JetSMART acelera expansão no Brasil e prepara novas rotas
Por Márcio Diniz — Catraca Livre
A JetSMART deve encerrar 2026 com crescimento de 45% na oferta de assentos por quilômetro (ASK) no Brasil, impulsionada pela abertura de rotas e pelo avanço da companhia em regiões onde, até pouco tempo atrás, tinha presença limitada.
Depois de chegar com mais força ao Nordeste, a companhia aérea de ultra baixo custo (ultra low cost) já sinaliza que novas ligações estão nos planos.
Atualmente, são 16 rotas internacionais envolvendo o Brasil, quatro delas lançadas somente neste ano. Recife, Natal, Maceió e Porto Seguro passaram a ocupar espaço importante nessa estratégia, enquanto mercados já consolidados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, também recebem novas operações.
“Poucas companhias crescem nessas taxas. Somos uma das aéreas de maior crescimento na região e estamos muito felizes de continuar apostando no mercado brasileiro”, afirmou Verónica Álvarez, gerente comercial de Mercados Internacionais e Desenvolvimento Regional da JetSMART, em entrevista à Catraca Livre durante a ABAV Expo 2026, em São Paulo.
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A expansão também aparece no número de passageiros. No primeiro semestre de 2026, a companhia transportou 3,25 milhões de passageiros no Brasil, avanço de 80% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados apresentados pela empresa.
Parte desse crescimento veio da temporada de inverno, período em que a JetSMART aumentou a oferta entre São Paulo e Santiago. Mas é a abertura de mercados que antes tinham pouca ou nenhuma ligação direta internacional que começa a definir a próxima etapa da estratégia.
Nordeste ganha espaço na malha da JetSMART
No Nordeste, a companhia opera a partir de Natal, Recife, Maceió e Porto Seguro. Entre as novas ligações está Recife–Montevidéu, rota que também cria uma alternativa para passageiros que desejam seguir até Santiago.
O voo terá uma parada de aproximadamente 50 minutos em Montevidéu antes de continuar para a capital chilena, segundo Verónica. A estratégia permite conectar o Nordeste ao Chile sem exigir uma conexão convencional mais longa.
“É uma opção muito interessante porque o tempo de espera é menor. Esperamos conectar melhor o Nordeste e também convidar o passageiro do Sul da América do Sul a viajar para o Nordeste brasileiro”, afirma.
A expansão tem, portanto, duas direções. Além de transportar brasileiros para Argentina, Uruguai e Chile, a companhia busca aproveitar sua malha sul-americana para aumentar a chegada de estrangeiros às praias nordestinas.
A estratégia é favorecida pela rede doméstica que a JetSMART mantém em países como Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Para a empresa, esses voos podem alimentar as operações internacionais destinadas ao Brasil.
Recife é um dos exemplos. Além de Buenos Aires, a capital pernambucana ganhou ligação com Montevidéu. A companhia já comercializa também viagens entre Recife e Santiago.
Companhia aposta em rotas fora das capitais
Outro pilar da expansão está em uma estratégia que Verónica chama de rotas “SMART” –ligações que dispensam a passagem pelos grandes centros de conexão e aproximam diretamente cidades com potencial de demanda.
Um dos exemplos é Florianópolis–Córdoba, que conecta Santa Catarina à segunda maior cidade argentina sem a necessidade de passar por Buenos Aires. “Para nós é muito importante a estratégia de conectar cidades que não são capitais. São rotas que economizam muito tempo para o passageiro”, diz Verónica.
A executiva cita ainda Rio de Janeiro–Mendoza como exemplo desse modelo. Na avaliação da companhia, há espaço para criar outras ligações semelhantes entre cidades brasileiras e destinos da América do Sul.
Questionada sobre qual poderia ser o próximo destino da JetSMART no Sul do Brasil, Verónica não antecipou nomes. Confirmou, porém, que a aérea trabalha para ampliar a operação na região.
“Não posso adiantar uma nova rota, mas estamos aumentando as operações no Sul também. Sem dúvida teremos novidades como essas”, afirma.
Rio de Janeiro ganha peso na estratégia
O Rio de Janeiro ocupa uma posição diferente dentro da malha brasileira. A cidade tornou-se uma das principais portas da JetSMART no país graças à quantidade de mercados internacionais conectados diretamente à capital fluminense.
A companhia liga o Rio a destinos no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de outras operações dentro de sua rede sul-americana. Segundo Verónica, essa diversidade fez da cidade um dos mercados internacionais mais relevantes da empresa no Brasil.
“Rio hoje é um ponto muito importante para nós. Conectamos a cidade com vários países e diferentes destinos. Esperamos, claro, continuar crescendo no Rio de Janeiro”, afirma.
Mendoza é uma dessas apostas. A ligação direta permite acessar a principal região vinícola argentina sem passar por Buenos Aires, reforçando justamente a estratégia de voos ponto a ponto defendida pela companhia.
A lógica também aparece em outras operações da JetSMART, como Florianópolis–Córdoba e Recife–Montevidéu. Em vez de concentrar toda a expansão nas rotas tradicionais entre grandes capitais, a aérea procura mercados com demanda que possa sustentar ligações diretas. “São rotas que estamos sempre testando, para além das mais tradicionais. Esses novos mercados fazem com que consigamos passageiros em ligações nas quais outras companhias talvez não tenham visto uma oportunidade”, diz Verónica
Frota maior abre caminho para novas rotas
O avanço no Brasil acompanha um plano de crescimento mais amplo da JetSMART na América do Sul. Atualmente, a companhia informa operar mais de 90 rotas domésticas e internacionais em nove países, com uma frota de 56 aeronaves Airbus das famílias A320 e A321.
E a frota deve continuar aumentando nos próximos anos. Na entrevista durante a ABAV, Verónica relacionou diretamente a chegada de mais aviões à possibilidade de abertura de novas ligações no continente.
“Até 2028 vamos crescer bastante. Por isso, continuem esperando novidades, porque novas rotas vão continuar surgindo”, afirma a executiva.
Para o Brasil, a estratégia indica que esse crescimento não deverá ficar restrito a São Paulo ou Rio de Janeiro. A entrada no Nordeste e ligações como Florianópolis–Córdoba mostram que a companhia procura justamente cidades capazes de sustentar voos internacionais sem depender dos grandes hubs –uma malha na qual o passageiro troca a conexão por um voo direto.
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Fonte: Catraca Livre