Japoneses protestam contra presença dos EUA após assassinato cometido por militar americano
Por Hora do Povo — Hora do Povo

Manifestantes no Japão, na noite de terça-feira, 6, indignados com o assassinato de uma mulher em Okinawa, estrangulada por um fuzileiro naval norte-americano, se reuniram em frente a embaixada dos EUA em Tóquio contra “a violência dos soldados americanos” e contra a presença militar no país.
Com cartazes escritos, “Okinawa não é seu parque de diversões!” e “Chega da violência dos soldados americanos”, os manifestantes gritaram palavras de ordem como: “Não precisamos de bases americanas em Okinawa!”.
No domingo, a polícia japonesa prendeu o fuzileiro americano, Davin Ballard de 20 anos, que estava aquartelado em uma base americana em Okinawa, pela suspeita de ter roubado e matado uma mulher local, de 39 anos, na noite de sábado em um hotel no bairro de Naha, no município de Okinawa.
A província de Okinawa abriga o maior número de bases militares americanas no Japão, 32 instalações que abrangem mais de 18.800 hectares, por causa disso, a região é constantemente palco de vários tipos de crimes, muitos hediondos, cometidos por soldados americanos, além de outros transtornos que já levaram a muitos protestos como o de agora.
Os crimes vão desde acidentes de trânsito causados por soldados embriagados, atropelamentos, sequestros, estupros e agressões, provocando a reação indignada da população local.
“Com uma proporção muito maior de bases militares em Okinawa do que em qualquer outra parte do Japão, os moradores locais estão expostos ao maior risco de sofrer danos nas mãos dos soldados americanos no país”, disse uma das organizadoras do protesto, Sorane Sakihama, de 24 anos, nativa de Okinawa.
“A ideia de termos que criar nossos filhos nessas circunstâncias parece totalmente injusta”, continuou. “Isso só me enche de raiva e tristeza.”
O acordo que os japoneses fizeram com os EUA nos anos 1960, não permite que as autoridades japonesas tenham jurisdição sobre os crimes cometidos em território japonês por militares americanos em serviço e mesmo se os crimes fossem cometidos fora do horário de serviço, desde que o militar suspeito permaneça dentro da base americana, ele não será entregue às autoridades japonesas sem antes ser indiciado.
MOTIM DE KOZA
Nos anos 1970, as tenções entre o povo de Okinawa e os militares norte-americanos explodiram, depois que cerca de 5.000 japoneses entraram em confronto violento com 700 militares americanos no que ficou conhecido como o Motim de Koza, deixando 60 americanos e 27 japoneses feridos e um rastro de destruição de carros incendiados e edifícios vandalizados.
O estopim da revolta que durou cerca de 8 horas, foi um soldado americano bêbado que atropelou um homem local, perto de um distrito de prostituição em Koza (hoje chamada de cidade de Okinawa). O homem sobreviveu mas outros locais que presenciaram o ocorrido se revoltaram com o crime, um de muitos cometidos pelos ianques na região.
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Fonte: Hora do Povo