Eduardo Bolsonaro “será o que quiser” em eventual governo Flávio, dizem aliados

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – A cúpula da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é taxativa ao afirmar que a chance do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) ocupar o cargo de ministro das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão é “zero”, informa a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo. Como argumentos para sustentar essa posição, auxiliares diretos de Flávio destacam que o ex-deputado está totalmente distante do time que assessora o candidato e permanece fora de qualquer consulta ou tomada de decisão sobre os rumos da campanha eleitoral.

Eduardo é visto como um perfil radical pelo entorno mais próximo do senador, que defende abertamente que ele não ocupe nenhuma vaga no governo. A própria equipe do candidato avalia, contudo, que a pressão vinda de Eduardo será grande, seja para assumir o posto de chanceler ou para obter o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, país onde vive atualmente.

Por outro lado, aliados de primeira hora de Eduardo Bolsonaro garantem que a cúpula da campanha de Flávio está completamente enganada e sustentam que o ex-parlamentar “será o que quiser” em um futuro governo do irmão. “Flávio é malandro, fala o que as pessoas querem ouvir”, resumiu um interlocutor do ex-deputado. Além disso, aliados de Eduardo admitem que uma ala da campanha de Flávio nutre “pavor” por ele e “tenta, sem sucesso, afastar o senador do irmão”.

Em vídeo publicado em seu canal no YouTube há poucos dias, o próprio Eduardo sinalizou a possibilidade de assumir o comando do Itamaraty. “Ah, Eduardo, você está falando que você vai ser MRE (ministro das Relações Exteriores)? Não estou falando isso. Os ministros são anunciados pelo presidente Flávio Bolsonaro”, afirmou no registro.

Logo na sequência, o ex-deputado acrescentou sua visão sobre articulação e influência internacional: “só que acho que já deu para perceber que poder é diferente de diploma na parede… Eu consigo falar com diversas autoridades, consigo me mexer. A gente consegue colocar o Flávio na cara do gol na Casa Branca para falar com o Trump, para falar com o [secretário de Estado] Marco Rubio, para decretar o CV e o PCC como grupos narcoterroristas”.

Na mesma gravação, Eduardo afirmou ainda que, se eleito, Flávio vai transferir a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e que o país passará a integrar o “Escudo das Américas”, aliança na área de segurança criada por Donald Trump com nações latino-americanas alinhadas à direita.

A conjuntura em torno do ex-parlamentar ganhou novos desdobramentos jurídicos nesta quarta-feira (7), quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento de pena de Eduardo Bolsonaro no processo em que foi condenado por coação. Na mesma decisão, o magistrado ordenou o cancelamento de todos os passaportes do ex-deputado. Eduardo tinha planos de disputar a Presidência da República, mas sempre deixou claro que só abriria mão da candidatura caso o senador Flávio Bolsonaro aceitasse disputar o pleito.

Fonte: Brasil 247

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