Mercado Livre vê ‘longo caminho’ para o e-commerce no Brasil e aposta em nova fronteira — mas há um obstáculo para o setor
Por Dani Alvarenga — Seu Dinheiro

Quem mora em São Paulo já está acostumado a receber suas “comprinhas” no mesmo dia em que elas são feitas. No mercado de galpões logísticos, a história também é de demanda aquecida, com os preços dos aluguéis subindo em ritmo acelerado. Esse cenário pode fazer muita gente pensar que o setor já está ficando saturado, mas a realidade não é bem essa.
“O e-commerce ainda tem um longo caminho no Brasil. Hoje, possui penetração de apenas 15% do mercado, enquanto países desenvolvidos contam com 25% a 30%”, afirmou Leandro Bassoi, o vice-presidente de fulfillment do Mercado Livre para a América Latina, em evento Buildings Summit 2026 realizado na quarta (8).
Segundo o executivo, até o mercado mexicano é maior que o brasileiro: são cerca de 130 milhões de metros quadrados de estoque lá, contra aproximadamente 47 milhões no Brasil.
A demanda também segue consideravelmente maior do que a oferta de novos galpões no mercado. De acordo com dados da Buildings, desde o terceiro trimestre de 2025, a absorção líquida desses imóveis vem superando com folga o volume de novo estoque.
No terceiro trimestre deste ano, foram 1,130 milhão de metros quadrados absorvidos contra 885 mil metros quadrados absorvidos.
Porém, Fernando Didziakas, sócio da Buildings, lembra que boa parte desses novos estoques estão pré-locados, o que faz com que a metragem verdadeiramente disponível no mercado seja ainda menor.
Mercado Livre de olho na entrega relâmpago
Se depender do Mercado Livre, a já aquecida disputa por galpões vai ficar ainda mais acirrada.
Bassoi revelou durante o evento que a companhia quer ir além da entrega no mesmo dia. Agora a meta da empresa é fazer as compras dos consumidores chegarem no destino em até uma hora.
“A próxima fronteira para o Meli é atender o cliente em até uma hora. Estamos começando a testar esse modelo agora em São Paulo. E aí, naturalmente, pretendemos expandir essa frente logística”, afirmou.
Para isso, a companhia vem investindo em galpões dentro da cidade e cada vez mais perto do consumidor final. Essa evolução do mercado, no entanto, vem avançando gradualmente.
No início, as empresas de e-commerce apostavam centros de armazenamento em grandes fulfillment centers no raio de até 30 km da capital paulista. Depois, o modelo evoluiu para as operações dedicadas à entrega no mesmo dia, com galpões de cinco mil a dez mil metros quadrados.
Agora, o setor começa a avançar para essa terceira fase voltada para a logística urbana dentro da cidade.
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A pedra no caminho do setor logístico
Apesar de a demanda estar aquecida, Bassoi alerta para uma pedra no caminho dos galpões logísticos: a escassez de mão de obra.
“Cajamar vive uma escassez drástica de mão de obra, assim como outras praças muito adensadas. A variável de disponibilidade de trabalhadores se tornou uma variável crítica na escolha de novos endereços”, afirmou o executivo.
Nem mesmo a tecnologia ou desenvolvimento de inteligência artificial conseguem driblar esse gargalo. Segundo Bassoi, nos centros de distribuição altamente automatizados e robóticos, a tecnologia consegue substituir no máximo 40% da mão de obra.
“A gente não consegue eliminar o fator humano, ainda precisa compor 60% da força de trabalho do setor”, disse.
Por isso, Cajamar passou a ser uma espécie de “zona vermelha” para a gigante do e-commerce, que prefere expandir as operações para cidades menos óbvias.
Segundo Bassoi, caso a empresa decida voltar a abrir novos centros na região, terá que apostar em atividades que dependam menos de trabalhadores.
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Fonte: Seu Dinheiro