A hora da virada
Por Mário Maurici — Brasil 247
Um dos principais objetivos e vantagens das eleições em dois turnos é permitir que a população tenha mais clareza sobre os projetos, as propostas, as candidaturas e os significados que cada candidato que chegou ao segundo turno representa. É o momento em que fica mais claro o que está em jogo. Com o fim da apuração do primeiro turno de 2026, vamos iniciar essa nova fase da campanha. E temos o grande desafio de promover uma virada histórica de Lula sobre o bolsonarismo, que (sabemos) será uma vitória do povo brasileiro.
Ainda estamos num momento de entender as mensagens que vieram das urnas, ligar os pontos, fazer as conexões com os temas que atravessam as pessoas e produzir a autocrítica necessária para mudar nosso posicionamento daqui para frente. Portanto, é preciso um pouco de cautela e entender que não há conclusões definitivas por hora e qualquer sentença nesse sentido tende a ser precipitada.
Uma das manifestações claras em forma de voto neste primeiro é o desejo de mudança. O curioso é que esse desejo foi abarcado tanto por Flávio Bolsonaro, o candidato de oposição, como por Lula. A diferença é que a mudança com Flávio é um retrocesso para os tempos em que o Brasil não era democrático, enquanto que Lula é a mudança para melhor, uma mudança de fortalecimento democrático, de redução das desigualdades socioeconômicas e de desenvolvimento inclusivo. Precisamos neste segundo turno mostrar que Lula representa tudo isso.
É claro que o saldo do primeiro turno é negativo e nos surpreendeu. Mas, como disse o presidente Lula, a partir de agora “a gente começa uma nova campanha”, para “mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”.
De um lado, temos Lula, o presidente que mais fez para melhorar a vida de quem mais precisa no país, aquele que por duas vezes tirou o Brasil do mapa da fome, que mais fez universidades na história, que criou o Bolsa Família, a política de aumento do salário mínimo e que isentou de imposto aqueles que ganham até R$ 5 mil por mês; do outro lado, temos Flávio Bolsonaro, um expoente e representante das milícias do Rio de Janeiro, um candidato que tem áudio chamando Daniel Vorcaro de “irmãozão” e pedindo dinheiro para o dono do Banco Master, que quer ser um presidente-capacho dos Estados Unidos e submisso a Donald Trump.
É esse raio-X que precisamos fazer neste segundo turno, no diálogo diário com as pessoas, nas ruas, nos transportes públicos, nas redes sociais e em todos os espaços possíveis. Também é preciso falar com maior clareza e concretude das recentes medidas do Governo Lula, como a proibição das bets no Brasil, que possivelmente não tenha chegado da maneira correta para as pessoas, assim como a isenção de imposto de renda parece ainda não ter sido compreendida como imposto que não será cobrado.
Também é preciso articulação para votar e muita comunicação sobre o que significa o fim da escala 6×1. Essa é uma pauta que fala diretamente às pessoas, porque impacta na sua organização cotidiana e na melhoria da qualidade de vida, além dos efeitos positivos que deve ter para a economia, como mostra a experiência de outros países e mesmo de empresários brasileiros que já adotam a escala de trabalho de 5×2.
O desafio é complexo, mas o segundo turno pode facilitar a tarefa de colocar frente a frente os dois projetos de país. Quer dizer, o projeto de Brasil do campo democrático e popular, que Lula representa, e o projeto de entrega do país aos interesses de Trump e dos milicianos. Como disse Lula, o povo gosta que ele dispute o segundo turno e, nessa hora, o presidente Lula “é muito bom no mata-mata”. Portanto, a hora é de nos apoiarmos e confiar que venceremos, ocupar as ruas e as redes, dialogar muito, o tempo todo, com os mais diferentes tipos de brasileiros e brasileiras e, principalmente, confrontar o que significa cada projeto que está colocado na mesa para o povo escolher.
Encerro este texto com um agradecimento profundo a todos e todas que fizeram parte dos 64.675 votos que recebi, pessoas que depositaram sua confiança em mim e no trabalho que estamos fazendo. Mais que gratidão, quero reafirmar meu compromisso com a transformação para melhor de São Paulo e do Brasil e dizer que a política só faz sentido se for feita pelo povo e para o povo. Não desanimem, as adversidades aparecem sempre, o que importa é manter a fibra e o espírito de mudança social. A nossa luta está só começando.
Fonte: Brasil 247