Lula perde eleitores mesmo em cidades mais pobres

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Publicado em 05 de Outubro de 2026 às 01:34

BBC News Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve um desempenho pior do que apontavam pesquisas no primeiro turno da eleição presidencial realizado no domingo (4/10).

Lula perdeu participação nos votos válidos em 954 dos mil municípios de menor renda do Brasil em comparação com o primeiro turno de 2022, embora continue à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em 971 deles.

Nessas mesmas cidades, a fatia do petista passou de 73,76% para 69,78%, enquanto Flávio recebeu 26,26%, ante os 21,29% obtidos por seu pai, Jair Bolsonaro, quatro anos antes.

O levantamento da BBC News Brasil cruza resultados municipais oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a renda domiciliar per capita média do Censo 2022, do IBGE, e compara os primeiros turnos das duas eleições nos mesmos municípios.

A apuração do primeiro turno de 2026 mostra uma divisão na votação para presidente conforme a renda dos municípios.

Na comparação entre Flávio e Lula, o senador está à frente em 967 das mil cidades com maior renda domiciliar por pessoa. O petista lidera em 971 das mil cidades de menor renda.

No extremo de menor renda está Uiramutã, em Roraima. O município tinha rendimento domiciliar médio mensal per capita de R$ 288,65 por pessoa no Censo 2022. Com todas as seções totalizadas na captura utilizada, Lula recebeu 68,95% dos votos válidos, ante 29,85% de Flávio.

Uiramutã também é o município com a maior proporção de indígenas do país, segundo dados do Censo de 2022, quando 96,60% da população se autodeclara indígena.

Outras cidades de renda baixa também registraram vantagem expressiva para o presidente. Em Bagre, no Pará, onde o rendimento médio era de R$ 358,65 por pessoa, Lula teve 74,67%, contra 22,57% do senador.

Em Manari, Pernambuco, a renda era de R$ 359,10; o petista recebeu 85,04% dos votos válidos, ante 11,05% de Flávio.

No outro extremo, Nova Lima, em Minas Gerais, tinha a maior renda média por pessoa entre os municípios incluídos no levantamento: R$ 4.299,91 mensais. Ali, Flávio ficou à frente de Lula por uma diferença menor: 46,08% a 42,58%.

Em São Caetano do Sul, em São Paulo, com renda média de R$ 3.884,58 por pessoa, Flávio recebeu 53,96% dos votos válidos, ante 33,57% de Lula. Em Florianópolis, onde o rendimento era de R$ 3.636,13, o senador registrou 48,63%, contra 40,83% do presidente. As seis cidades citadas já tinham 100% das seções totalizadas no momento da captura dos dados.

A associação entre renda municipal e votação, porém, tem exceções.

Niterói, no Rio de Janeiro, está entre as cidades de maior renda do levantamento, com R$ 3.577,32 por pessoa, mas deu vantagem a Lula: 48,35%, ante 43,71% de Flávio. Em Porto Alegre, com renda de R$ 3.203,31, o petista teve 48,57%, contra 41,86% do senador.

Há também municípios de renda baixa onde Flávio ficou à frente. Em Alto Alegre, em Roraima, com rendimento médio de R$ 467,63 por pessoa, o senador recebeu 71,59%, contra 23,92% de Lula. Em Normandia, no mesmo Estado, com renda de R$ 486,61, o placar foi de 53,84% a 43,14% para Flávio.

Os municípios foram ordenados pela renda domiciliar média mensal por pessoa do Censo 2022.

Foram selecionados os mil de maior renda e os mil de menor renda entre os mais de 5 mil municípios com dados de rendimento e votos válidos disponíveis.

Cada município conta uma vez no cálculo, independentemente do tamanho de seu eleitorado. Esses percentuais são a proporção de cidades em que um candidato estava à frente do outro, não a participação de cada um no total de votos desses grupos.

Vale ressaltar que os dados não afirmam como votaram individualmente eleitores mais ricos ou mais pobres, já que essas informações não são divulgadas pelo TSE.

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