Tesouro Direto: Tesouro IPCA+ 8% não existe mais, e quem comprou já lucra até 25%; veja quanto os títulos pagam agora
Por Monique Lima — Seu Dinheiro

Durante meses analistas e assessores financeiros alertaram para o nível histórico das taxas do Tesouro Direto. Títulos indexados à inflação pagando IPCA+ 8% ao ano e papéis prefixados oferecendo taxas próximas de 14% ao ano, no curto e no longo prazo.
Quem aproveitou o momento agora colhe os frutos. Já quem deixou para investir depois encontra um cenário menos generoso.
Isso porque, após o primeiro turno das eleições presidenciais — em que Flávio Bolsonaro (PL) saiu como favorito para o segundo turno —, os participantes do mercado financeiro reviram todas suas projeções para a economia.
Parte do mercado passou a apostar que um eventual governo Flávio poderia aumentar as chances de ajuste fiscal, inflação mais controlada e juros menores no futuro. Toda essa revisão de cenário foi precificada nos ativos financeiros.
O resultado foi uma diminuição significativa nos prêmios de risco dos títulos públicos. Em apenas dois dias, as taxas dos papéis mais longos do Tesouro Direto caíram mais de meio ponto percentual, em um dos movimentos mais intensos do mercado brasileiro nos últimos anos.
Para quem tinha os papéis na carteira, o resultado foi imediato: a valorização dos títulos chegou a 25% em apenas dois meses.
Os cálculos constam em relatório da XP, que afirma ter sido uma reprecificação inicial. “A manutenção, ou mesmo a continuidade, desse fechamento dos prêmios dependerá da atitude dos candidatos de apresentarem propostas concretas e executarem um plano para a condução da política fiscal nos próximos anos.”
Cadê as melhores taxas do Tesouro Direto?
As taxas elevadas que chamaram a atenção de investidores ao longo de todo o ano eram resultado de um cenário de forte preocupação do mercado com a trajetória da dívida pública e das contas do governo.
Naquele momento, investidores exigiam prêmios cada vez maiores para financiar o Tesouro Nacional por prazos longos.
Mas esse cenário mudou rapidamente após o resultado do primeiro turno.
Segundo relatório da XP, alguns vencimentos dos juros futuros que servem de referência para as taxas do Tesouro Direto registraram quedas superiores a 1 ponto percentual em apenas um dia — o maior fechamento observado pela casa desde 2018.
A taxa projetada para janeiro de 2029 caiu de 13,75% para 12,65%, enquanto o vencimento para janeiro de 2031 recuou de 13,99% para 12,70%.
Nos títulos atrelados à inflação, o ajuste das taxas também foi expressivo.
- o vencimento de 2029 saiu de um juro real de 7,46% para 6,96% ao ano;
- já o vencimento de 2035 caiu de 7,65% para 7,04%; e
- o de 2050 recuou de 7,27% para 6,76%.
Isso significa que os papéis que pouco tempo atrás remuneravam perto ou acima de IPCA+ 8% já não existem mais nas vitrines do Tesouro Direto.
Quem comprou antes ganhou dinheiro — e muito
A queda das taxas foi uma notícia ruim para quem estava esperando uma oportunidade para investir. Mas foi excelente para quem já tinha o papel na carteira.
Isso porque o preço dos títulos públicos se move na direção oposta à das taxas.
Quando o mercado passa a exigir taxas menores, o preço dos papéis sobe. Trata-se de um movimento para manter o equilíbrio da rentabilidade. No jargão financeiro, é a marcação a mercado.
Na prática, quem quiser vender os títulos pode embolsar o lucro dessa valorização.
Já quem decidir carregar os papéis até o vencimento continuará recebendo a taxa contratada no momento da compra, independentemente das oscilações do mercado.
- SAIBA MAIS AQUI: Tesouro Direto: vale a pena trocar um título comprado a uma taxa menor por um de mesmo prazo com uma taxa maior?
Os títulos prefixados e os indexados à inflação foram justamente os mais beneficiados pela reprecificação da curva de juros.
Valorização do Tesouro Direto
Os analistas da XP calcularam o impacto das novas taxas considerando compras realizadas em diferentes momentos, como agosto, setembro e outubro.
O caso mais impressionante é o do Tesouro IPCA+ 2050. Segundo os cálculos da XP, quem comprou o título em setembro, quando ele pagava IPCA+ 7,40% ao ano, acumula uma valorização de 24,9%.
Este nível de retorno normalmente está associado a bolsa de valores, mas, neste caso, foi obtido em pouco mais de um mês em um título público.
Ainda vale investir no Tesouro IPCA+ e no Tesouro Prefixado?
Apesar da queda recente, a resposta dos especialistas continua sendo sim.
A diferença é que a tese mudou um pouco.
Se há algumas semanas o principal argumento era a chance de travar os maiores juros reais e prefixados em muitos anos, agora a discussão passa a ser sobre a possibilidade de novas reduções dos prêmios de risco caso o cenário fiscal continue melhorando.
A XP afirma que passou a enxergar um ambiente mais favorável para ativos sensíveis aos juros e, por isso, aumentou sua exposição a títulos prefixados e ampliou os vencimentos das carteiras de três para quatro anos.
A casa também destaca que os títulos indexados à inflação seguem relevantes tanto como proteção de longo prazo quanto pelo potencial de ganhos adicionais caso as expectativas de juros continuem diminuindo.
O alerta é que o mercado parece precificar rapidamente um cenário mais favorável, mas ainda existem incertezas importantes pela frente.
O segundo turno está previsto para 25 de outubro. Mesmo que Flávio Bolsonaro ganhe, ele ainda precisa apresentar sua equipe econômica e dar clareza sobre a agenda de propostas mais urgentes.
Segundo os analistas, a continuidade da queda dos juros dependerá menos do resultado eleitoral em si e mais das atitudes concretas para a área fiscal, da composição das equipes econômicas e da capacidade do próximo governo de entregar uma trajetória sustentável para a dívida pública.
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Fonte: Seu Dinheiro