Edinho diz que Lula foi prejudicado por crise no STF

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Por Wendal Carmo — Carta Capital

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DIRETO DA REDAÇÃO: Vladimir Safatle e Jamil Chade comentam o resultado do 1º turno

O presidente nacional do PT disse que o principal ajuste na campanha deverá ocorrer na estratégia

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira 5 que a campanha de Lula vai mudar o “enfoque” para o segundo turno e que o petista deverá participar do maior número possível de debates contra Flávio Bolsonaro (PL).

Essa nova fase da disputa, declarou o dirigente em entrevista à GloboNews, será marcada por uma comparação mais direta entre os dois candidatos e por mudanças na forma de a campanha se comunicar com os eleitores.

A segunda rodada do pleito ocorrerá em 25 de outubro. Questionado sobre possíveis mudanças na equipe após o resultado do primeiro turno, Edinho descartou, neste momento, uma troca de nomes e disse que o principal ajuste deverá ocorrer na estratégia. A possibilidade de convite ao marqueteiro João Santana, que passou a ser ventilada nos bastidores no início desta segunda, também foi negada por ele.

“Nunca conversamos sobre isso. A questão não é mudar nomes, é mudar enfoque, forma de dialogar com o povo brasileiro”, disse Edinho. “Evidente, o segundo turno é uma outra eleição. É uma eleição que pressupõe o confronto direto. Não há como, no segundo turno, fugir desse confronto. Estamos confiantes nesse embate.”

Flávio e Lula avançaram ao segundo turno depois de uma disputa apertada no domingo. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente, e os dois passam agora a disputar, além dos eleitores que escolheram outros nomes, os mais de 32.132.590 eleitores que não compareceram às urnas.

O presidente nacional do PT evitou classificar o desempenho da campanha no primeiro turno como resultado de uma sequência de erros. Na avaliação dele, Lula absorveu parte do desgaste provocado por uma crise institucional que, segundo Edinho, dificultou para a população distinguir as responsabilidades dos Três Poderes.

“Aos olhos da sociedade, e a gente tem que entender a sociedade civil, não há uma diferenciação entre o que é Judiciário, Legislativo e Executivo. Essa crise institucional, por mais que Lula tenha se posicionado, aos olhos da sociedade o maior representante do Estado brasileiro é o presidente Lula. Ele pagou o preço desse desgaste institucional”, disse, citando como exemplo as investigações envolvendo o Banco Master e a infiltração do Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

De acordo com o dirigente, a campanha pretende usar essas apurações para mostrar que os casos foram apurados durante o governo Lula. Segundo ele, o segundo turno permitirá à campanha deixar mais clara a diferença entre a atuação do presidente e as posições de Flávio.

“Como pode alguém que condecora miliciano falar em segurança pública? Queremos o debate franco, direto, o confronto desses dois projetos. Não é um confronto de biografias. O Brasil, no segundo turno, vai ter que fazer uma escolha”, afirmou. “O povo pode criticar [Lula], mas o povo sabe quem ele é, o que ele já fez, goste-se mais ou menos. O outro, infelizmente, o que se conhece dele é muito ruim”.

A campanha também fará mudanças na produção de material eleitoral. Edinho reconheceu como um erro a decisão de descentralizar a elaboração dos conteúdos para os diretórios estaduais, com a intenção de permitir que cada unidade da federação produzisse suas próprias peças. Segundo ele, o modelo não funcionou porque os estados tinham estruturas diferentes e já foi corrigido.


Wendal Carmo

Repórter do site de CartaCapital no Nordeste

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Fonte: Carta Capital

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