Flávio Bolsonaro chega ao 1º turno resiliente às crises e em busca do voto útil

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Por Marianna Holanda — JOTA

O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou crises dentro do seu campo político – até mesmo dentro de casa, – com o eleitorado e com o Supremo Tribunal Federal (STF), mas chega ao primeiro turno competitivo nas pesquisas. O principal fator que hoje leva o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o antipetismo.

Se há um ano, o bolsonarismo dizia que quanto mais candidatos melhor, num ensaio de “frente ampla de direita”, hoje fica claro que buscam uma frente ampla em torno de Flávio. Nesta última semana que antecedeu o primeiro turno, a campanha do senador insistiu em pedir voto útil contra o petista, em busca de desidratar outras candidaturas de direita.

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Numa frente, Flávio ataca o adversário, reforçando até mesmo a diferença de idade, aponta o alto custo de vida e o endividamento das famílias. Ele passou boa parte dos seus programas eleitorais em supermercados, falando do preço dos alimentos.

Em outra, busca passar uma mensagem de esperança e mudança, tentando capitalizar o desgaste inerente de uma figura política que governou o país por três mandatos. A campanha do PL faz até mesmo comparações de idade – 45 contra 80 de Lula – e por muito tempo torceu por uma “bidenização” do presidente, traduzida por gafes, esquecimento ou outro sinal de idade. Coisas que não aconteceram e não parecem que devem ocorrer no segundo turno, pelo perfil ativo do atual mandatário.

Numa disputa acirrada, poucos votos fazem a diferença e o objetivo de Flávio neste momento é buscar o voto antipetista para chegar ao segundo turno à frente do petista.

A disputa pelos indecisos ganhou novos ares com o cancelamento do debate da TV Globo na noite de quinta (1º/10). A emissora não realizou o tradicional último enfrentamento entre os presidenciáveis antes do primeiro turno depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibir a exibição do púlpito vazio de Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) permitir a participação de Renan Santos (Missão), não convidado inicialmente.

Antes da decisão da Globo, o presidenciável do PL já havia negado participação no confronto. Oficialmente, o discurso é de censura e tentativa de “tapetão” por parte do Supremo. Mas, reservadamente, também pesou o fato de Renan ser um fator de instabilidade, com potencial de desgastar sua imagem a poucos dias do primeiro turno.

Em outros momentos, a participação ativa do Judiciário na disputa eleitoral favoreceu o presidenciável. Quando os ministros estavam às voltas com a crise do Master e realizaram uma sessão marcada por bate-boca entre os colegas, Flávio buscou surfar no discurso de mudança e antissistema. Fala que ele também explorou na última quinta-feira (1/10) em live depois do cancelamento do debate.

Quando Jair Bolsonaro anunciou o primogênito como sucessor, decepcionou aliados e parte do mundo político que esperava Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato. Aos poucos, Flávio foi costurando apoios e demonstrando resiliência frente às crises que abateram a campanha.

Uma das primeiras crises surgiu “dentro de casa”: o vídeo de sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), expondo publicamente a relação desgastada dos dois e citando episódios como a composição da chapa do PL no Ceará, que rejeitou lançar Priscilla Costa ao Senado e se aliou a Ciro Gomes (PSDB), crítico de Jair Bolsonaro.

A revelação dos áudios, mensagens e encontros com o banqueiro Daniel Vorcaro também abalaram a campanha do senador, em meio a crise do Banco Master. No material, Flávio cobra repasses milionários para Dark Horse, filme que retrata a trajetória do pai, e demonstra proximidade com o banqueiro, se referindo a Vorcaro com termos como “irmão”.

O senador diz que as conversas eram apenas a respeito de financiamento privado para o filme. Mas o fato de ter mentido e omitido sobre sua relação com Vorcaro se tornou munição para o petismo. Boatos de participação em festas, negados por Flávio, atormentaram a campanha desde que começou a aparecer conteúdo do telefone do ex-banqueiro.

No mundo político, Flávio também enfrentou dificuldade para compor uma coligação com outros partidos. Apesar de ter quadros importantes alinhados ao senador, como Tarcísio e Tereza Cristina (PP), os partidos preferiram a neutralidade na disputa presidencial em prol dos palanques estaduais, desenhados de maneiras distintas.

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado vice em uma chapa pura do Partido Liberal (PL), numa tentativa de fazer o discurso de combate ao crime e de associação do presidente ao escândalo do INSS prevalecer ao isolamento político da chapa. Gaspar fez carreira como promotor de Justiça, e na Câmara relatou a CPMI do INSS. A escolha divergiu do plano inicial da campanha, de escolher uma mulher ou integrante do Centrão para agregar tempo de TV e melhorar a aceitação do candidato no eleitorado feminino.

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Flávio tentou contar ainda com a ajuda de Gaspar e do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL), para tentar melhorar o desempenho no Nordeste, reduto eleitoral histórico do petista. Pesquisas na reta final do primeiro turno mostram que o petista ainda lidera com folga nos nove estados.

A estratégia tem sido focar no Sudeste, região que ambas campanhas avaliam ser fiel da balança e onde Flávio lidera com 48 pontos contra 45 de Lula. O presidenciável do PL contou com palanque forte de Tarcísio de Freitas em São Paulo e com Douglas Ruas no Rio para tentar avançar no eleitorado de interior. Em Minas, enfrenta maior dificuldade, num palanque do desconhecido Flávio Roscoe. Segundo as últimas pesquisas, Lula lidera no estado.

Na reta final, Flávio Bolsonaro ainda enfrentou as suspeitas e acusações, classificadas por sua campanha como fake news, de que tiraria a Nossa Senhora de Aparecida como Padroeira do Brasil. O fato em si ele nega, mas o confronto entre evangélicos e católicos foi irremediável, diante da identificação pública do senador com as grandes denominações evangélicas.

Fonte: JOTA

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