Augusto Cury antecipou apoio a Flávio Bolsonaro após diretórios do Avante declararem apoio a Lula
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) decidiu antecipar seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026 por temer que seu nome fosse associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A preocupação surgiu após dirigentes estaduais do Avante manifestarem apoio à reeleição do petista, enquanto a campanha bolsonarista intensificava as articulações para conquistar a adesão do ex-presidenciável.
Segundo informações divulgadas pela jornalista Edilene Lopes, da CNN Brasil, nesta sexta-feira (9), Cury pretendia anunciar seu posicionamento somente depois de retornar da Europa, onde se encontra atualmente. No entanto, aliados do escritor avaliaram que o silêncio poderia alimentar especulações sobre uma eventual aproximação com Lula e provocar desgaste em sua imagem política.
A movimentação de integrantes do Avante foi determinante para acelerar a decisão. No Piauí, o presidente estadual da legenda, Gustavo Henrique, declarou apoio à candidatura de Lula. Na Bahia, o dirigente Ronaldo Carletto também reafirmou seu alinhamento com o presidente.
De acordo com interlocutores ouvidos pela CNN Brasil, o entorno de Cury receava que essas manifestações fossem interpretadas como um indicativo de que o escritor também apoiaria o petista. A preocupação foi ampliada pela circulação, durante a campanha, de informações falsas segundo as quais Cury teria apoiado Lula nas eleições de 2022.
Naquele pleito, o Avante integrou oficialmente a coligação que sustentou a candidatura presidencial de Lula. Cury, entretanto, ainda não fazia parte da legenda, à qual se filiou apenas em 2026.
Cury abandonou posição de neutralidade no segundo turno
Terceiro colocado na disputa presidencial do primeiro turno, Augusto Cury recebeu 3.448.569 votos, correspondentes a 2,89% dos votos válidos. Durante a campanha, chegou a registrar 11% das intenções de voto em levantamento eleitoral.
Até então, o escritor havia sustentado que permaneceria neutro em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em declaração durante a campanha, afirmou que não apoiaria “nem Lula nem Flávio”.
A mudança de posicionamento ocorreu após contatos diretos estabelecidos pela equipe do senador. Enquanto Flávio conseguiu conversar com o ex-adversário, Lula não chegou a estabelecer contato com Cury.
Ainda durante o primeiro turno, o presidente havia manifestado, em entrevista à Rádio Itatiaia, a intenção de procurar o escritor para discutir uma possível composição política na segunda etapa da eleição. A conversa, contudo, não aconteceu.
A adesão de Cury ampliou a lista de ex-candidatos presidenciais que decidiram apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno. Antes dele, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) já haviam anunciado apoio ao senador.
Flávio Bolsonaro assinou carta com oito compromissos
O apoio de Augusto Cury não ocorreu de maneira incondicional. Antes de formalizar sua decisão, o escritor exigiu que Flávio Bolsonaro assumisse publicamente uma série de compromissos relacionados às propostas apresentadas durante sua própria campanha presidencial.
Na manhã de quinta-feira (8), os dois participaram de uma videoconferência que durou mais de uma hora. A reunião terminou com a assinatura do documento denominado Termo de Compromisso Público com o Brasil, que reúne oito compromissos assumidos pelo candidato do PL.
Entre os pontos estabelecidos está a defesa de uma reforma constitucional destinada a extinguir a possibilidade de reeleição para a Presidência da República. O documento também contempla propostas nas áreas de educação, saúde, segurança pública, desenvolvimento econômico e combate à violência contra as mulheres.
Na educação, Flávio assumiu o compromisso de ampliar a oferta de ensino em tempo integral, fortalecer a valorização dos professores e expandir a formação técnica e profissionalizante.
Na saúde, uma das principais propostas é a implantação de uma rede pública de telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto prevê a utilização de ferramentas de inteligência artificial para diminuir o tempo de espera por consultas com médicos especialistas.
O acordo também estabelece medidas voltadas à proteção das mulheres. Entre elas estão a criação de um aplicativo com botão de pânico conectado às forças de segurança, o fortalecimento das delegacias especializadas e a implementação de iniciativas para ampliar a autonomia econômica feminina.
Na área econômica, o documento prevê a ampliação do financiamento de microempreendimentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de estímulos ao cooperativismo. Outra meta assumida pelo senador é dobrar a produção brasileira de alimentos no prazo de dez anos.
Acordo prevê independência política de Augusto Cury
A carta assinada pelos dois também aborda a chamada pacificação nacional. Flávio Bolsonaro assumiu o compromisso de respeitar brasileiros de diferentes orientações ideológicas e de conduzir uma eventual administração sem perseguições motivadas por divergências políticas.
O documento estabelece ainda que o apoio de Augusto Cury não está condicionado à distribuição de cargos públicos ou à concessão de benefícios pessoais.
Pelos termos acertados, o escritor poderá manter uma posição independente em relação a um eventual governo de Flávio Bolsonaro, inclusive com liberdade para apresentar críticas e cobrar o cumprimento das propostas acordadas.
Fonte: Brasil 247