Eleições 2026: mais de 73 mil indígenas foram às urnas no Amazonas
Por Nicoly Ambrosio — Amazônia Real
Manaus (AM) – Em todo o país, 287.157 indígenas eram esperados a comparecer aos locais de votação, neste domingo (4), nos territórios do país, sendo que no Estado Amazonas são mais de 73 mil eleitoras e eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O TSE e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizaram uma ampla operação logística para garantir energia nas seções de votação dentro de terras indígenas e deslocou em aviões, helicópteros, barcos e veículos terrestres as equipes e as urnas eletrônicas até as aldeias indígenas de difícil acesso.
Mas os eleitores Munduruku e Sateré Mawé, da Terra Indígena Kwatá-Laranjal, localizada no município de Borba, no sul do Amazonas, denunciaram que sábado (3) faltou energia elétrica nas aldeias e, na manhã deste domingo a situação permanecia a mesma.
Até às 13h da tarde (14h em Brasília), o cacique e geógrafo Estélio Munduruku disse à Amazônia Real que o fornecimento de energia elétrica estava interrompido. Segundo ele, no território onde votam 2.000 mil pessoas, duas urnas eletrônicas foram instaladas na Escola Estadual Indígena Ester Caldeira Cardoso, dentro da aldeia Kwatá, na região do rio Canumã, um curso d’água do rio Madeira. As equipes do TRE, levando às urnas, chegaram à comunidade na tarde de sábado (3), por volta de meio-dia, diz o cacique.
Ele afirma que a falta de energia ocorre há uma semana. “Ela ia e voltava, tinha momentos em que ia e não retornava. A energia foi embora ontem [sábado, dia 3] à noite e não retornou. As nossas lideranças estavam muito preocupadas porque a bateria das urnas não ia aguentar muito tempo. Eles querem votar, não querem deixar de votar. A preocupação era que a bateria não aguentasse até o horário de encerramento da votação”, disse o cacique à Amazônia Real. Estélio estava em Manaus e se comunicava com dificuldade com seus parentes da TI Kwatá-Laranjal.
Estélio afirmou ainda que, na tentativa de contornar o problema, a comunidade estava usando a energia da placa solar de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Desde cedo, os eleitores e eleitores já aguardavam, em uma grande fila, o momento de votar.
Na primeira coletiva na parte da manhã, em Brasília, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou o balanço parcial da votação do primeiro turno das Eleições 2026 no país. Ele disse que a justiça eleitoral se preocupou com os efeitos do El Niño, especialmente a seca no Norte e as chuvas no Sul do país. Na terra indígena Kwatá-Laranjal a população sofre com altas temperaturas e a estiagem.
“É bem verdade, poderiam ser bem piores do que está ocorrendo hoje. As previsões é que a seca na região Norte e as enchentes na região Sul pudessem, realmente, provocar um deslocamento de seções eleitorais e obstaculizar o deslocamento de eleitores para as urnas. Talvez o estado com maior dificuldade foi o estado do Paraná”.
Com relação à falta de energia nos locais de votação, o ministro disse que os problemas foram registrados apenas no Estado do Paraná. “Hoje, neste momento, temos aproximadamente noventa e quatro cidades com problemas de energia. Isso não quer dizer que estão sem energia, ou oscilação de energia ou falta de energia. Mas o que importa repassar aos senhores e às senhoras é que em relação às seções eleitorais, tudo está funcionando normalmente. Todas as urnas estão funcionando. Nós temos geradores e baterias suficientes para concluir todo o processo de votação e de transmissão”, afirmou o presidente do TSE.
Procurados pela reportagem, a Coordenadoria Jurídica do Ministério Público Federal (MPF) e a gerência da Âmbar Energia, informaram que a energia na Terra Indígena Kwatá-Laranjal foi restabelecida por volta das 14h deste domingo. Segundo o Procurador Regional Eleitoral, Edmilson Barreiros, a bateria das urnas dura em torno de 20 horas.
O cacique Estélio Munduruku disse à Amazônia Real que a energia foi restabelecida às 14h17 – no horário de Manaus.

Balanço das eleições

O TSE informa que o eleitorado do Amazonas atual é de 2.801.182 eleitores aptos a votar, sendo 51% de mulheres e 49% de homens. Durante a votação, em Manaus, muitos eleitores reclamaram do calor extremo. A temperatura marcou entre 34°C° e 35°C°, mas com sensação térmica de 40°C°. A qualidade do ar, captada pela reportagem na plataforma Selva, estava moderada com 33,1 µg/m³, dentro da normalidade.
Uma morte foi registrada durante a votação, segundo o TRE do Amazonas. Manoel Biel Rabelo, de 75 anos, passou mal na Escola Estadual Padre Pedro Gislandy, na manhã deste domingo (4), no bairro Compensa, na zona oeste da capital. Segundo o Samu, ele apresentou sinais e sintomas de um possível Acidente Vascular Cerebral (AVC) e morreu dentro da escola.
A Justiça Eleitoral também divulgou o balanço sobre os crimes eleitorais durante a votação do primeiro turno das Eleições de 2026, neste domingo. No Amazonas, 21 ocorrências foram registradas.
O ex-prefeito do município de Rio Preto da Eva, Anderson Sousa (PSD), também presidente da Associação Amazonense de Municípios, foi detido, por suspeita de compra de votos, pela Polícia Federal em uma sessão de votação da cidade, que fica a 57 quilômetros de Manaus.

Outras cinco pessoas foram presas por suspeita de compra de votos, corrupção e falsidade ideológica eleitoral. Com elas, a Polícia Federal e a Polícia Militar apreenderam mais de R$ 1,66 milhão em Manaus, divididos assim: em uma agência bancária foram sacados R$ 1,64 milhão em espécie; outros R$ 27.800 em espécie, além de material de campanha, estavam com o passageiro de uma aeronave no Aeroporto de Manaus, em voo com destino ao município de Borba. O suspeito foi conduzido para prestar depoimento.
O TSE encerrou a votação às 17h de Brasília – 16h em Manaus, com exceção de 11 municípios do Amazonas, que seguem o fuso do Acre, cujo encerramento foi às 15h local. É a primeira vez que o horário de votação é unificado em todo o Brasil, independente do fuso horário diferente em alguns estados.
Movimento a Escola André Araújo, na Cidade Nova 1 (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real).
Movimento a Escola André Araújo, na Cidade Nova 1 (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real).
Movimento a Escola André Araújo, na Cidade Nova 1 (Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real). 
Escola Municipal Thomas Meirelles no bairro Petropólis (Foto: Juliana Pesqueira/Amazônia Real).
Unidade do Sesc da Henrique Martis, bairro centro em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real).
Unidade do Sesc da Henrique Martins, bairro centro em Manaus (Foto: Juliana Pesqueira/ Amazônia Real/2026).
Movimento nas Escolas da Cidade Nova 2 ( Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real).
Grandes filas para votar na Escola Estadual Áderson de Menezes, no Parque Dez ( Foto: Alberto César Araújo/ Amazônia Real).

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Fonte: Amazônia Real