Escritório Burle Marx, com jardins em Brasília e no Rio, assina projeto para transformar Bosque dos Buritis em Goiânia
Por Júnior Kamenach — Jornal Opção

O Bosque dos Buritis, um dos parques mais antigos de Goiânia, deverá passar por uma reformulação com projeto paisagístico do escritório Burle Marx. A proposta prevê integrar o parque ao Museu de Arte de Goiânia (MAG), ampliar as possibilidades de lazer e incorporar soluções para reduzir os alagamentos nas ruas do entorno.
Contratado pela gestão anterior, o projeto foi acolhido pela atual administração, que solicitou alterações antes de avançar para a execução. Segundo a presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Zilma Peixoto, os ajustes procuram conciliar a revitalização do espaço com demandas ambientais e culturais.
“O que o escritório do Burle Marx faz é apresentar um projeto paisagístico. E o prefeito entende a relevância de atender o Bosque dos Buritis, por ser um dos parques mais antigos da capital”, afirmou ao Jornal Opção com exclusividade.
De acordo com Zilma, representantes do escritório estiveram em Goiânia na semana anterior à entrevista para apresentar a proposta ao prefeito Sandro Mabel e realizar uma visita técnica ao parque. Após a avaliação, a Prefeitura encaminhou um pedido de modificações.
“Fizemos uma visita in loco exatamente para ver as mudanças do projeto que seriam interessantes serem realizadas. A equipe do escritório voltou com essa demanda de fazer alguns ajustes que nós entendemos que vai ser muito importante sob o aspecto de resolver essa questão de drenagem no entorno e também de fazer uma unificação dos projetos do museu com os projetos do Bosque”, explicou.
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Bosque dos Buritis | Foto: Guilherme Alves / Jornal Opção






