Preso em operação sobre PCC vira suplente em SP
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – O candidato Danilo Morgado (PL), preso desde setembro em uma operação que investiga suspeitas de infiltração do PCC no poder público e no transporte coletivo, recebeu 9.145 votos para deputado estadual em São Paulo e ficou como suplente. Nascido no território paulista em 1993, o Primeiro Comando da Capital é uma facção criminosa com atuação em mais de 20 estados brasileiros. O relato foi divulgado nesta terça-feira (6) pelo G1.
O político da extrema direita foi alvo da Operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura suspeitas de atuação do PCC em estruturas públicas e no sistema de transporte coletivo. Ele permaneceu preso após audiência de custódia.
A defesa do candidato passou a questionar a prisão temporária no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Marcelo Viela afirmou que apresentou uma Reclamação Constitucional para discutir a compatibilidade da medida com os critérios definidos pelo próprio STF nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade 3.360 e 4.109.
Segundo a defesa, o recurso foi julgado improcedente por decisão monocrática. O advogado informou que pretende apresentar o recurso cabível para levar o tema a um órgão colegiado do Supremo.
Operação investiga suspeitas de vínculo com o PCC
Morgado aparece entre os alvos da Operação Vectura Corrupta, que investiga outras 16 pessoas. Segundo as informações reunidas no procedimento, ele teria vínculos com integrantes do PCC.
A polícia também apura a suspeita de que a campanha de Morgado à Prefeitura de Praia Grande, em 2024, tenha recebido financiamento da organização criminosa. O caso tramita sob segredo de Justiça, segundo o TJ-SP.
Na disputa municipal de 2024, Morgado concorreu novamente ao comando da Prefeitura de Praia Grande, mas não se elegeu. Ele também havia disputado o cargo em 2020.
“Segundo a investigação, foram identificadas mensagens entre Morgado e integrantes da organização que atuavam na definição e até na interrupção de aportes financeiros destinados a campanhas eleitorais dele e de outro candidato.”
Em 2023, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do registro de candidatura de Danilo Morgado. O juiz Aléssio Martins Gonçalves entendeu que houve abuso de poder econômico na campanha de 2020 à Prefeitura de Praia Grande, quando Morgado disputou a eleição com Indaiá Amaral Dias como candidata a vice-prefeita.
Defesa nega ligação direta com irregularidades
A defesa afirma que os elementos apresentados até agora atribuem a Morgado condutas que teriam sido praticadas por terceiros. O advogado também sustenta que as menções a crime organizado e tráfico de drogas nos autos dizem respeito a outros investigados.
“Quanto ao conteúdo da investigação, os elementos apresentados ate o momento procuram atribuir a Danilo condutas supostamente praticadas por terceiros, inclusive mediante a supostas referências a fatos pretéritos dos quais ele não participou. As menções ao crime organizado e ao tráfico de drogas constantes dos autos também se relacionam a outros investigados, sem demonstração de vínculo direto com Danilo”, afirmou.
Sobre a suspeita de financiamento da campanha de 2024, a defesa diz que não identificou prova de recebimento de recursos ilícitos nem de benefício ligado à disputa eleitoral.
“Até o momento, não foi identificado elemento objetivo que demonstre o recebimento de recursos ilícitos, vantagem financeira, favorecimento indevido ou qualquer benefício relacionado a campanha eleitoral de 2024”, diz a nota.
A defesa também afirma que seguirá adotando medidas jurídicas para esclarecer os fatos. Segundo os advogados, a situação de Morgado deve respeitar o devido processo legal, o direito de defesa e a presunção de inocência.
Com 9.145 votos, Danilo Morgado não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas ficou na condição de suplente pelo PL.
Fonte: Brasil 247