Enfrentar a extrema direita e os ataques com a força da nossa classe! Confira as propostas para o 35º Congresso do Sinpeem
Por Nossa Classe – Educação — Esquerda Diário

O congresso do SINPEEM acontecerá nos próximos dias 06, 07, 08 e 09 de outubro, em um momento de uma profunda ingerência imperialista sobre o Brasil e a América Latina. Trump e seus capachos regionais, como Flávio Bolsonaro e toda a extrema direita, com Tarcísio de Freitas e Nunes aqui em SP, atuam para impor cada vez mais sua hegemonia sobre a região e se apossar ainda mais de nossas riquezas. Não permitiremos! Para enfrentar o imperialismo, a extrema direita e todos os ataques, é preciso apostar na organização e mobilização desde a base, não em conciliação. O 35º Congresso do SINPEEM precisa discutir um forte plano de lutas!
O congresso do SINPEEM acontecerá nos próximos dias 06, 07, 08 e 09 de outubro, em um momento de uma profunda ingerência imperialista sobre o Brasil e a América Latina. Trump e seus capachos regionais, como Flávio Bolsonaro e toda a extrema direita, atuam para impor cada vez mais sua hegemonia sobre a região e se apossar ainda mais de nossas riquezas.
Essa é a mesma extrema direita da dobradinha Tarcísio e Nunes aqui em São Paulo, que todos os dias têm atacado e precarizado cada vez mais a educação e todos os serviços públicos. Desde os primeiros meses do ano o que mais vemos nas escolas é o cansaço estampado na cara de toda educadora e educador. Não à toa, o que mais nos motivou para a greve esse ano foram as nossas condições de trabalho cada vez piores, precarizando também as condições de ensino de nossas crianças. Tarcísio e Nunes não são parceiros apenas em escândalos envolvendo Dark Horse e Vorcaro, mas também partilham o mesmo projeto de ataques, privatização e terceirização dos serviços públicos. Plataformização, arrocho salarial; chantagem com bonificação em busca de índices que não refletem qualidade de educação; mais contratos precários; terceirização na rede e a lista segue… É por isso que o 35º Congresso do Sinpeem deveria cumprir um papel importante em organizar todos os educadores e educadoras para enfrentar esses ataques e inimigos. O que vemos, em contrapartida, é Cláudio Fonseca e as direções burocráticas removendo cada vez mais os espaços políticos de discussão que poderiam organizar um plano de luta, manobras que atropelam votações e calam educadores de forma antidemocrática. Diante de todo esse cenário, apresentamos aqui 4 ideias que nós do Movimento Nossa Classe queremos batalhar durante esse Congresso.
1) Fora Trump da América Latina: enfrentar a extrema direita e o imperialismo com luta e sem conciliação!
Enquanto vemos o imperialismo dos Estados Unidos, com Trump à frente, querer se apropriar e saquear dos bens naturais comuns do Brasil e do mundo, nos deparamos também com seus capachos da extrema direita brasileira, como Flávio Bolsonaro, querendo importar as políticas mais reacionárias, a fim de que o Brasil se subordine cada vez mais a Washington. Não permitiremos!
Nos inspiramos no exemplo das trabalhadoras e trabalhadores de Minneapolis no começo desse ano, com as educadoras na linha de frente para expulsar o ICE, a milícia de Trump, que impuseram uma derrota à extrema direita e sua política xenófoba e reacionária. Foi com greve, cruzando os braços, parando de trabalhar e transformando as escolas em espaços de auto-organização, que a população de Minneapolis impôs essa derrota a Trump. É com a força da nossa luta desde a base que enfrentamos a extrema direita e seus ataques, não com conciliação. Não será buscando uma “petroquímica” com Trump, ou apostando na via diplomática, como faz o governo de Frente Ampla, que iremos enfrentar o imperialismo e a extrema direita, muito menos cometendo o erro de apostar nossas fichas nesse judiciário podre, em que o escândalo do STF escancara que se trata de mais um pilar da ordem burguesa. Nos inspiramos também na luta em curso da juventude secundarista francesa, com bloqueios e assembleias em centenas de escolas lutando contra a precarização da educação. E que em 29/09 se somaram com servidores públicos contra o plano de cortes (ajuste fiscal) do governo francês em centenas de milhares pelo país.
2) Contra o avanço da privatização e da precarização do trabalho que nos adoece, nossa classe é uma só: efetivação já dos terceirizados e fim da escala 6×1!
Estamos vendo e sentindo na pele os números recordes de adoecimentos e afastamento por motivos de saúde, especialmente saúde emocional e mental. No país da escala 6×1 que adoece e rouba as vidas dos nossos jovens e familiares de nossos estudantes, Nunes e a extrema direita descarregam sobre nós, além do arrocho salarial que sofremos há anos, precarização e privatização que contam com financiamento via BNDES e Arcabouço Fiscal, o novo teto de gastos do governo Lula-Alckmin.
