Paes reafirma apoio a Lula, mas busca eleitorado de Flávio Bolsonaro no Rio

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio de Janeiro, afirmou nesta quarta-feira (7) que pretende conquistar votos tanto de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL). Durante visita à Rocinha, na Zona Sul da capital, Paes reiterou seu apoio à reeleição de Lula, mas afirmou que não pode limitar sua campanha ao eleitorado petista.

As declarações foram dadas durante uma agenda de campanha e publicadas pelo site Agenda do Poder. Paes argumentou que parte dos eleitores que apoiam sua candidatura ao governo fluminense não necessariamente acompanha sua escolha na disputa presidencial.

“Quero também o voto de quem eventualmente vota no Flávio Bolsonaro. Para ganhar eleição, não posso me restringir só aos votos ao presidente Lula”, afirmou.

O candidato destacou, ao mesmo tempo, sua relação política com Lula e citou ações realizadas durante sua gestão na Prefeitura do Rio que, segundo ele, tiveram apoio do governo federal.

“Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votam em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula”, declarou.

Entre os exemplos mencionados por Paes estão a recuperação do sistema BRT, a municipalização de dois hospitais federais e medidas relacionadas à recuperação do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão.

Paes rejeita alinhamento político integral

Paes também procurou marcar diferenças em relação ao PT e afirmou que seu apoio a Lula não significa concordância integral com o presidente. Segundo ele, a política brasileira passou a cobrar dos candidatos uma vinculação absoluta a um dos principais campos políticos nacionais.

“Eu já disse, eu não sou do PT. Eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula. As pessoas têm que aprender isso. Virou uma coisa no Brasil, você tem que ser vassalo do Bolsonaro e do Lula, eu não sou”, afirmou.

O candidato do PSD lembrou ainda as quatro eleições que disputou e venceu na cidade do Rio de Janeiro e ressaltou que o peso do apoio de Lula variou ao longo dessas campanhas.

A estratégia de Paes ocorre enquanto a disputa pelo governo estadual permanece condicionada a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre os votos atribuídos ao ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos).

Paes acusa adversários de manobra contra segundo turno

Durante a passagem pela Rocinha, Paes também acusou Douglas Ruas (PL), seu adversário na disputa estadual, e Garotinho de participarem de uma articulação destinada a evitar a realização do segundo turno.

Segundo Paes, a candidatura de Garotinho teria sido estimulada pelo próprio PL para interferir no resultado eleitoral.

“A candidatura do Garotinho foi colocada pelo PL do Rio de Janeiro. Qualquer crítica era mero teatro. Eles estavam armados desde o início do processo eleitoral”, disse.

A definição sobre uma nova rodada de votação depende do julgamento da situação eleitoral de Garotinho. O ex-governador desistiu do recurso apresentado contra o indeferimento de sua candidatura, e a expectativa é que o TSE analise o caso ainda nesta semana.

Considerando os votos atribuídos a Garotinho no cálculo dos votos válidos, Douglas Ruas aparece com 49,27%, enquanto Paes registra 42,76%. Caso esses votos sejam excluídos, o candidato do PL ultrapassaria a marca de 50% dos votos válidos e poderia ser declarado vencedor no primeiro turno.

A controvérsia ganhou novo capítulo depois que o nome de um advogado ligado a Garotinho apareceu nos metadados de um parecer da Procuradoria Eleitoral favorável ao acolhimento da desistência do recurso.

O vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa e o advogado Marcello Dias de Paula negaram que o documento tenha sido elaborado pela defesa do ex-governador.

Paes sustenta que a realização do segundo turno é necessária para permitir uma comparação mais ampla entre os projetos apresentados por ele e por Ruas.

Candidato promete ampliar investimentos nas comunidades

Na Rocinha, Paes também concentrou parte de sua agenda em propostas para as comunidades do estado. Acompanhado da candidata a vice-governadora Jane Reis (MDB), de Pedro Paulo (PSD) e de outros aliados, ele caminhou pela comunidade, conversou com moradores e comerciantes e agradeceu os votos recebidos na região.

Em parte da 211ª Zona Eleitoral, Paes recebeu quase 70% dos votos.

O candidato prometeu ampliar os investimentos do governo estadual em urbanização e infraestrutura nas comunidades, com participação das prefeituras.

“Me comprometo não só com a Rocinha, mas com todas as comunidades do estado do Rio de Janeiro. Vamos trazer os recursos necessários para obras de urbanização, abertura de vias, em um grande programa que será desenvolvido em parceria com as prefeituras”, declarou.

Paes também citou como prioridade a prevenção de desastres provocados pelas chuvas. Ele defendeu a ampliação de obras de contenção de encostas, a instalação de pontos de apoio e o uso de sirenes para alertar moradores de áreas de risco, seguindo iniciativas já adotadas na capital.

Na área de segurança pública, o candidato voltou a defender a recuperação de territórios atualmente dominados pelo crime organizado.

Fonte: Brasil 247

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