O Brasil que Lula propõe: mais renda, direitos e soberania no próximo mandato
Por gutoalves — Fundação Perseu Abramo
No último domingo (4), depois da apuração do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a nova etapa da eleição seria o momento de discutir o futuro do país. “É a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, declarou, em São Paulo.
Lula enfrenta Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, marcado para 25 de outubro, e mantém Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente. O projeto da chapa, apresentado em agosto, organiza em 13 eixos a defesa de um país com menos desigualdades, serviços públicos fortalecidos e soberania para decidir seus rumos.
Mais renda e tempo para viver
O fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem corte de salário, estão entre os compromissos para o próximo mandato. A proposta associa a valorização do trabalho ao direito ao descanso e à convivência familiar. Ela se soma à manutenção dos aumentos reais do salário mínimo e ao fortalecimento da negociação coletiva.
O programa também prevê regras de remuneração, condições de trabalho e proteção previdenciária para quem trabalha por plataformas digitais.
A defesa dessas propostas aparece nas manifestações de apoio do movimento sindical. Em reunião na sede da União Geral dos Trabalhadores (UGT), em 16 de setembro, Sérgio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), afirmou que “a campanha precisa falar de futuro e dizer o que um próximo governo Lula tem a oferecer pela melhoria na qualidade de vida das famílias”.
Nesta terça-feira (6), as centrais sindicais reafirmaram o apoio a Lula. Defenderam que sua eleição fortaleceria a atuação do Executivo junto ao Congresso em favor de “pautas que beneficiem os trabalhadores como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada, sem redução salarial”. As entidades também cobraram diálogo com quem votou em outros candidatos ou deixou de votar no primeiro turno.
Crescer com salários melhores e produção nacional
Em encontro com empresários em São Paulo, no dia 25 de setembro, Lula relacionou o aumento da renda à expansão da economia. “Eu preciso que o povo ganhe mais”, afirmou. O presidente defendeu que trabalhadores com maior poder de compra também ampliam as oportunidades para as empresas.
No mesmo evento, Alckmin sustentou que o ajuste das contas públicas precisa caminhar com a atividade econômica. “O segredo é o PIB crescer”, disse. Lula também reafirmou o compromisso com as contas públicas: “estabilidade fiscal é uma obrigação nossa”. As falas apresentaram ao empresariado uma defesa do crescimento acompanhada de responsabilidade fiscal.
Para o próximo mandato, o programa prevê crédito e compras públicas para estimular a indústria, investimentos em ciência e tecnologia e ampliação do Novo PAC. O objetivo é gerar empregos qualificados e aumentar a produção brasileira em setores estratégicos.
Essa perspectiva mobiliza também os movimentos populares. Na plenária pela reeleição realizada em 22 de setembro, no Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo, João Pedro Stédile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que “só a reindustrialização vai garantir emprego de qualidade para a juventude”.
Saúde, educação e moradia como direitos
Na proteção social, a candidatura propõe fortalecer o Bolsa Família e as políticas de combate à fome. A ampliação do Minha Casa, Minha Vida faz parte do mesmo projeto, voltado a melhorar as condições de vida e o acesso à moradia.
No SUS, as propostas incluem ampliar o acesso a exames e consultas, integrar os serviços e qualificar as equipes de saúde da família. O Mais Médicos seguirá voltado à permanência de profissionais nos municípios e nas áreas de maior vulnerabilidade. O Farmácia Popular será mantido com medicamentos gratuitos e ampliação dos locais de retirada. Na educação, o programa prevê fortalecer o Pé-de-Meia e continuar a expansão dos institutos federais e das universidades públicas, com atenção às regiões menos atendidas.
O enfrentamento ao feminicídio também integra as prioridades. A chapa assume o compromisso de concluir 30 Casas da Mulher Brasileira e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira, além de promover a autonomia econômica das mulheres.
Segurança e soberania no projeto de país
Na segurança pública, o programa defende integrar dados e forças de segurança e desarticular as estruturas econômicas e financeiras do crime organizado.
A candidatura propõe a criação do Ministério da Segurança Pública. No programa, a medida está vinculada à aprovação da PEC da Segurança Pública.
O programa prevê o retorno da Petrobras à distribuição de combustíveis, a ampliação do refino e investimentos em fontes de energia de baixo carbono.
A defesa da soberania aparece no papel atribuído às empresas públicas. Na plenária de setembro, Tadeu Porto, dirigente da CUT e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), declarou: “a gente precisa de uma Petrobrás forte e pública”. Ele vinculou esse apoio à defesa de preços justos para os combustíveis e de uma empresa a serviço da população.
Na agenda ambiental, a chapa mantém o compromisso de alcançar o desmatamento líquido zero até 2030. Na política externa, defende a soberania nacional, a paz e o diálogo diante das pressões internacionais.
Alckmin levou a defesa da democracia à plenária que reuniu movimentos sociais, centrais sindicais, juventudes e lideranças religiosas em setembro. Ao falar sobre o processo eleitoral, afirmou: “quem não acredita na democracia, no julgamento popular, na força do voto do povo, nem deveria disputar eleições”.
Fonte: Fundação Perseu Abramo