Histórica jornada de luta de trabalhadores e estudantes sacode a França

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Por Redação — Esquerda Diário

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A revolta estudantil do ensino médio continua apesar da política do governo de fechar as escolas para evitar os protestos. Grande mobilização nacional unifica estudantes e trabalhadores.

A revolta estudantil do ensino médio continua apesar da política do governo de fechar as escolas para evitar os protestos: nesta segunda-feira, 413 escolas de ensino médio seguiam bloqueadas ou mobilizadas contra a superlotação nas salas de aula, a escassez de professores, a carga horária escolar das 8h às 18h e a plataforma de admissão universitária Parcoursup (que restringe e filtra o acesso de milhares de estudantes). Com a “semaine noire” de protestos convocada para esta semana, os estudantes universitários se somaram ao movimento. Entre 30 e 40 campi universitários foram bloqueados e foram realizadas assembleias gerais massivas, como a da Universidade de Rennes 2, com mais de 1000 pessoas. O conflito também se espalhou para a Bélgica, onde houve mobilizações e repressão, e inclusive para as colônias francesas, como Reunião e Martinica.

Nesta terça-feira, estudantes do ensino médio e universitários se manifestam em toda a França, começando em Paris, na Praça da República. Na educação, a CGT Éduc’action, o SNES-FSU e a FNEC FP-FO convocam à greve. A Federação de pais de alunos também chama à mobilização: “não aceitaremos uma escola a duas velocidades, onde a desigualdade de tratamento segundo o território seja a regra”.

Em Paris, as distintas colunas vão confluindo no centro da capital. Como se pode ver, trabalhadores e estudantes confluem em colunas imensas. Nossa organização irmã na França, o Révolution Permanente, está presente nas principais cidades mobilizadas.

🔴 « La colère des lycéens est NOTRE COLERE » :@AAnemoyannis en DIRECT de la mobilisation parisienne

« C’est une déferlante de la jeunesse malgré la politique de répression du gouvernement qui, après avoir mutilé des lycéens, a fermé les lycées et les facs pour éviter la jonction lycéens/étudiants. Ils ont besoin du soutien des travailleurs, notamment pour préparer le 17. Ils savent déjà que pour faire plier le gouvernement, il faut faire plier l’économie et le patronat. L’AG inter-lycées ce soir est le début d’une politique de structuration, il faut en faire partout. Pour ça, on vous invite à se retrouver dans l’ensemble des AG et des coordinations qui permettront d’organiser la suite » 📢 – Ariane, militante à RP et porte-parole du Poing Levé.

— Révolution Permanente (@RevPermanente) October 6, 2026

🔴 MARSEILLE | Près de 300 travailleurs de l’éducation sont réunis en AG à la bourse du travail après la manifestation pour préparer la suite de la mobilisation ! https://t.co/tKmOdke5Qm

— Révolution Permanente (@RevPermanente) October 6, 2026

« Pour vaincre, le mouvement doit emmener avec lui les secteurs du monde de travail pour faire plier le gouvernement. Ici, des travailleurs de la santé, de l’éducation, des cheminots sont venus soutenir le blocus du lycée Clemenceau » 📢 – Floriane, militante @lepoinglevemtp. https://t.co/G0CGEHkaI9

— Révolution Permanente (@RevPermanente) October 6, 2026

🔊 Arrivée à Gare du Nord en FANFARE et massive pour les lycéen·nes de Feyder à Épinay aux côtés de @AnasseKazib et des cheminots de SUD Rail Paris Nord : l’alliance jeunes – travailleurs qu’on aime ft Aya Nakamura https://t.co/xXbE2zWpfq

— Révolution Permanente (@RevPermanente) October 6, 2026

« Le gouvernement est fébrile. Cette marche doit être un point d’appui pour aller plus loin. Il faut une semaine noire, des assemblées générales, des occupations de nos campus. Il faut les ouvrir aux lycéens qui veulent s’organiser » 📢 – @alexisdy_, porte parole du Poing Levé. https://t.co/wM0N70KuLx

— Révolution Permanente (@RevPermanente) October 6, 2026

Mas não é só na capital francesa. Marselha, Rennes, Lyon, Bordéus, Toulouse, Brest, Bordéus, Estrasburgo, Le Havre, Grenoble, Montpellier são apenas algumas das cidades onde as mobilizações já são massivas.

🔴 GRENOBLE | Plus de 10000 manifestants avancent vers la préfecture pour dénoncer les violences policières contre les lycéens et exiger plus des moyens pour l’éducation. https://t.co/AZDVyu5G6J

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🔴 BORDEAUX | Les étudiants et lycéens convergent dans un CORTÈGE INTER-FACS et INTER-LYCÉES MASSIF contre l’austérité, le gouvernement et la sélection. https://t.co/5VSLpCIZFZ

— Révolution Permanente (@RevPermanente) October 6, 2026

A repressão volta a se desencadear sobre os manifestantes, lançando gás e espancando estudantes, mas também trabalhadores e professores que fazem correntes humanas buscando evitar os ataques policiais.

O governo vem respondendo com uma política sistemática de terror policial ao longo do conflito. Apenas na segunda-feira, 984 estudantes do ensino médio e apoiadores foram presos, elevando o total para mais de 6000 desde 28 de setembro. Das mais de 5000 pessoas detidas, 87% são menores de idade. Em Lens, um estudante do ensino médio de 15 anos perdeu a mão pela explosão de uma granada. Enquanto isso, o Primeiro-Ministro Sébastien Lecornu está fechando centenas de escolas de ensino médio e ordenando aulas virtuais para desmobilizar os secundaristas, enquanto prepara uma lista dos “infratores da lei” e mantém o corte de 1588 postos docentes.

Neste contexto, os sindicatos CGT e Solidaires pedem apoio para os estudantes do ensino médio, “inclusive mediante a greve”, junto com uma ampla coalizão de sindicatos da educação e SUD-Rail. Mas na segunda-feira, véspera desta importante jornada de terça-feira, dia 6, a aliança intersindical nacional (que agrupa os grandes sindicatos majoritários) marcou a próxima jornada de ação interprofissional para 5 de novembro. “E por que não em 4 de agosto de 2030?”, reagiu o dirigente da Révolution Permanente Anasse Kazib, que denunciou a direção sindical por fazer todo o possível para evitar “a menor escalada do conflito”. Nesse mesmo dia, a aliança intersindical do setor energético suspendeu sua greve depois que o governo recuou na reforma salarial, uma concessão feita para impedir a unidade entre estudantes e trabalhadores.

O objetivo deste dia, 6 de outubro, proposto em distintas assembleias e locais de estudo, é envolver plenamente os trabalhadores na luta junto a um movimento juvenil que lidera o caminho. A meta é unir a indignação contra o alto custo de vida, os preços dos combustíveis e o orçamento de Lecornu, culminando com a greve na Total em 8 de outubro e uma nova mobilização no dia 17. Para estruturar o movimento a partir da base, o agrupamento estudantil Le Poing Levé (ligado ao Révolution Permanente) convoca assembleias estudantis conjuntas do ensino médio e da universidade em todas as cidades a partir de quarta-feira.

Fonte: Esquerda Diário

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