Fim das bets legalizadas já deixou mais de 3,5 mil trabalhadores desempregados, diz ANJL
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – Mais de 3,5 mil trabalhadores do setor de apostas foram dispensados desde a edição da Medida Provisória 1.394, anunciada pelo governo federal em 25 de setembro. O número corresponde a 23% da força de trabalho considerada no levantamento parcial divulgado nesta quarta-feira (7) pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).
De acordo com a entidade, os dados foram fornecidos pelas próprias empresas de apostas e ainda estavam em processo de consolidação, uma vez que o prazo para o envio das respostas à associação terminava nesta quarta-feira. A ANJL projeta que as demissões possam chegar a 5,6 mil trabalhadores em 90 dias, alcançando 37% da força de trabalho do setor considerada no levantamento.
Além dos desligamentos já contabilizados, 4.167 funcionários foram colocados em férias coletivas. A associação considera que parte desses trabalhadores também poderá ser demitida, a depender dos efeitos da medida e dos desdobramentos das ações que questionam a MP no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a ANJL, o levantamento contabiliza desligamentos e encerramentos de contratos ocorridos a partir de 25 de setembro, data do anúncio da medida provisória pelo governo.
“Precisamos de números reais para dimensionar os efeitos da medida sobre os trabalhadores e as empresas que dependem da atividade”, afirmou o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, no comunicado encaminhado às empresas.
ANJL aponta impacto sobre cadeia de empresas
A associação sustenta que os efeitos sobre o emprego ultrapassam as operadoras de apostas e alcançam diferentes segmentos ligados à atividade, incluindo meios de pagamento, marketing, compliance, agências, afiliados e veículos de comunicação especializados.
“Não é à toa que usamos o termo ‘indústria de apostas’ porque realmente é isso. O setor abrange diversas empresas, como as de meios de pagamento, marketing, compliance, agências, afiliados e veículos de comunicação especializados. Cada uma dessas famílias está vendo um dos seus membros perder o emprego por uma decisão inconstitucional e que ainda será julgada pelo Supremo Tribunal Federal”, declarou Lemos Jorge.
A afirmação de que a medida é inconstitucional é uma avaliação do presidente da ANJL. O documento divulgado pela associação também atribui os efeitos sobre os empregos a uma decisão que, segundo a própria entidade, teria sido motivada pela disputa eleitoral. O release não apresenta manifestação do governo federal em resposta a essas críticas.
Entidade pede urgência ao STF
A ANJL também relaciona a situação dos 4.167 funcionários em férias coletivas à espera pela análise de uma liminar que pede a suspensão da medida provisória. Segundo o documento, as ações estão sob relatoria do ministro Luiz Fux, no Supremo.
Para a associação, uma eventual demora na decisão aumenta o risco de que parte dos trabalhadores atualmente afastados seja posteriormente demitida.
“Trata-se, portanto, de mais um fator que reforça a urgência da apreciação do pedido de suspensão da MP”, afirmou Lemos Jorge.
Fonte: Brasil 247