Lula tem como virar, mas vai precisar ter ousadia pra mudar uma coisa…

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Por Renato Rovai — Brasil 247

O resultado do primeiro turno precisa ser analisado sem exageros que podem nos levar ou a culpar o povo pelos nossos erros ou a criar um clima de barata voa buscando culpados internos. O fato é que Lula perdeu cerca de três pontos percentuais em relação a 2022, saindo de 48,4% para 45,1%. Os Bolsonaros, por outro lado, avançaram de 43,5% para 47%.

É uma mudança importante. E mostra que não dá para tratar o resultado como se nada tivesse acontecido. Mas não é uma catastrofe. Foi um 3 pra lá e um 3 para cá.

Por isso não dá para concluir que a eleição está decidida. Ela está sendo jogada e ainda bem que Lula no seu discurso de ontem dialogou com esse sentimento.

Flávio Bolsonaro tem um problema importante pela frente: sua rejeição é muito alta. A questão agora é saber qual é o teto dele.

Se ele conseguir ultrapassar rapidamente os 50% e abrir uma vantagem muito grande nas próximas pesquisas, a situação de Lula ficará bastante complicada. Mas, se começarmos o segundo turno com uma disputa equilibrada, há jogo.

E é justamente aí que Lula precisa mudar.

Onde perdemos votos? Fundamentalmente no Sudeste. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro foram uma catástrofe para Lula. Mas também nas cidades pequenas com menos de 50 mil habitantes. Nelas, Lula perdeu 7% dos votos que teve em 22.

É preciso diminuir a vantagem dos adversários nesses estados do Sudeste, se possível virando em Minas, o que não será fácil. Esse é um dos principais desafios para o segundo turno.

Também houve alguma perda no Nordeste. Mas nada significativo. A diferença é que ali existe uma estrutura política capaz de reagir.

Governadores como Jerônimo Rodrigues, Rafael Fontelles e Elmano de Freitas se reelegeram. Há disputa de segundo turno no Rio Grande do Norte. Foram eleitos senadores em Pernambuco, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte. Existe uma estrutura política que pode ser mobilizada.

E há outro elemento que considero muito importante: uma nova geração entrou em campo.

Tem gente jovem que construiu sua votação a partir da internet, sem grandes estruturas financeiras e que conseguiu excelentes resultados. Isso aconteceu no Paraná, em São Paulo, no Rio, em Minas e vários outros lugares.

É essa garotada que precisa ir para o comando da campanha. É essa garotada que tem que liderar a comunicação de Lula.

Eu não estou dizendo que as estruturas tradicionais devem desaparecer. Estou dizendo que o segundo turno precisa incorporar uma outra lógica de comunicação.

Essa gente fez voto com internet, criatividade e capacidade de conversar diretamente com as pessoas. É justamente isso que uma campanha de segundo turno precisa saber aproveitar.

Eu fui um dos primeiros a dizer que a campanha de comunicação de Lula no primeiro turno estava errando demais. E o resultado mostrou que havia razões para essa crítica.

Agora não adianta ficar fazendo autocrítica durante semanas. É preciso agir rápido. E a primeira decisão da campanha de Lula precisa ser essa. Mudar a comunicação e entregar para quem obteve bons resultados nas urnas.

O segundo turno exige coragem para reconhecer os erros e, principalmente, capacidade para fazer uma virada de campanha rápida, principalmente quando se está atrás.

Não é hora de ficar batendo boca e pensando no umbigo.

É hora de jogar o jogo que está posto.

Lula ainda tem como virar. Mas, para isso, vai precisar ter ousadia para mudar a campanha, abrir espaço para uma nova geração e encontrar uma comunicação capaz de diminuir a vantagem adversária onde ela foi maior.

Fonte: Brasil 247

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