Derrotar Flávio Bolsonaro! Fora Trump da América Latina! Nenhum voto na extrema direita! Construir a mobilização anti-imperialista
Por MRT – Movimento Revolucionário de Trabalhadores — Esquerda Diário

O resultado eleitoral que saiu das urnas no primeiro turno das eleições brasileiras expressa a necessidade urgente de derrotar a extrema direita, capacho de Donald Trump. Por isso temos que dizer em alto e bom som: nenhum voto em Flávio Bolsonaro! Flávio Bolsonaro e Donald Trump são parte de uma “internacional reacionária” que, na América Latina, se apoia em figuras grotescas como Javier Milei e Jose Antonio Kast para entregar ainda mais os bens naturais e riquezas para o imperialismo, e no mundo apoiam guerras e o genocídio do povo palestino.
Em sua Doutrina “Donroe”, Donald Trump vem buscando transformar a América Latina cada vez mais em seu quintal. A ingerência na Venezuela, sequestrando Maduro, e o aprofundamento dos embargos em Cuba, deixando a população sem energia elétrica nos hospitais em uma verdadeira crise humanitária, são expressão cabal dessa política. No Brasil, Trump vem buscando interferir na política, com diversas medidas que marcaram uma crescente ingerência nas eleições. Desde o tarifaço, que afeta sobretudo o povo trabalhador, à designação das facções criminosas como organizações terroristas, com ameaças e chantagens nas embaixadas e consulados, Trump deixa claro que quer a política brasileira sob seu controle, em prol da competição estratégica com a China no país e de olho no nosso petróleo e em nossas terras raras. Conta, para isso, com o Escudo das Américas. É essa política de cada vez mais entreguismo e submissão aos Estados Unidos que precisamos derrotar no Brasil, representada pela extrema direita de Flávio Bolsonaro, com quem Trump conta para ter o Brasil como um importante ponto de apoio para avançar ainda mais contra todos os povos da América Latina. Fora Trump da América Latina!
Nesse cenário, o resultado do primeiro turno expressa o fortalecimento contundente do bolsonarismo, do seu partido, o PL, e de seus aliados. No Senado, o PL soma 28 cadeiras, tendo quase dobrado sua bancada. Com o fenômeno das “anti-feministas” com milhões de votos, Damares Alves, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Carlos Bolsonaro são alguns dos nomes mais aberrantes no Senado. Na Câmara dos Deputados, trata-se da maior bancada de um só partido desde a redemocratização, com 121 deputados. Jovens bolsonaristas como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato bateram recordes de votos, viralizando conteúdos arqui reacionários, transfóbicos, racistas e pela maior repressão à juventude. Também o PL já é o partido que governa o maior número de estados, sendo toda a região Sul e estados do Norte do país – sem contar a possibilidade de que Douglas Ruas no Rio de Janeiro já esteja eleito. Além disso, Tarcísio de Freitas em São Paulo, Cleitinho de Azevedo em Minas Gerais e Otaviano Pivetta no Mato Grosso são alguns dos nomes do Republicanos, uma das principais alianças do PL, entre os 11 políticos amigos de Flávio Bolsonaro já eleitos nos governos dos estados.
Essa extrema direita se apoia no peso de setores como o agronegócio, nas cúpulas das Igrejas, nas Forças Armadas e em uma parte expressiva do empresariado mais interessado em condições cada vez mais selvagens de exploração, os principais beneficiados pela Reforma Trabalhista – como o exemplo de Luciano Hang da Havan, que disse a seus funcionários que, com o fim da escala 6×1, teriam que buscar outro emprego, em uma medida de coação. O agronegócio, que promove devastação ambiental e é inimigo dos povos originários, aprofundou sua representação no Senado nesta eleição e conseguiu reeleger 185 deputados e senadores. A bancada “do boi, da bala e da Bíblia” está fortalecida para articular ataques contra as mulheres, os negros, a população LGBTQIAPN+, os povos originários e os trabalhadores, regados a negacionismo climático, misoginia, transfobia, racismo e desmonte dos serviços públicos.
Nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores, sempre estivemos na linha de frente para combater essa extrema direita, desde sua ascensão favorecida pelo golpe institucional de 2016 e pela prisão arbitrária de Lula, articulados pelo judiciário do STF e da Operação Lava Jato e com apoio dos militares. Uma vez mais, chamamos a mobilização independente e anti-imperialista para derrotá-la e estamos desde já agitando fortemente: nenhum voto em Flávio Bolsonaro! Colocamos o Esquerda Diário, nossas redes e recursos a serviço de uma contundente campanha contra ele, desmascarando suas mentiras e os interesses capitalistas a que serve, e pelos quais representa ataques ainda muito maiores à classe trabalhadora, ao povo pobre e aos setores mais oprimidos, como já viemos fazendo. Ao mesmo tempo, não deixamos de alertar para o fato de que, para enfrentar Flávio Bolsonaro e todos os capachos de Donald Trump à altura, precisamos responder à questão de como chegamos até aqui, e tirar lições dessa experiência para que não se repita o mesmo caminho. Mesmo com Jair Bolsonaro derrotado em 2022, inelegível e preso, mesmo com mil e um laços comprovados da extrema direita com a República dos Banqueiros da crise Master, mesmo com o bolsonarismo atuando abertamente contra uma das pautas mais populares do país, que é o fim da escala 6×1, sua candidatura mostra essa força eleitoral. Não se trata de “má comunicação”, nem é “culpa do povo”. Muito menos se trata de “terceirizar” o combate à extrema direita às instituições desse regime degradado, como o STF, que provou uma vez mais, ao contrário das ilusões que semeou boa parte da esquerda, que seu autoritarismo judiciário não pode ser aliado dos trabalhadores. A explicação mais profunda, na verdade, é que a conciliação de classes da Frente Ampla, nos últimos quatro anos, manteve e fortaleceu as bases sociais do bolsonarismo no país, abrindo caminho a esse resultado e com o compromisso de esvaziar as ruas e conter nossas lutas. Diziam que as lutas provocavam a extrema direita, enquanto a Frente Ampla e o PT conciliavam com bolsonaristas de todo o tipo. O resultado foi o fortalecimento da extrema direita.
A Frente Ampla fez isso preservando cada uma das reformas anti-trabalhadores aprovadas sob Temer e Bolsonaro, que aprofundaram o contingente de trabalhadores precarizados, sem direitos, endividados, que sentem os efeitos da crise capitalista e são disputados pela ideologia da extrema direita, que se alimenta da frustração de quem continua pagando o preço da preservação dos grandes lucros. Estamos falando de ataques como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e a Lei de Terceirização Irrestrita. Também fez isso permitindo que a pauta da classe trabalhadora mais profunda que emergiu nos últimos 40 anos, colocando em xeque a jornada de trabalho, fosse sempre adiada em acordos com a direita e o Centrão, permitindo que o bolsonarismo e os patrões se articulassem contra o fim da escala 6×1. Fez isso alimentando o agronegócio com o maior financiamento via Plano Safra da história, ou dando sustentação aos governadores agora reeleitos com financiamento para suas privatizações nos estados via BNDES, como foi com Tarcísio de Freitas do Republicanos, partido que recebeu um ministério no governo Lula. Em relação a Trump, Lula apostou em discursos e diplomacia, exaltando em vários momentos seu “amor à primeira vista”, sua “química” e até “petroquímica” com Trump, eximindo-se de se contrapor consequentemente à sua política agressiva contra a Venezuela e Cuba, assim como atuou pela privatização de rios para empresas norte-americanas, está fazendo novos leilões de petróleo e não vetou a venda da mina de terras raras em Serra Verde a uma empresa estadunidense que tem o Pentágono como acionista. Essa linha, na prática, mostrou-se oposta a realmente enfrentar o imperialismo com ações. É por isso que, na medida em que enfrentamos com toda força os votos em Flávio Bolsonaro, lado a lado a cada jovem e trabalhador que quer apoiar Lula, nós não prestamos nenhum apoio político à Frente Ampla de Lula.
