Corpos enrolados em plásticos: Polícia de SP se pronuncia sobre existência de serial Killer na cidade

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Por Laís Gouveia — Brasil 247

247 – A Polícia Civil de São Paulo investiga nove mortes com características de execução registradas na capital paulista em aproximadamente 30 dias, entre setembro e outubro. Apesar das semelhanças encontradas nas condições em que alguns corpos foram abandonados, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) descarta, até o momento, a hipótese de atuação de um assassino em série. As investigações consideram possíveis casos de vingança, justiçamento e conflitos envolvendo criminosos.

Segundo reportagem do g1, o secretário estadual da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou nesta quarta-feira (7) que os homicídios apresentam circunstâncias distintas e não há evidências de que tenham sido praticados pelo mesmo responsável. A possibilidade de um serial killer passou a circular nas redes sociais após a divulgação de imagens e informações sobre os cadáveres encontrados em diferentes bairros.

“Está sendo investigado mas não parece ser a mesma autoria. Cada caso é uma história. São mortes diferentes em locais diferentes”, disse o secretário.

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) conduz as apurações separadamente. Até agora, oito vítimas foram identificadas, sendo sete homens e uma mulher. A identidade da nona pessoa permanece desconhecida. Nenhum responsável pelos assassinatos havia sido preso até a divulgação das informações.

Os crimes ocorreram em quatro regiões da cidade. A Zona Leste concentra o maior número de registros, com quatro ocorrências, seguida pela Zona Sul, com três. As zonas Norte e Oeste tiveram um caso cada. Não foram identificadas ocorrências com essas características na região central.

Corpos foram encontrados esquartejados, baleados e queimados

A forma como alguns cadáveres foram localizados contribuiu para a repercussão dos casos. Parte deles estava dentro de sacos plásticos ou envolvida em lençóis, cobertores e outros tecidos, circunstância que levou usuários das redes sociais a especular sobre possíveis conexões entre os homicídios.

A polícia, entretanto, identificou diferenças nos métodos empregados nos assassinatos. Entre as vítimas, há registros de pessoas mortas a tiros, carbonizadas, decapitadas e esquartejadas.

Um dos episódios ocorreu em 5 de setembro, quando um corpo foi localizado dentro de um saco plástico, amarrado, em uma rua do Jabaquara, na Zona Sul.

Duas semanas depois, em 19 de setembro, policiais militares encontraram restos mortais de uma vítima esquartejada em um barranco no Jaçanã, na Zona Norte.

Em 27 de setembro, uma cabeça humana foi descoberta em uma praça do Jardim São Luís, também na Zona Sul. O caso passou a integrar o conjunto de ocorrências examinadas pelo DHPP.

Embora os episódios tenham provocado preocupação e especulações na internet, os investigadores não identificaram elementos que comprovem uma relação entre as vítimas ou a participação de um mesmo autor nos assassinatos.

Polícia investiga vinganças e possível participação de criminosos

Parte das pessoas encontradas mortas possuía antecedentes criminais, informação considerada pelos investigadores na análise das possíveis motivações. Uma das hipóteses é que algumas mortes tenham sido provocadas por desavenças entre criminosos.

As apurações também incluem suspeitas de vingança, justiçamento e eventual envolvimento de integrantes de organizações criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essas possibilidades, entretanto, ainda são tratadas como linhas de investigação, sem confirmação de autoria ou motivação comum.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública reforçou que as características dos crimes não sustentam, neste momento, a hipótese de uma sequência de assassinatos cometidos pela mesma pessoa.

“O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil investiga de forma individualizada os casos registrados em diferentes regiões da capital. Até o momento, as apurações não apontam elementos que indiquem ligação entre as ocorrências ou uma mesma autoria.”

A pasta informou ainda que os investigadores trabalham com suspeitos e possíveis motivações nas ocorrências em que já foi possível identificar as vítimas.

“Entre as linhas investigadas estão, em algumas ocorrências, hipóteses relacionadas a vingança ou justiçamento, além de outras circunstâncias específicas de cada crime”, informou a SSP.

Semelhanças entre os casos não comprovam autoria comum

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, o acondicionamento dos cadáveres em sacos ou tecidos pode estar associado à tentativa de transportar ou esconder os corpos, sem necessariamente indicar um padrão de atuação de um único assassino.

“Os casos apresentam dinâmicas, locais e métodos distintos. O uso de sacos plásticos ou tecido em alguns casos, isoladamente, não indica ligação entre os crimes e pode estar relacionado à movimentação ou ocultação dos corpos”, acrescentou a pasta.

A repercussão das mortes ganhou força em plataformas como Facebook, Instagram e TikTok, onde publicações passaram a associar os episódios à possível presença de um assassino em série na capital paulista. A polícia afirma, contudo, que essa interpretação não encontra respaldo nos elementos reunidos até agora.

Todos os nove homicídios são objeto de inquéritos policiais. As investigações continuam concentradas na identificação dos responsáveis, no esclarecimento das circunstâncias de cada morte e na apuração das possíveis motivações dos crimes.

Fonte: Brasil 247

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