OMS diz que risco de surto epidêmico é ‘muito baixo’ após morte de cientista na Rússia
Por Serguei Monin — Brasil de Fato
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O porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, afirmou, nesta terça-feira (6), que não há sinais de um surto mais amplo sobre o caso da morte de funcionária de um laboratório na região russa de Irkutsk.
Uma técnica de laboratório do Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, Daria Shipilova, de 28 anos, morreu na noite de 2 de outubro. O governo regional de Irkutsk convocou imediatamente uma reunião extraordinária da comissão sanitária e antiepidêmica.
“Todos os contatos da paciente foram identificados e estão sendo monitorados para a doença e, até o momento, nenhum deles apresentou sintomas”, disse ele.
As autoridades russas ainda estão investigando se a peste pneumônica causou a morte de Shipilova, mas a OMS avaliou o risco à saúde como “moderado a baixo” para Irkutsk, “baixo” para o resto da Rússia e “muito baixo” para a Europa.
O Serviço Federal de Vigilância Sanitária da Rússia, o Rospotrebnadzor, divulgou, na última segunda-feira (5), dados oficiais sobre a causa da morte da funcionária. De acordo com os resultados dos exames médicos, Shipilova morreu de pneumonia grave de causa desconhecida. Os especialistas enfatizam que os microrganismos específicos com os quais ela trabalhava no laboratório não foram detectados em seu organismo.
Nesta terça, ao comentar o caso, o porta-voz da presidência da Rússia, Dmitry Peskov, pediu que os jornalistas se baseiem nos dados do Rospotrebnadzor sobre a situação da infecção envolvendo Shipilova. Segundo o porta-voz do Kremlin, novas informações surgirão à medida que o trabalho avançar, e disse não saber se foram realizadas autópsias na vítima.
“Trabalho na Administração Presidencial e não tenho as informações necessárias sobre as autópsias que foram realizadas. Repito: baseiem-se nas informações do Rospotrebnadzor, que fornece informações completas”, disse Peskov.
O Rospotrebnadzor, por sua vez, comunicou, nesta terça, que a informação sobre a implementação de medidas sanitárias e epidemiológicas reforçadas e restrições rigorosas na região de Irkutsk é falsa.
“Uma mensagem falsa sobre a implementação de medidas sanitárias e epidemiológicas reforçadas e restrições rigorosas na região de Irkutsk está circulando online. Informamos que este documento e a informação não se baseiam em fontes oficiais e são falsos”, diz o comunicado.
Em 25 de setembro, a funcionária do laboratório quebrou um tubo de ensaio contendo o patógeno da peste pneumônica e logo começou a se sentir mal. Uma ambulância a levou para o hospital local, onde permaneceu por três dias até falecer, em 2 de outubro.
Em 4 de outubro, a agência de vigilância sanitária do país informou que a situação sanitária e epidemiológica na região de Irkutsk e nas cidades de Irkutsk e Shelekhov estava estável. Foi esclarecido que a falecida havia sido diagnosticada com pneumonia de etiologia desconhecida.
Testes extensivos da amostra não revelaram nenhum microrganismo relacionado às suas atividades profissionais. Além disso, foi relatado que não foram registrados casos de doenças infecciosas entre os funcionários do instituto nos últimos dez dias.
Anteriormente, o governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que uma série de medidas antiepidêmicas estão sendo implementadas e que a situação está sendo monitorada de perto. O governo da região de Irkutsk também realizou uma reunião extraordinária da comissão regional de saúde e combate à epidemia.
A peste pneumônica é uma forma grave e mortal de peste causada pela bactéria Yersinia pestis. A doença pode ser transmitida diretamente de pessoa para pessoa pelo ar. Ela progride rapidamente com um período de incubação de um a três dias. Sem tratamento, a taxa de mortalidade é de quase 100%.
Como medida de precaução, parte do Hospital Shelekhov foi colocada em quarentena em 1º de outubro. Aproximadamente 200 pessoas foram colocadas sob observação médica, incluindo funcionários do instituto, médicos de emergência e outros pacientes. Destas, 189 foram isoladas temporariamente em hospitais.
Durante o período de monitoramento, nenhuma patologia grave foi detectada nos contatos. Os médicos registraram apenas casos isolados de infecções sazonais: dois testaram positivo para coronavírus e outros dois apresentaram infecção por rinovírus (resfriado comum). Nenhuma alteração específica na saúde que indicasse infecções particularmente perigosas foi detectada.
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Fonte: Brasil de Fato