Integração entre parque e museu
A reformulação deverá ir além do paisagismo. A Prefeitura pretende articular as intervenções no bosque com a modernização do Museu de Arte de Goiânia, localizado dentro do parque. A intenção é aproximar os dois espaços e estimular os visitantes a aproveitar tanto as atividades culturais quanto as áreas de convivência.
“As pessoas vão visitar o museu e vão ter um parque bastante convidativo, ou você vai visitar o parque e tem um museu bastante convidativo”, afirmou Zilma.
Para a presidente da Amma, tanto o parque quanto o museu precisam de intervenções. A proposta é ampliar a utilização do conjunto pela população e incentivar a permanência dos visitantes, preservando a função ambiental do bosque.
“Você tem condições de conciliar. Além de ser um lugar de convivência, um ambiente de natureza, você está falando aqui também de cultura”, disse.
Segundo ela, essa combinação orienta a proposta discutida pela atual administração. “O prefeito pensou exatamente nisso: é mais um lugar onde eu vou poder oferecer lazer, meio ambiente e cultura”, declarou.
Drenagem para enfrentar alagamentos
Os problemas de drenagem nas proximidades do Bosque dos Buritis estão entre os principais motivos para o pedido de ajustes. Zilma citou a Alameda Assis Chateaubriand e a Rua 1 como pontos que apresentam dificuldades durante os períodos de chuva.
“Vamos continuar aproveitando todas as áreas molhadas que nós temos, mas vamos aproveitar para fazer um ajuste de drenagem ao entorno do parque, porque aquela coletividade ali sofre muito nos dias de chuva. Alaga a Alameda Assis Chateaubriand. Nós temos um problema ali na Rua 1”, relatou.
A intervenção integra, segundo a presidente da Amma, um conjunto mais amplo de obras de drenagem planejadas para Goiânia. Ela afirmou que o município tem mais de 130 pontos de alagamento identificados e busca recursos para executar as ações.
“Nós temos mais de 130 pontos de alagamentos na cidade. Então, o recurso para essa obra está dentro desse conjunto, com o CAF ou com o Fundo Clima”, explicou.
Zilma não detalhou o valor destinado especificamente à reforma do Bosque dos Buritis nem apresentou uma confirmação de financiamento para a intervenção.
Soluções ambientais
Entre as medidas que a Prefeitura pretende incorporar estão jardins de chuva e outras soluções baseadas na natureza. A intenção é associar as intervenções de infraestrutura à ampliação e à melhoria das áreas verdes.
“Quando a gente avaliou o projeto, a gente entendeu que seria interessante fazer algumas intervenções, principalmente com soluções baseadas na natureza, dentro desse conceito novo dos projetos da Prefeitura de esverdear as infraestruturas”, afirmou.
A presidente da Amma também citou corredores ecológicos entre as alternativas consideradas pela administração para diferentes pontos da cidade. No caso do bosque, os ajustes solicitados concentram-se na drenagem do entorno e na integração com o museu.
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Obras ainda sem prazo
Apesar de o projeto paisagístico já ter sido contratado, a execução depende da conclusão dos ajustes e das etapas necessárias para sua implementação. A presidente da Amma não informou uma data para o início ou a entrega das obras.
Segundo Zilma, a atual administração assumiu o compromisso de dar continuidade ao trabalho e adequá-lo às demandas identificadas durante a avaliação técnica.
“O projeto já tinha sido contratado na gestão anterior. O que faltava era realmente o compromisso de pagar e eles poderem, a gente validar o projeto que estava sendo desenvolvido”, declarou.
Após a visita ao parque, a equipe do escritório ficou responsável por trabalhar nas alterações solicitadas. A expectativa da Prefeitura, segundo Zilma, é oferecer um espaço que reúna lazer, preservação ambiental e atividades culturais.
Um bosque que acompanha a história de Goiânia
A história do Bosque dos Buritis está ligada à criação de Goiânia. Previsto no plano original da cidade, em 1933, elaborado pelo urbanista Attílio Corrêa Lima, o espaço foi concebido como uma área de lazer e preservação ambiental da nova capital. Localizado entre os setores Central e Oeste, tornou-se um dos cartões-postais mais tradicionais da cidade.
Ao longo das décadas, o bosque também consolidou sua vocação cultural. O Museu de Arte de Goiânia, inaugurado em 1970, foi transferido para o parque em 1981. O espaço abriga ainda o Centro Livre de Artes, reunindo atividades artísticas em meio aos lagos, caminhos e áreas arborizadas.
A reformulação em discussão pretende fortalecer essa relação entre natureza e cultura, aproximando os equipamentos existentes e ampliando as possibilidades de utilização do parque.
O legado de Burle Marx no paisagismo brasileiro
Roberto Burle Marx foi um dos principais nomes do paisagismo brasileiro e ganhou reconhecimento internacional ao transformar jardins em espaços de expressão artística. Seus projetos valorizaram a vegetação tropical e as espécies nativas, combinando formas, cores e texturas para aproximar natureza, arquitetura e arte. Além do paisagismo, também atuou como pintor e desenvolveu trabalhos em diferentes linguagens artísticas.
Sua trajetória deixou marcas em espaços emblemáticos, como o calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, e jardins de Brasília. O alcance de seu trabalho também ultrapassou as fronteiras brasileiras, com projetos em cidades como Kuala Lumpur, na Malásia, Berlim, na Alemanha, Jerusalém e Miami, nos Estados Unidos.
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Burle Marx em expedição em 1974.



Burle Marx morreu em 4 de junho de 1994, aos 84 anos, em decorrência de uma embolia pulmonar, em seu sítio em Barra de Guaratiba, na zona oeste do Rio. Ele estava em tratamento contra um câncer na região abdominal. Até a véspera da morte, segundo o relato de seu amigo Moacir Bastos, continuava pintando e organizando o ateliê que havia construído para guardar quadros e livros.
O sítio onde viveu também funcionava como um laboratório de criação e preservação de plantas, reunindo milhares de espécies. Doada ao governo federal em 1985, a propriedade integra atualmente a estrutura do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), preservando parte de seu legado artístico e botânico.
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Desenho do Parque do Flamengo feito por Burle Marx

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Fonte: Jornal Opção