Alcolumbre fica entre pressão do governo e da nova direita no Senado na disputa pela 6×1

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Por Vinícius Nunes — Carta Capital

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Presidente do Senado mantém PEC na pauta, mas oposição tenta adiar votação após avanço da direita nas urnas; disputa também antecipa batalha pelo comando da Casa 

A discussão sobre o fim da escala 6×1  coloca o presidente do Senado no meio de um cabo de guerra. Se o governo Lula (PT) pressiona para que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) coloque a pauta para votação já na quarta-feira 7, a oposição bolsonarista articula para adiar a tramitação depois do resultado das eleições de domingo 4 , que ampliou a força da direita no Senado.

A aliados, Alcolumbre se diz preocupado por ter que administrar a pressão dos dois lados enquanto olha para uma outra eleição que acontecerá apenas em fevereiro de 2027: a do comando do Senado. O resultado das urnas tornou a sucessão mais difícil para o atual presidente.

O PL elegeu 19 senadores no primeiro turno e chegará à próxima legislatura com 28 integrantes, formando a maior bancada do Senado. O partido já tem um candidato declarado à presidência da Casa Alta: Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e crítico da PEC que acaba com a 6×1 .

O governo tenta impedir que o resultado eleitoral altere a agenda. A redução da jornada é uma das principais bandeiras de Lula e foi incorporada à estratégia do governo para o segundo turno. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães , afirmou que o Executivo continua trabalhando para aprovar a PEC nesta semana e disse que, na avaliação do governo, o cenário eleitoral não mudou o ambiente para a votação.

A primeira sessão de discussão está marcada para esta terça-feira 6, seguida por outras duas, na quarta e na quinta 8. O governo, porém, quer acelerar o processo para tentar levar o texto à votação ainda nesta semana. Para isso, precisará superar a estratégia da oposição e construir o quórum necessário.

Uma PEC precisa de 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos no Senado .

A oposição passou a usar o resultado das urnas como argumento para segurar a proposta. Lideranças articulam para não comparecer às sessões, dificultando a formação do quórum e, consequentemente, a votação . Entidades empresariais também pressionam senadores contra uma aprovação rápida.

O argumento é que a fotografia do Senado mudou. O PL terá a maior bancada a partir de 2027 e a direita ampliou sua presença na Casa. Para os oposicionistas, não faria sentido acelerar agora uma proposta que se tornou mais difícil de aprovar depois da eleição.

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), reeleito no domingo, afirmou que o governo terá dificuldade para reunir senadores e atribuiu ao resultado eleitoral uma posição mais favorável da oposição para barrar a votação.

Apesar da resistência no Senado, a proposta mantém apoio majoritário entre os brasileiros. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho mostrou que 69% dos entrevistados eram favoráveis ao fim da escala 6×1 , enquanto 22% eram contrários.


Vinícius Nunes

Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes. Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News.

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Fonte: Carta Capital

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