A trágica morte do bebê Abdulaye Diengue, filho de imigrantes senegaleses, em uma creche conveniada no Brás é uma expressão do que representa o ataque à educação infantil que Nunes aprovou no início do ano, que abre as portas para a total terceirização e privatização dessa modalidade. Abdulaye foi vítima do racismo e da privatização. Abdulaye presente!
Mas esse ataque não está isolado, em parceria com Tarcísio, vemos a plataformização da educação e o ataque à nossa liberdade de cátedra. Junto com isso, vemos o aumento do número de educadores contratados na rede, a terceirização de nossas colegas da limpeza, cozinha, vigilância e AVEs, dividindo nossa categoria, ampliando a precarização do trabalho e da educação. Nunes quer reduzir ainda mais o módulo de ATEs, enquanto quer a GCM nas nossas escolas. Nossa resposta: mesmo trabalho, mesmos direitos, já! Efetivação imediata de todos os contratados e terceirizados, convocação já dos aprovados e abertura de novos concursos. Todo apoio à luta das AVEs!
3) Enfrentar Tarcísio e Nunes com um forte plano de luta!
Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas estão unificados para sucatear a educação e todos os serviços públicos. A força para enfrentar o arrocho, as privatizações, o adoecimento que as políticas da extrema direita despeja sobre nós, assim como derrotar todas as reformas mantidas pelo governo Lula-Alckmin, o Novo Ensino Médio e o Arcabouço Fiscal, será apostando na mobilização a partir da base, nas assembleias democráticas e na luta organizada, assim como fizeram os indígenas do Baixo Tapajós contra a privatização dos rios no começo desse ano.
Exemplo recente disso também foi a mobilização que os educadores e comunidade escolar das EMEFMs travaram diante da ameaça de reorganização de Nunes e Padula, barrando esse ataque neste semestre. As e os educadores das escolas que seriam atingidas rapidamente rechaçaram a proposta, que foi feita sem nenhum tipo de consulta, e iniciaram um forte processo auto-organizado, envolvendo não apenas docentes e educadores, mas alunos e suas famílias, se tornando uma pauta não só da escola, mas de toda comunidade escolar, como no caso da EMEFM Vereador Antonio Sampaio, que foi linha de frente na luta e conseguiu mobilizar a comunidade imigrante em defesa da escola. O Congresso do SINPEEM precisa servir para isso, para sairmos com um forte plano de lutas que se enfrente com a plataformização, o São Paulo Integral, o avanço da privatização. E nós, do Movimento Nossa Classe – Educação, nos orgulhamos muito de ter sido parte dessa forte luta auto-organizada.
4) Basta de um sindicato dirigido por um monarca! SINPEEM nas mãos dos trabalhadores
A greve de 2026 mostrou a forte disposição da categoria que reúne uma enorme tradição de luta com o fôlego das novas gerações que entram e não aceitam o desmonte da educação. Ocupamos ruas e avenidas que fazem parte da trajetória de nossa categoria como a Av. 23 de Maio e a Paulista. Mas a direção de Cláudio Fonseca novamente foi um obstáculo para nossa luta, impedindo que pudéssemos unificar com outras categorias e estudantes que estavam em luta naquele momento, para golpear com mais força Nunes e Tarcísio, justo quando o escândalo Dark Horse atingia a extrema direita. A greve foi encerrada com uma manobra e nova traição das burocracias.
Basta de uma burocracia encastelada há décadas que não permite que a base se expresse e organize a luta, tomando-a em suas próprias mãos! Queremos a abertura das subsedes, REs democráticos, Conselho ativo e Congresso como espaço de debate e decisão da categoria para preparar as nossas lutas. Vemos nacionalmente as grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, com direções burocráticas que paralisam, isolam e traem as mobilizações de nossa classe, direcionando nossa raiva somente a saídas eleitorais. Não aguentamos mais!
Em nossa categoria, é fundamental construir uma Oposição dentro do sindicato comprometida a batalhar pela nossa independência política, que aposte nos métodos de luta da nossa classe e para fortalecer a auto-organização no chão das escolas e recuperar o Sinpeem para as nossas lutas!
Quem somos?
O Movimento Nossa Classe é formado por trabalhadores de diferentes categorias, metroviários, petroleiros, bancários, entre outras, e aqui no município somos professoras, professores e ATEs efetivos e contratados que atuam em defesa de um sindicato democrático, nas mãos dos trabalhadores, e com total independência política dos governos. Somos parte de impulsionar o Esquerda Diário, o Instituto Casa Marx e a Editora Iskra. Apostamos na necessidade de construir uma alternativa de esquerda independente e da classe trabalhadora e por isso também nos baseamos no exemplo de Myriam Bregman, deputada federal argentina do Partido de los Trabajadores Socialistas, que está se transformando num fenômeno, com 14% de intenções de voto para presidente, ecoando um programa de independência de classe e anticapitalista fundado na luta de classes contra o governo de extrema direita de Javier Milei.
Fonte: Esquerda Diário