Por Alex Solnik — Brasil 247

Passei agora num posto de gasolina onde sempre abasteço. Perguntei ao frentista se ele votou no dia 4 de outubro. “Não votei porque estava trabalhando, mas vou votar no segundo turno”. “Ah é? E vai votar em quem?” “Vou votar no Lula”, disse ele, sem pestanejar. “Por que você vai votar no Lula?”, perguntei. “Porque o outro”, disse ele, “vai acabar com a CLT”. Ele nem sabia o nome do “outro”. Mas tinha certeza que ele vai acabar com a CLT se for eleito. O frentista não elogiou Lula, nada disso, apenas definiu seu voto porque o outro vai prejudicá-lo. Me pareceu uma frase eficiente e simples para Lula usar na campanha.”Flávio vai acabar com a CLT”. Não precisa ser dita com efeitos especiais de filme de terror. Nem para causar medo. É só dizer como o frentista disse, acompanhado de um sorriso: “O outro vai acabar com a CLT”. Isso pode ser dito numa conversa informal como essa que eu tive com ele, entre o cliente e o frentista de um posto de gasolina. Dos 48.244.696 trabalhadores e trabalhadoras CLT, ao menos 47 milhões são eleitores. Ou seja, a frase atinge um terço do eleitorado.   

Fonte: Brasil 247

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