderes por seus atos e ofereceu esperança às vítimas.
Ele alertou que o direito internacional está sob enorme pressão e que o que descreveu como uma “política de poder” está ganhando cada vez mais terreno. “Quando a força prevalece sobre a razão, ela mina a estabilidade”, acrescentou.
Atualmente, Pillay é juíza da Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.
Ao parabenizar Pillay pela conquista do Prêmio Nobel da Paz, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que ela “encarou a brutalidade da injustiça de frente e jamais desviou o olhar”.
“Ela é a defensora dos perseguidos, dos vulneráveis, dos sem voz e dos excluídos”, continuou Von der Leyen.
Em um post no X, ela escreveu que poucos dedicaram suas vidas à “justiça, à paz e à dignidade humana” como Navi Pillay.
“Em um mundo que precisa de justiça mais do que nunca, sua coragem e clareza moral são uma bússola preciosa”, concluiu.
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