Democratas avançam em redutos republicanos e ampliam disputa pelo Senado dos EUA
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O Partido Democrata aparece à frente em três disputas por cadeiras republicanas no Senado dos Estados Unidos, ampliando suas possibilidades de conquistar o controle da Casa nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro. Segundo reportagem da teleSUR, com base em pesquisas do jornal The New York Times e do instituto Siena, candidatos democratas lideram no Texas, no Alasca e em Ohio, enquanto Iowa e Kansas apresentam disputas apertadas.
Os republicanos ocupam atualmente 53 das 100 cadeiras do Senado. Das 33 vagas submetidas à renovação regular neste ano, 20 pertencem ao partido. Haverá também duas eleições especiais para os assentos deixados por Marco Rubio e JD Vance. Esse cenário abre espaço para a oposição disputar a maioria, embora as intenções de voto ainda não representem um resultado eleitoral.
O levantamento divulgado pelo instituto Siena no sábado (3) mostra o democrata James Talarico com 51% das intenções de voto no Texas, contra 45% do republicano Ken Paxton. No Alasca, Mary Peltola registra 50%, enquanto o senador republicano Dan Sullivan tem 43%. Em Ohio, o ex-senador democrata Sherrod Brown aparece com 49%, diante dos 46% do republicano Jon Husted.
Nos outros dois estados pesquisados, a competição é mais estreita. A republicana Ashley Hinson soma 48% em Iowa, apenas um ponto percentual acima do democrata Josh Turek. No Kansas, os candidatos dos dois principais partidos aparecem empatados, com 45%.
Além das oportunidades em estados com cadeiras republicanas, os democratas precisam preservar os assentos que já ocupam. De acordo com a teleSUR, o partido vem liderando pesquisas na Geórgia, em New Hampshire e em Michigan.
Em Michigan, Abdul El-Sayed, ligado à ala progressista próxima do senador Bernie Sanders, aparece à frente do republicano Mike Rogers. Na Carolina do Norte, outros levantamentos citados pela emissora apontam vantagem do ex-governador democrata Roy Cooper sobre Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.
Projeções favorecem democratas na Câmara
A disputa pelo Senado ocorre em paralelo à possibilidade de mudança no comando da Câmara dos Representantes, que terá todas as suas 435 cadeiras em jogo em novembro. Conforme a composição apresentada pela teleSUR, os republicanos detêm 220 assentos, contra 215 dos democratas.
A maioria estreita tem permitido ao partido de Donald Trump aprovar propostas do governo, entre elas um pacote de benefícios fiscais e cortes em programas de saúde. Uma vitória democrata alteraria essa correlação de forças no Congresso.
A reportagem cita um levantamento do RealClearPolitics que identifica 40 distritos competitivos. Também apresenta uma análise do Cook Political Report segundo a qual, mantidas as tendências observadas, os democratas poderiam conquistar aproximadamente 15 cadeiras adicionais e alcançar uma bancada próxima de 230 representantes.
Já a plataforma FiftyPlusOne, que reúne pesquisas públicas e considera fatores como a qualidade dos levantamentos e as características dos distritos, atribui aos democratas 99% de probabilidade de recuperar a Câmara, segundo a teleSUR. A estimativa citada coloca o partido com 50,8% das preferências, contra 43,1% dos republicanos. Trata-se de uma projeção estatística, sujeita à evolução da campanha e ao comportamento dos eleitores.
Custo de vida pesa sobre Trump
O ambiente eleitoral desfavorável aos republicanos coincide com a insatisfação dos americanos com a economia. A pesquisa AP-NORC divulgada em 1º de outubro registrou 31% de aprovação do presidente Donald Trump e 26% de apoio à sua condução econômica, conforme os dados reproduzidos pela teleSUR.
O levantamento ouviu 2.140 adultos entre 24 e 28 de setembro e tem margem de erro de 2,9 pontos percentuais. Segundo o AP-NORC, 65% dos entrevistados responsabilizam as políticas de Trump pelos preços elevados, enquanto 73% consideram que o país segue na direção errada. Essa percepção alcança 92% dos democratas e 47% dos republicanos.
A política comercial também enfrenta resistência: 68% desaprovam as negociações do governo com outros países e 64% avaliam que a imposição de novas tarifas foi longe demais. Na política externa, 71% rejeitam a atuação do presidente em relação ao Irã, e 69% afirmam que a guerra não valeu a pena.
A avaliação sobre o cumprimento das promessas reforça o desgaste. Apenas 17% dizem que Trump entrega o que promete. Entre os republicanos, 48% consideram que ele tenta cumprir seus compromissos, mas não consegue.
Presidente condiciona pagamento à vitória republicana
Nesse contexto, Trump voltou a prometer, no sábado (3), um pagamento de US$ 5 mil a cada cidadão americano adulto caso os republicanos vençam as eleições para as duas Casas do Congresso. Segundo a teleSUR, o presidente divulgou vídeos na rede Truth Social e convocou seus apoiadores a votar em 3 de novembro.
“Se os republicanos ganharem a Câmara dos Representantes e o Senado, vou dar a cada cidadão adulto 5.000 dólares. Os republicanos podem fazer isso e os democratas, não. Porque estamos conseguindo um volume enorme de dinheiro por meio das tarifas e um sucesso econômico que bate recordes”, afirmou, de acordo com a reportagem.
O presidente também declarou que, “se os democratas ganharem, vamos ter uma depressão econômica como a de 1929”. A frase foi apresentada como parte de seu discurso eleitoral.
A teleSUR informou ainda que Trump anunciou um subsídio de US$ 100 para 20 milhões de aposentados, com recursos de um fundo ligado ao Medicare, programa federal de seguro de saúde.
Campanha movimenta bilhões em publicidade
A competição pelo Congresso tem mobilizado elevados gastos de campanha. Até 17 de setembro, pelo menos US$ 4 bilhões haviam sido destinados a anúncios nas disputas para governador e para o Legislativo federal, segundo os dados apresentados pela teleSUR.
Michael Franz, codiretor do Wesleyan Media Project, da Universidade Wesleyan, em Connecticut, classificou o pleito como “talvez a eleição de meio de mandato mais cara da história”.
O financiamento de candidaturas também provocou críticas do senador Bernie Sanders. Na sexta-feira (2), ele afirmou que o Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos, conhecido pela sigla AIPAC, estava prestes a gastar US$ 233 milhões para derrotar candidatos contrários ao governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
“Gastaram 33 milhões de dólares para derrotar Abdul El-Sayed nas primárias de Michigan. Perderam. Vão continuar perdendo”, escreveu Sanders na rede X, conforme a teleSUR.
Apesar das pesquisas favoráveis aos democratas, os republicanos mantinham vantagem financeira. No início de setembro, o Comitê Nacional Republicano dispunha de US$ 125 milhões, diante dos US$ 16,9 milhões do Comitê Nacional Democrata. Considerando os três principais comitês vinculados a cada partido, uma análise da CNBC citada na reportagem apontava US$ 233 milhões em caixa para os republicanos e US$ 130 milhões para os democratas.
Fonte: Brasil 247