Nobel de Medicina 2026 premia cientistas dos EUA e da Alemanha por avanços na optogenética

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – O norte-americano Karl Deisseroth e os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel foram contemplados nesta segunda-feira (5) com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026, em razão de suas descobertas revolucionárias sobre a luz e a optogenética, fundamentais para a compreensão do funcionamento do cérebro humano, segundo reportagem da Reuters.

A Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, renomada universidade médica localizada na Suécia, anunciou que Deisseroth, de 54 anos, Hegemann, de 71, e Nagel, de 73, foram selecionados por suas “descobertas relacionadas aos canais iônicos ativados pela luz e à optogenética”.

A inovação metodológica traz avanços profundos para a neurociência moderna. De acordo com Thomas Perlmann, secretário-geral da Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, a optogenética “torna possível ativar ou desativar a atividade de células nervosas individuais em um cérebro vivo”. O porta-voz destacou a abrangência da aplicação da técnica ao afirmar que “esse método está sendo usado atualmente em laboratórios em todo o mundo para desvendar os mistérios do cérebro”.

Na prática médica e científica, os reflexos dessas pesquisas já começam a transformar vidas. Em ensaios clínicos em andamento, pesquisadores estão conseguindo restaurar a visão de pessoas acometidas por cegueira decorrente da retinite pigmentosa, por meio da inserção de uma proteína sensível à luz na retina dos pacientes. Além disso, a comunidade científica projeta que a optogenética possa aprimorar os implantes cocleares, garantindo uma estimulação do nervo auditivo consideravelmente mais precisa do que a proporcionada pelos dispositivos elétricos tradicionais.

A trajetória histórica dessa conquista começou no início da década de 1990, quando Hegemann investigou como a alga Chlamydomonas reagia à luz em um intervalo de meio milissegundo, levantando a hipótese de que uma única proteína capturava a luz e atuava como canal iônico. Na sequência, Nagel testou essa tese injetando genes da alga em óvulos de rã, identificando a canalrodopsina-2 — um canal iônico que se abre ao ser exposto à iluminação.

Anos mais tarde, em 2003, a dupla publicou a descoberta de que essa proteína poderia ser introduzida em células humanas e de hamsters para gerar impulsos elétricos a partir da luz. Em 2005, Deisseroth, pesquisador da Universidade de Stanford, demonstrou com sucesso a aplicação da técnica em células nervosas de ratos. O método foi formalmente batizado como optogenética no ano seguinte.

A revelação da prêmiação gerou forte comoção entre os pesquisadores. Perlmann relatou ter conversado com os três laureados na manhã desta segunda-feira e afirmou que todos se mostraram surpresos e encantados com o anúncio. “Todos os três disseram a mesma coisa: que achavam absolutamente maravilhoso receber o prêmio junto com os outros dois, a quem chamam de amigos. Que é uma grande honra recebê-lo juntos. Foi isso que eles transmitiram”, declarou Perlmann.

Os três cientistas dividirão o prêmio total no valor de 12 milhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 1,2 milhão). O anúncio do Nobel de Fisiologia ou Medicina abre tradicionalmente a temporada anual de premiações do Nobel, que seguirá nos próximos dias com as divulgações dos vencedores nas categorias de física, química, literatura, paz e economia.

Fonte: Brasil 247

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