O caminho precisa ser o da mobilização independente e anti-imperialista, com as grandes centrais sindicais e entidades estudantis entrando em cena para derrotar o projeto da extrema direita, contra todo entreguismo a Trump e pelo fim imediato da escala 6×1. Essa luta, que está em pauta neste momento no Senado, pode alterar a correlação de forças e deixar a extrema direita na defensiva, desmascarando que o discurso de liberdade de Flávio Bolsonaro, que prega remuneração por hora, é mais escravidão. Por isso, é fundamental exigir das grandes centrais sindicais e da UNE que a nossa classe e a juventude entrem em cena no cenário nacional com os métodos que já se mostraram os mais eficazes para arrancar o fim da 6×1 já e atacar os interesses de quem sustenta Flávio Bolsonaro: paralisações, greves, atos. Para isso, precisamos transformar a desmoralização e o ceticismo em organização e luta para erguer um programa da nossa classe. Esse foi o ausente dos últimos anos que segue permitindo com que a extrema direita se fortaleça. Chamamos a cada um que, neste momento, quer impedir o avanço da extrema direita a dar um passo à frente na organização da luta necessária, em cada local de trabalho e estudo. Precisamos disso para enfrentar qualquer cenário que se defina nas próximas semanas. Precisamos de luta organizada contra o Congresso nacional, os governadores eleitos e todo o regime cada vez mais degradado que quer atacar nossas condições de vida e trabalho, de joelhos para o imperialismo.
Para isso, nos inspiramos no povo trabalhador que se levantou na América Latina nos últimos anos, como na Bolívia contra Paz, no Peru contra Dina Boluarte, assim como em uma geração que se organizou internacionalmente contra o genocídio palestino e nos trabalhadores que derrotaram o ICE e sua política fascistizante em Minneapolis contra Trump. No Brasil, nos apoiamos na forte luta dos indígenas do Baixo Tapajós que impediu a privatização dos rios, assim como em uma geração de jovens meninas e LGBTQIAPN+ que questionam as amarras de gênero e não abaixam a cabeça para os transfóbicos, racistas e anti-feministas. Estamos com cada estudante que nos últimos dias, como no Rio de Janeiro, tomou as ruas para enfrentar Flávio Bolsonaro, e com todas as categorias que fizeram greves nos últimos meses, como os bancários, trabalhadores dos Correios e técnicos federais. Neste momento, a juventude europeia na França e no Estado Espanhol que enfrenta o imperialismo ocupando escolas, com atos e exigindo greve geral junto à classe trabalhadora. Precisamos ecoar esse exemplo.
Mas é preciso também a partir das lutas construir uma alternativa política, que supere a conciliação de classes pela esquerda. O fenômeno de apoio a Myriam Bregman do PTS na Argentina, como representante de uma política socialista que enfrenta Milei sem conciliação de classes e fortalecendo as lutas, e nunca se curva a ataques e alianças com a direita, mostra que é possível. Consideramos que essas semanas estão delineando a situação política dos próximos anos, abrindo um novo ciclo político no qual precisamos atuar de forma decidida para não repetir os erros do passado. A moderação e a conciliação mostraram a que levam. A política do PT de administrar esse sistema capitalista podre está fadada ao fracasso. Precisamos de um novo caminho para enfrentar essa extrema direita e esse sistema capitalista. É por isso que também consideramos fundamental que se abra uma discussão na esquerda sobre a necessidade de construir uma nova organização, a partir de todos esses debates, que possa contribuir na tarefa histórica da classe trabalhadora brasileira de superar a estratégia de conciliação de classes do PT pela esquerda.
Chamamos cada um a não se resignar neste momento e a preparar um forte combate contra nossos inimigos com a força da classe trabalhadora, da juventude e de toda população oprimida, com os métodos de luta que fazem a extrema direita e os capitalistas tremerem: a organização e mobilização.
Fonte: Esquerda Diário